O caderno “Experiências Comunitárias de Combate à Escravidão” divulga 15 ações de defesa dos direitos fundamentais apoiadas pelo programa
O programa Escravo, nem pensar!, com o apoio da Catholic Relief Service (CRS), Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e TAM Linhas Aéreas lançou no mês de maio o caderno “Experiências Comunitárias de Combate à Escravidão”. A publicação reúne 15 ações realizadas por professores, lideranças comunitárias e agentes pastorais de combate e prevenção ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo apoiadas pelo Fundo de Apoio a Projetos do Escravo, nem pensar!.
O caderno “Experiências Comunitárias de Combate à Escravidão” divulga 15 ações de defesa dos direitos fundamentais apoiadas pelo programa
O programa Escravo, nem pensar!, com o apoio da Catholic Relief Service (CRS), Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e TAM Linhas Aéreas lançou no mês de maio o caderno “Experiências Comunitárias de Combate à Escravidão”. A publicação reúne 15 ações realizadas por professores, lideranças comunitárias e agentes pastorais de combate e prevenção ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo apoiadas pelo Fundo de Apoio a Projetos do Escravo, nem pensar!.
Além de destacar os projetos realizados em 2012, a publicação busca inspirar novas ações
Entre os meses de junho e novembro de 2012, os projetos promoveram diferentes atividades para sensibilizar, conscientizar e erradicar o trabalho escravo e o tráfico de pessoas. Houve produção de poemas, textos e paródias; apresentações de dança, capoeira, teatro e música; confecção de cartazes, panfletos e banners; rodas de conversa e exibição de filmes; produção de hortas comunitárias; pesquisas sobre a cultura quilombola e migração.
“A gente se sente fazendo algo a mais pelos outros. Imagina quantas pessoas a gente não está tirando desse ciclo do trabalho escravo? A gente sempre deixa claro que as pessoas têm o direito de migrar livremente, mas a questão é saber pra onde vão, com quem vão, como é o trabalho. É muito importante esse trabalho de informar. (...)Foi uma grande conquista para população que conseguiu ter acesso” relatou Francisco José dos Santos Oliveira, coordenador do projeto “A arte na prevenção ao trabalho escravo” realizado no Assentamento Nova Conquista no município de Monsenhor Gil (PI).
Cada iniciativa recebeu até R$ 1,2 mil e acompanhamento pedagógico mensal da equipe do programa para subsidiar as atividades. Um dos objetivos do Fundo de Apoio a Projetos do Escravo, nem pensar! é promover o protagonismo e engajamento de professores, lideranças comunitárias e agentes pastorais no combate e prevenção ao trabalho escravo. Desde 2007, 80 projetos já foram apoiados pela ONG Repórter Brasil. Clique aqui para ver projetos de edições passadas.
Novas iniciativas receberão financiamento em 2013
Estão abertas as inscrições para a 7ª edição do Fundo de Apoio a Projetos do Escravo, nem pensar! de 2013. Os interessados poderão enviar suas propostas até o dia 24 de maio de 2013.
Clique aqui para baixar o edital completo com mais informações sobre as inscrições.
Podem participar entidades e indivíduos da sociedade civil que tiverem interesse em desenvolver um projeto na escola em que trabalham, em articulação com outras escolas, ou na comunidade onde atuam. Esse ano, as propostas devem abordar o tema Trabalho e Migração: formas de combate ao trabalho escravo e ao tráfico de pessoas.
Os projetos selecionados contarão com uma ajuda de custo de até R$ 1.500,00 e terão que desenvolver as atividades entre 01 de junho e 30 de novembro de 2013.
Entidades e indivíduos da sociedade civil poderão enviar suas propostas até 24 de maio.
O programa Escravo, nem pensar! da ONG Repórter Brasil prorrogou as inscrições para a 7ª edição do Fundo de Apoio a Projetos do Escravo, nem pensar!, responsável pelo financiamento de projetos de prevenção ao tráfico de pessoas para o trabalho escravo. O novo prazo para envio das propostas é dia 24 de maio de 2013.
Clique aqui para baixar o edital completo com mais informações sobre as inscrições.
Podem participar entidades e indivíduos da sociedade civil que tiverem interesse em desenvolver um projeto na escola em que...
Entidades e indivíduos da sociedade civil poderão enviar suas propostas até 24 de maio.
O programa Escravo, nem pensar! da ONG Repórter Brasil prorrogou as inscrições para a 7ª edição do Fundo de Apoio a Projetos do Escravo, nem pensar!, responsável pelo financiamento de projetos de prevenção ao tráfico de pessoas para o trabalho escravo. O novo prazo para envio das propostas é dia 24 de maio de 2013.
Clique aqui para baixar o edital completo com mais informações sobre as inscrições.
