Formação de educadores e educadoras
As formações de educadores e educadoras são realizadas em municípios com alto índice de tráfico de seres humanos para o trabalho escravo ou em locais onde há exploração de mão de obra escrava. Participam 50 educadores e educadoras em cada município, em uma formação de 40 horas, incluindo gestores e gestoras das secretarias de educação, para que possam articular as escolas envolvidas em atividades conjuntas e para que seja possível inserir o tema nos conteúdos programáticos dos municípios. Os assuntos tratados nos cursos se relacionam às causas do estruturais trabalho escravo e às consequências desse tipo de exploração, conferindo a essa questão sua dimensão social, política, econômica e ambiental.
Após a formação, a Repórter Brasil realiza novos encontros em cada município com o objetivo de acompanhar e apoiar as atividades realizadas pelos participantes.
As primeiras formações foram realizadas em 2005 em municípios do Maranhão e do Piauí, locais em que atuam parceiros da Repórter Brasil, como a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos de Açailândia, no Maranhão (CDVDH). Após essa experiência, o programa se expandiu para outros Estados e estruturou uma rede de contatos e de parcerias para garantir sua realização.
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Formação de educadores no Maranhão Crédito: Arquivo Repórter Brasil |
Os participantes das formações do “Escravo, nem pensar!” fazem parte de uma rede de contatos articulada pelo programa e também são chamados a participar de eventos e mobilizações ligados à questão.
Multiplicação
Professores e professoras foram escolhidos como um dos públicos diretamente beneficiados pelo programa por conta de seu perfil multiplicador. Eles estão em constante contato com quem mais precisa dessas informações, estudantes jovens que, por estarem no vigor da força física, são os mais visados pelos aliciadores para derrubada de floresta e abertura de pastagens. E com os estudantes adultos que tomam contato pela primeira vez com o tema e, algumas vezes, são trabalhadores rurais e têm a oportunidade de refletir sobre as condições de trabalho a que já foram submetidos. Além das crianças, que em breve poderão aumentar as fileiras de trabalhadores escravizados.
Os estudantes tomam contato com o tema em sala de aula e participam dos projetos desenvolvidos nas escolas, realizando atividades diversificadas e interdisciplinares, como peças de teatro, concurso de paródias, produção de textos, programas de rádio, vídeos, pesquisas, feiras escolares, confecção de cartazes, entre outros.
Ao pensar na escola como um núcleo de debate sobre a sociedade, educadores e educadoras podem atingir também toda a comunidade do entorno, a partir de seu envolvimento nas atividades.