Podem participar entidades e indivíduos da sociedade civil que tiverem interesse em desenvolver um projeto na escola em que trabalham, em articulação com outras escolas, ou na comunidade onde atuam. Esse ano, as propostas devem abordar o tema Trabalho e Migração: formas de combate ao trabalho escravo e ao tráfico de pessoas.
Os projetos selecionados contarão com uma ajuda de custode até R$ 1.500,00 e terão que desenvolver as atividades entre 01 de junho e 30 de novembro de 2013. A equipe organizadora do Fundo de Apoio a Projetos do Escravo, nem pensar! selecionará os projetos de acordo com os critérios descritos no edital. Para serem financiados, os projetos selecionados devem cumprir o contrato, executar as atividades propostas e prestar contas ao final.
Desde 2007, 80 projetos realizados por professores(as) e lideranças nos estados já receberam apoio pedagógico e financeiro para colocar em prática ações de combate ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo. As atividades foram diversificadas e interdisciplinares, desde peças de teatro até grafitagem, passando por programas de rádio, vídeos, palestras, encontros, caminhadas, pesquisas, produção de panfletos e cartilhas, confecção de cartazes e camisetas, oficinas de música, realização de oficinas de artesanato e plantio de hortas comunitárias. Os projetos foram fundamentais para fortalecer a rede de luta contra o tráfico de pessoas e o trabalho escravo em municípios dos estados daBahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Piauí, e Tocantins.
Entidades e indivíduos da sociedade civil deverão enviar suas propostas até 15 de maio.
O programa Escravo, nem pensar! da ONG Repórter Brasil, em parceria com o Ministério Público do Trabalho do Mato Grosso, abre as inscrições para a 7ª edição do Fundo de Apoio a Projetos do Escravo, nem pensar!, responsável pelo apoio técnico e financeiro de projetos de prevenção ao tráfico de pessoas para o trabalho escravo. O prazo para envio das propostas é dia 15 de maio de 2013.
Neste ano, os projetos devem abordar o tema Trabalho e Migração: formas de combate ao trabalho escravo e ao tráfico de pessoas. Os projetos devem...
Entidades e indivíduos da sociedade civil deverão enviar suas propostas até 15 de maio.
O programa Escravo, nem pensar! da ONG Repórter Brasil, em parceria com o Ministério Público do Trabalho do Mato Grosso, abre as inscrições para a 7ª edição do Fundo de Apoio a Projetos do Escravo, nem pensar!, responsável pelo apoio técnico e financeiro de projetos de prevenção ao tráfico de pessoas para o trabalho escravo. O prazo para envio das propostas é dia 15 de maio de 2013.
Neste ano, os projetos devem abordar o tema Trabalho e Migração: formas de combate ao trabalho escravo e ao tráfico de pessoas. Os projetos devem valorizar a migração e o trabalho, enquanto direitos humanos, e/ou fomentar ações de prevenção ao trabalho escravo e ao tráfico de pessoas.
Clique aqui para baixar o edital completo com mais informações sobre as inscrições.
Podem participar entidades e indivíduos da sociedade civil que tiverem interesse em desenvolver um projeto na escola em que trabalham, em articulação com outras escolas, ou na comunidade onde atuam.
Alunos participantes do projeto "Educar para não escravizar", realizado pelo Programa Brasil Alfabetizado, apresentam seus desenhos sobre trabalho escravo em Rio Maria - PA. (Crédito: Programa Brasil Alfabetizado)
Os projetos selecionados contarão com uma ajuda de custode até R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) e terão que desenvolver as atividades entre 01 de junho e 30 de novembro de 2013. A equipe organizadora do Fundo de Apoio a Projetos do Escravo, nem pensar! selecionará os projetos de acordo com os critérios descritos no edital. Para serem apoiados, os projetos selecionados devem cumprir o contrato, executar as atividades propostas e prestar contas ao final.
Desde 2007, 80 projetos realizados por professores(as) e lideranças comunitárias já receberam apoio pedagógico e financeiro para colocar em prática ações de combate ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo. As atividades foram diversificadas e interdisciplinares, desde peças de teatro até grafitagem, passando por programas de rádio, vídeos, palestras, encontros, caminhadas, pesquisas, produção de panfletos e cartilhas, confecção de cartazes e camisetas, oficinas de música, realização de oficinas de artesanato e plantio de hortas comunitárias. Os projetos foram fundamentais para fortalecer a rede de luta contra o tráfico de pessoas e o trabalho escravo em municípios dos estados da Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Piauí e Tocantins. Clique aqui para ver experiências das edições anteriores.
Objetivo do projeto promovido pelo Ministério Público do Trabalho é difundir os direitos das crianças nas escolas e comunidades
Participantes fomentarão atividades pedagógicas sobre os direitos das crianças em 12 municípios do Mato Grosso
O Escravo, nem pensar participou da oficina de abertura do projeto "MPT na Escola: de mãos dadas contra o trabalho infantil" realizada em Cuiabá, no dia 15 de março. A atividade contou com representantes de 12 secretarias municipais de Educação do Mato Grosso e foi promovida pela Procuradoria Regional do Trabalho da 23ª região.
Objetivo do projeto promovido pelo Ministério Público do Trabalho é difundir os direitos das crianças nas escolas e comunidades
Participantes fomentarão atividades pedagógicas sobre os direitos das crianças em 12 municípios do Mato Grosso
O Escravo, nem pensar participou da oficina de abertura do projeto "MPT na Escola: de mãos dadas contra o trabalho infantil" realizada em Cuiabá, no dia 15 de março. A atividade contou com representantes de 12 secretarias municipais de Educação do Mato Grosso e foi promovida pela Procuradoria Regional do Trabalho da 23ª região.
Além de debater aspectos sociais e jurídicos que envolvem a problemática do trabalho infantil, foram discutidas as relações com o trabalho escravo e formas de abordagem dessas temáticas nas escolas.
As próximas etapas do projeto serão a multiplicação dos conhecimentos e o envolvimento das escolas e comunidades nessa campanha. A culminância será realizada na semana do dia 12 de junho, Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, com a apresentação dos trabalhos escolares.
Publicação discute a situação do trabalho nas indústrias frigoríficas brasileiras
O programa Escravo, nem pensar!, com apoio da Catholic Relief Services e da TAM Airlines, lançou em março o caderno temático “Moendo gente – A situação do trabalho nos frigoríficos”, voltado para educadores que queiram abordar o tema em atividades na escola ou com outros públicos.
Além do conteúdo informativo, caderno traz sugestões de atividades didáticas
A publicação didática confronta o fato de o Brasil ser o maior produtor de carnes do mundo com as difíceis condições de trabalho nas plantas frigoríficas. Além...
Publicação discute a situação do trabalho nas indústrias frigoríficas brasileiras
O programa Escravo, nem pensar!, com apoio da Catholic Relief Services e da TAM Airlines, lançou em março o caderno temático “Moendo gente – A situação do trabalho nos frigoríficos”, voltado para educadores que queiram abordar o tema em atividades na escola ou com outros públicos.
Além do conteúdo informativo, caderno traz sugestões de atividades didáticas
A publicação didática confronta o fato de o Brasil ser o maior produtor de carnes do mundo com as difíceis condições de trabalho nas plantas frigoríficas. Além disso, são apresentados depoimentos de trabalhadores, que revelam suas duras histórias nas linhas de abate de bovinos, aves e suínos.
Em 2011, os frigoríficos brasileiros exportaram 15,64 bilhões de dólares em produtos. No entanto, por trás do grande lucro gerado por este setor existe um quadro marcado pela exposição dos trabalhadores a sérios riscos à sua saúde física e psicológica nesse ambiente de trabalho.
Jornadas exaustivas, ritmo ininterrupto de produção, pressão psicológica, elevada carga de movimentos repetitivos e exposição a baixas temperaturas são algumas situações que compõem o cenário do trabalho em muitos frigoríficos do país.
Vale, então, a pena manter um sistema de produção que adoece e lesiona tantos trabalhadores para inflar as exportações do país? Reflexões como essa são suscitadas neste caderno temático, que faz parte de um conjunto de produções da Repórter Brasil, voltadas para o mesmo tema:
O premiado documentário “Carne e Osso” (2011) apresenta a realidade impactante e depoimentos que revelam o árduo cotidiano do trabalho nos frigoríficos brasileiros.
Listado entre os 10 melhores projetos de jornalismo digital pela Revista Superinteressante, o hot site "Moendo Gente" denuncia, em formato multimídia, acidentes, doenças e outros problemas decorrentes do trabalho na indústria da carne.
Por Carolina Motoki, coordenadora do Escravo, nem pensar! em Araguaína (TO)
Trago uma triste notícia: Frei Jean Raguènés faleceu nesta manhã, dia 31 de janeiro de 2013.
A primeira vez que o encontrei foi em uma celebração sob os pés de caju da casa, onde o frei Xavier Plassat morava aqui em Araguaína (TO), quando o mestre da ordem dominicana havia vindo ao Brasil visitar a província. Era uma noite agradável e, depois de acompanhar a reza e beber umas caipirinhas, ouvimos extasiados freiJeancantar sua composição "Pistoleirrrros do Parrrrá", com inconfundível sotaque francês e bom humor.
Por Carolina Motoki, coordenadora do Escravo, nem pensar! em Araguaína (TO)
Trago uma triste notícia: Frei Jean Raguènés faleceu nesta manhã, dia 31 de janeiro de 2013.
A primeira vez que o encontrei foi em uma celebração sob os pés de caju da casa, onde o frei Xavier Plassat morava aqui em Araguaína (TO), quando o mestre da ordem dominicana havia vindo ao Brasil visitar a província. Era uma noite agradável e, depois de acompanhar a reza e beber umas caipirinhas, ouvimos extasiados freiJeancantar sua composição "Pistoleirrrros do Parrrrá", com inconfundível sotaque francês e bom humor.
A última vez que o vi foi no convento dos dominicanos na Saúde, em São Paulo, aonde foi morar, quando os seus olhos já não conseguiam ver muito do mundo. Naquele dia, tínhamos ido visitar frei Henri des Roziers, que iria viajar à França. Notei nos dois velhinhos, além de mais vida do que em mim mesma, a capacidade de fazer graça da própria dor, enquanto abraçavam as dores do mundo. Ou enquanto abraçavam aqueles que sofrem das dores do mundo.
Hoje me lembrei, então, de uma história. FreiJeanrecebia em sua casa muitos trabalhadores fugidos do trabalho escravo das fazendas. Certa vez, um que não tinha lugar no trecho passou a morar com ele. Ao retornar de uma viagem, a surpresa: na sua ausência, o trabalhador já havia vendido praticamente tudo o que estava dentro da casa... No julgamento do delito, o juiz disse que poderia reverter a prisão a uma pena alternativa, mas havia um problema: o moço não possuía residência fixa. Ao que frei Jeanlevantou e disse: "Este é o único problema? Então está resolvido, ele pode morar em minha casa!".
Isso sem contar a sua luta na LIP, fábrica de relógios tomada pelos operários na década de 1970: concretização de sonho impulsionando a utopia...
Ao relembrar tudo isso e saber que, em seus últimos momentos, ele não parecia preocupado com a sua saúde, mas com a preocupação e o cuidado que isso gerava nos outros, retiro a maneira como começo essa mensagem: em vez de anunciar um fim, celebro essa vida.
Agradecemos aos designers e agências de comunicação pelas propostas e parabenizamos a todos pelo esforço e criatividade dos trabalhos.
Infelizmente, nenhum trabalho apresentado contemplou os critérios necessários para a renovação do logotipo do programa Escravo, nem pensar!, não havendo, portanto, vencedores para este concurso. O programa lembra que o edital do concurso previa o direito da organização de não eleger vencedores.
Agradecemos aos designers e agências de comunicação pelas propostas e parabenizamos a todos pelo esforço e criatividade dos trabalhos.
Infelizmente, nenhum trabalho apresentado contemplou os critérios necessários para a renovação do logotipo do programa Escravo, nem pensar!, não havendo, portanto, vencedores para este concurso. O programa lembra que o edital do concurso previa o direito da organização de não eleger vencedores.
Proponentes apresentaram desenhos criativos e inovadores
O Escravo, nem pensar! recebeu diversas propostas de designers e agências de publicidade no âmbito do concurso para renovação de seu logotipo. Estão em processo de avaliação as propostas de trabalho enviadas por correio até o dia 10 de dezembro de 2012. Os critérios adotados para esta avaliação são aqueles apresentados no edital. O resultado oficial do concurso será divulgado até o final deste mês.
Proponentes apresentaram desenhos criativos e inovadores
O Escravo, nem pensar! recebeu diversas propostas de designers e agências de publicidade no âmbito do concurso para renovação de seu logotipo. Estão em processo de avaliação as propostas de trabalho enviadas por correio até o dia 10 de dezembro de 2012. Os critérios adotados para esta avaliação são aqueles apresentados no edital. O resultado oficial do concurso será divulgado até o final deste mês.
Programa de educação da Repórter Brasil fica em 2º lugar na categoria que premiou iniciativas da sociedade civil
Premiação contemplou dez projetos de oito estados. Escravo,nem pensar! foi o representante de São Paulo
O Escravo, nem pensar!, programa de educação da ONG Repórter Brasil, foi um dos finalistas do Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos 2012, concedido pelo Ministério da Educação, em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Fundação SM e Organização dos Estados Iberoamericanos.
O programa alcançou o segundo lugar na categoria “A sociedade na...
Programa de educação da Repórter Brasil fica em 2º lugar na categoria que premiou iniciativas da sociedade civil
Premiação contemplou dez projetos de oito estados. Escravo,nem pensar! foi o representante de São Paulo
O Escravo, nem pensar!, programa de educação da ONG Repórter Brasil, foi um dos finalistas do Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos 2012, concedido pelo Ministério da Educação, em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Fundação SM e Organização dos Estados Iberoamericanos.
O programa alcançou o segundo lugar na categoria “A sociedade na educação em direitos humanos”, que premiou iniciativas da sociedade civil. Ao todo, foram mais de 200 projetos inscritos para as quatro categorias do prêmio (Veja abaixo os premiados).
A cerimônia de premiação aconteceu em Brasília (DF), no último dia 17, no Ministério da Educação e contou com a participação dos ministros Aloizio Mercadante (Educação) e Maria do Rosário Nunes(Direitos Humanos).
Prêmio é reconhecimento das ações educativas que o progra- mas desenvolve desde 2004
“Com esse prêmio, o Estado reitera a sua postura em defesa dos direitos humanos e reconhece a importância das ações de prevenção por meio da educação para o enfrentamento do trabalho escravo”, avalia Natália Suzuki, coordenadora do programa Escravo, nem pensar!.
Em 2012, a Repórter Brasil também recebeu menção honrosa pelos trabalhos desenvolvidos pelo Escravo, nem pensar! e pela Agência de Notícias por parte da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra).
Premiados
Categoria 1: As Secretarias de Educação na Construção da Educação em Direitos Humanos 1º lugar: Secretaria de Educação do município de Campina Grande (Campina Grande/PB) Projeto A educação em direitos humanos é garantir a discussão da educação étnico-racial e indígena nas escolas municipais
2º lugar: Secretaria de Educação do município de Patos (Patos/PB) Projeto Direitos humanos é direito de todos
Categoria 2: A Educação em Direitos Humanos na Escola - Escolas públicas 1º lugar: EEFM Deputado Joaquim de Figueiredo Correia (Iracema/CE) Projeto Palavra jovem: a voz da cidadania
2º lugar: Fundação Educacional de Macaé (Macaé/RJ) Projeto Estudos em Direitos Humanos
- Escola Privada 1º lugar: Colégio Santa Catarina (Novo Hamburgo/RS) Projeto Gisa – Grupo de Intervenção Social Categoria 3: A Formação, a Pesquisa e a Extensão Universitária em Educação em Direitos Humanos 1º lugar: Universidade Federal do Paraná (Curitiba/PR) Projeto UFPR unindo talentos no sistema penal do Paraná à luz da educação em direitos humanos e da cultura da paz
2º lugar: Universidade Rural de Pernambuco (Recife/PE) Projeto: Sustenta Caatinga: justiça e responsabilidade socioambientais na construção da cidadania no semiárido
Categoria 4: A Sociedade na Educação em Direitos Humanos 1º lugar: Associação de Advogados dos Trabalhadores Rurais do Estado da Bahia (Salvador/BA) Projeto Juristas leigos: vinte anos de educação jurídica popular
2º lugar: Repórter Brasil (São Paulo/SP) Projeto Escravo, nem pensar!
Menção honrosa ONG Memorial das Ligas Camponesas Projeto O memorial das Ligas Camponesas (Sapé/PB)
Os encontros foram importantes para reavivar a temática nos municípios onde o programa realizou formações e estimular o desenvolvimento de novas atividades de prevenção ao trabalho escravo
Ao longo de 2012, o Escravo, nem pensar! realizou encontros de acompanhamento em 11 municípios de estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste (vide tabela ao final da notícia). Esses encontros são realizados em três módulos, um a cada seis meses, nos municípios em que o programa realizou formações de professores. O objetivo é dar continuidade às atividades pedagógicas e ao mesmo tempo avaliar junto a professores e lideranças...
Os encontros foram importantes para reavivar a temática nos municípios onde o programa realizou formações e estimular o desenvolvimento de novas atividades de prevenção ao trabalho escravo
Ao longo de 2012, o Escravo, nem pensar! realizou encontros de acompanhamento em 11 municípios de estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste (vide tabela ao final da notícia). Esses encontros são realizados em três módulos, um a cada seis meses, nos municípios em que o programa realizou formações de professores. O objetivo é dar continuidade às atividades pedagógicas e ao mesmo tempo avaliar junto a professores e lideranças as melhores formas de inserir a prevenção ao trabalho escravo nas escolas e atividades comunitárias.
Durante o mês de novembro, a equipe do Escravo, nem pensar! participou de encontros de acompanhamento em três estados: Pará, Mato Grosso e Piauí. Os encontros, realizados em seis municípios, contaram com atividades pedagógicas sobre o trabalho escravo contemporâneo e temas correlatos. Nas rodas de conversa, participantes trocaram informações sobre as formas de inserção da temática nas escolas e em atividades comunitárias.
Pará Municípios: Eldorado dos Carajás e Rio Maria (8 e 9 de novembro)
Professor e alunos que participaram de projeto em Eldorado dos Carajás (PA)
Professores dos municípios, que participaram de formação do Escravo, nem pensar! no início deste ano, reuniram-se pela primeira vez, após as formações realizadas em maio, para trocar suas experiências na prevenção ao trabalho escravo. Todos os presentes disseram ter abordado o tema em sala de aula relacionando-o a outros como meio ambiente, questão agrária, tráfico de pessoas, trabalho infantil e exploração sexual.
Durante a conversa, os professores mostraram as produções de seus alunos sobre o tema e falaram da gratificação em ver como eles dominavam os conceitos sobre trabalho escravo. Relataram também a empolgação e comprometimento dos alunos nas apresentações de seus trabalhos e compartilharam as dificuldades encontradas e as soluções dadas para enfrentar os problemas.
“Nos dois municípios, ficou claro como o engajamento e o comprometimento dos professores com o tema refletiram na construção do conhecimento pelos alunos. Isso foi muito importante para institucionalizar o tema na região, que já foi palco de muitas disputas e conflitos pela terra”, relata Marina Falcão, da equipe do programa.
Mato Grosso Município: Juína (13 de novembro)
Educadores e lideranças do município participaram do segundo encontro de acompanhamento. O primeiro ocorreu em junho desse ano. Em ambos, a maioria dos professores e professoras, do Ensino Infantil, relatou dificuldades em abordar o trabalho escravo junto às crianças. Nesse segundo módulo, uma professora compartilhou a experiência de abordagem da temática junto a mães e pais de alunos dessa faixa de ensino, inspirando demais educadores.
A Secretaria Municipal de Educação, a Comissão Pastoral da Terra e o Centro Estadual de Formação de Professores realizaram um concurso entre alunos de quatro escolas sobre a temática, com produção de desenhos, paródias e poemas. Para o ano que vem, a Secretaria pretende realizar concurso semelhante em âmbito municipal, a fim de instigar as escolas a se voltarem sobre o tema e tornar a prevenção ao trabalho escravo mais presente no município.
Piauí Municípios: Avelino Lopes, Parnaguá e Cristalândia do Piauí (26 a 30 de novembro)
Educadoras de Parnaguá (PI) ressaltam importância das ações de prevenção ao trabalho escravo
Foi realizada a terceira e última etapa dos encontros de acompanhamento nos municípios piauienses. Professores relataram a abordagem do tema em diversas disciplinas, relacionando-o com o trabalho infantil, exploração sexual e preservação do meio ambiente - tendo como foco a questão das carvoarias. Algumas escolas de Cristalândia do Piauí aproveitaram o 7 de setembro, comemoração da independência do Brasil, para retomar a questão do trabalho escravo.
Nos três encontros, professores e professoras ressaltaram a importância de institucionalizar a abordagem do tema, permitindo maior efetividade no trabalho em sala de aula e em projetos interdisciplinares. “A incorporação da temática ao planejamento e ao projeto político-pedagógico das escolas é fundamental para que os municípios tenham autonomia nas ações de prevenção ao trabalho escravo”, afirma Thaís Favoretto, educadora do Escravo, nem pensar!. Em Parnaguá, a diretora de uma das escolas afirmou querer incorporar o tema não apenas em disciplinas e projetos, mas na forma de uma nova disciplina do currículo escolar.
Veja a seguir a lista de municípios, onde foram realizados os encontros em 2011. Para saber mais informações sobre as atividades desenvolvidas, clique sobre o município escolhido:
Atividade aconteceu em escola no norte do estado e fez parte das atividades da disciplina de Sociologia
Na noite do último dia 29, o programa Escravo, nem pensar! realizou duas palestras sobre trabalho escravo contemporâneo no Centro de Ensino Médio Paulo Freire, em Araguaína, no Tocantins. Participaram da atividade quatro turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA). O convite foi feito pela coordenadora da escola, Antonia Alves, e pela professora Ana Júlia, que ministra a disciplina de Sociologia.
Durante as palestras, foram mostradas as condições a que são submetidos os trabalhadores em fazendas e carvoarias, e...
Atividade aconteceu em escola no norte do estado e fez parte das atividades da disciplina de Sociologia
Na noite do último dia 29, o programa Escravo, nem pensar! realizou duas palestras sobre trabalho escravo contemporâneo no Centro de Ensino Médio Paulo Freire, em Araguaína, no Tocantins. Participaram da atividade quatro turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA). O convite foi feito pela coordenadora da escola, Antonia Alves, e pela professora Ana Júlia, que ministra a disciplina de Sociologia.
Durante as palestras, foram mostradas as condições a que são submetidos os trabalhadores em fazendas e carvoarias, e por que o trabalho escravo se configura como um crime e uma violação dos direitos humanos. Além disso, dados que colocam o Tocantins como um dos campeões no triste ranking dessa prática foram apresentados.
Quatro turmas de EJA participaram da palestra
“Alunos e alunas mostraram-se surpresos quando souberam que uma das fotografias havia sido tirada em uma libertação no município de Ananás, próximo de Araguaína. Ao final, um dos alunos me procurou para dizer que conhecia um daqueles trabalhadores e que nem imaginava que ele havia passado por essa situação”, relata Carolina Motoki, da equipe do Escravo, nem pensar!. "Assim, foi importante para mostrar como o trabalho escravo é uma realidade próxima”, complementa.
No estado do Tocantins já foram libertados mais de 2,7 mil trabalhadores da escravidão. Em Araguaína, o Ministério do Trabalho e Emprego encontrou trabalhadores nessas condições em 15 casos. O município fica atrás apenas de Ananás em número de casos, que teve 17 fiscalizados. O Centro de Ensino Médio Paulo Freire aborda a temática todos os anos, nas aulas de Sociologia, História e Geografia.
Caderno temático propõe discussão sobre o fenômeno da migração e sua relação com a violação de direitos humanos
O programa Escravo, nem pensar!, com o apoio da Catholic Relief Service e da TAM Airlines, lança o caderno temático Migração – O Brasil em movimento, que aborda os movimentos migratórios no Brasil nos planos internacional e nacional. O caderno temático pretende suscitar o debate acerca dos movimentos migratórios e os fenômenos acarretados por eles, como a exploração, a discriminação e os direitos humanos. A publicação é voltada para professores e lideranças sociais devido ao seu potencial multiplicador. Os...
Caderno temático propõe discussão sobre o fenômeno da migração e sua relação com a violação de direitos humanos
O programa Escravo, nem pensar!, com o apoio da Catholic Relief Service e da TAM Airlines, lança o caderno temático Migração – O Brasil em movimento, que aborda os movimentos migratórios no Brasil nos planos internacional e nacional. O caderno temático pretende suscitar o debate acerca dos movimentos migratórios e os fenômenos acarretados por eles, como a exploração, a discriminação e os direitos humanos. A publicação é voltada para professores e lideranças sociais devido ao seu potencial multiplicador. Os textos informativos presentes na cartilha são acompanhados por seções que propõem tópicos para discussão e reflexão sobre os direitos do trabalhador migrante.
As desigualdades sociais e econômicas entre países e regiões de um mesmo país são, em geral, responsáveis pela criação de zonas de atração e de expulsão de migrantes. Nesse sentido, a publicação explica de que forma os deslocamentos causados por uma situação socioeconômica negativa podem contribuir para a violação dos direitos humanos.
Caderno discute migração e propõe atividades didáticas
Desde os anos 90, os sul-americanos têm migrado de forma massiva para o Brasil em busca de emprego. O caso dos bolivianos flagrados em condições análogas à escravidão numa oficina de costura, que prestava serviços à marca coreana Talita Kume, é um exemplo da situação vivida por muitos imigrantes que vem em busca de uma vida melhor. A ausência de políticas de imigração eficazes contribui amplamente para a vulnerabilidade dos imigrantes à exploração.
Os migrantes, vindos do exterior – como os bolivianos e os haitianos - e de outros estados brasileiros, são alvos de diversas formas de discriminação. Muitos imigrantes nordestinos que vão para São Paulo trabalhar nos canaviais, por exemplo, acabam marginalizados cultural, social e economicamente pela população local. Isso pode propiciar a exploração em vários aspectos, além de provocar um isolamento desta população em relação aos habitantes locais.
A publicação ainda aborda outro aspecto das atuais ondas migratórias para o Brasil: com o discurso de desenvolvimento e crescimento econômico, o país tem atraído também a mão de obra especializada.
“Sociedade civil e órgãos governamentais precisam ser mais sensíveis e atenciosos aos diversos tipos de migrantes presentes no Brasil. Para isso, é preciso formular e implementar políticas públicas que protejam os direitos humanos dessas pessoas por meio da inclusão na sociedade e a possibilidade de exercício pleno da cidadania. Esse caderno temático pretende contribuir com essa discussão”, avalia Natália Suzuki, coordenadora do programa Escravo, nem pensar!.
Município é o líder entre os locais de origem dos trabalhadores escravizados no país
Nos dias 22 e 23 de novembro, o programa Escravo, nem pensar! realizou uma oficina pedagógica a respeito do trabalho escravo contemporâneo com professores da rede municipal de Codó (MA). A atividade fez parte da "Caravana da Liberdade”, ação social de combate ao trabalho escravo e infantil promovida pelo Tribunal Regional do Trabalho e pelo Ministério Público do Trabalho do Maranhão em parceria com a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos, Assistência Social e Cidadania do Maranhão, a Secretaria de Estado do Trabalho e Economia...
Município é o líder entre os locais de origem dos trabalhadores escravizados no país
Nos dias 22 e 23 de novembro, o programa Escravo, nem pensar! realizou uma oficina pedagógica a respeito do trabalho escravo contemporâneo com professores da rede municipal de Codó (MA). A atividade fez parte da "Caravana da Liberdade”, ação social de combate ao trabalho escravo e infantil promovida pelo Tribunal Regional do Trabalho e pelo Ministério Público do Trabalho do Maranhão em parceria com a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos, Assistência Social e Cidadania do Maranhão, a Secretaria de Estado do Trabalho e Economia Solidária, a Defensoria Pública, entre outras instituições e organizações da sociedade civil.
Codó foi escolhido por apresentar um quadro preocupante em relação ao aliciamento de trabalhadores. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra, entre 2003 e outubro de 2010, 283 residentes foram resgatados da escravidão em outros municípios e até mesmo dentro do seu território, o que lhe garante o triste posto de líder nacional nesse quesito. Importante frisar também que o Maranhão é o estado que lidera a origem dos trabalhadores libertados da escravidão no país. (No final da página, você pode conferir reportagens sobre libertações na região.)
Participantes receberam materiais didáticos do programa
Partindo desse contexto local, a atividade priorizou três aspectos centrais: discussão sobre migração e aliciamento, perfil dos trabalhadores resgatados e definição conceitual do trabalho escravo. A abordagem primou pelo metódo dialógico e interativo, incorporando os relatos e impressões dos participantes como subsídios para as discussões. O resultado foi muito positivo e estimulante, pois os professores demonstraram fácil compreensão e familiaridade com os fatos, restando ao espaço da oficina sistematizar os conhecimentos prévios dos participantes e apresentar novidades sobre o tema.
A pertinência da ação educativa ficou comprovada pelo forte envolvimento e a boa avaliação dos participantes. Na ocasião, a turma trouxe à tona diversos casos de aliciamento de trabalhadores para o corte de cana em cidades paulistas e de familiares, conhecidos e, até mesmo alunos, que já foram escravizados. Segundo os relatos, o aliciamento é realizado por meio de anúncios nas rádios locais e carros de som que percorrem os bairros mais carentes. As promessas de carteira assinada, boas condições de trabalho e salário garantido costumam atrair trabalhadores, frente às poucas oportunidades de emprego e renda no município, optam pela migração temporária. Em certos casos, os trabalhadores acabam enfretando situações completamente opostas e degradante.
Os participantes receberam materiais didáticos do programa, como os fascículos "Trabalho Escravo e Destruição do Meio Ambiente" e "Trabalho Escravo Urbano", que serviram de fonte para as discussões. Além disso, os professores apresentaram ideias de como utilizar os materiais para inserir a temática no universo escolar, principalmente através de projetos pedagógicos voltados à prevenção e multiplicação de informações.
Além das oficinas pedagógicas sobre direitos humanos, trabalho infantil, trabalho seguro, educação, igualdade étnica e trabalho escravo, o evento contou com seminários, apresentações culturais e alguns serviços para a população, como emissão de Carteira de Trabalho e da Previdência Social (CTPS), recebimento de reclamações trabalhistas, coleta de denúncias de trabalho escravo e infantil e inscrições em cursos profissionalizantes.
No encerramento, as instituições lançaram a "Carta de Codó". O documento reafirma o compromisso da luta pela erradicação do trabalho escravo e infantil e faz proposições importantes, como a criação de uma Vara do Trabalho, de uma Procuradoria do Trabalho e de mais um ofício do Ministério Público Estadual no município de Codó.
Em 2013, a ideia é estender a experiência para outras cidades maranhenses.
Designers e agências de publicidade podem enviar a sua proposta até o dia 10 de dezembro
O Escravo, nem pensar! prorroga o concurso para renovação do seu logotipo. Convidamos designers e agências de publicidade a enviarem suas propostas de trabalho até o dia 10 de dezembro de 2012 pelo correio (acesso o link abaixo para mais informações sobre o processo de seleção). O profissional vencedor desenvolverá toda a identidade visual do programa Escravo, nem pensar! a partir do desenho proposto para este concurso. Esse trabalho será remunerado com o pagamento do valor bruto de R$ 6.500,00 (seis mil e quinhentos reais).
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Clique aqui para ler o edital do concurso e saiba como participar!
Por Natália Suzuki, Daniel Santini e Carolina Motoki Coordenadores da ONG Repórter Brasil
En la noche del día 22 de Mayo de 2012, la Cámara de Diputados de Brasil aprobó la Propuesta de Enmienda Constitucional (PEC) 438/2001 en segundo turno de votación. De un total de 414 parlamentarios, 360 votaron a favor de PEC, 29 en contra, y 25 se abstuvieron. El resultado parece haber sido una victoria fácil, sin embargo no refleja la dura disputa que se dio hasta último momento en los bastidores del...
Por Natália Suzuki, Daniel Santini e Carolina Motoki Coordenadores da ONG Repórter Brasil
En la noche del día 22 de Mayo de 2012, la Cámara de Diputados de Brasil aprobó la Propuesta de Enmienda Constitucional (PEC) 438/2001 en segundo turno de votación. De un total de 414 parlamentarios, 360 votaron a favor de PEC, 29 en contra, y 25 se abstuvieron. El resultado parece haber sido una victoria fácil, sin embargo no refleja la dura disputa que se dio hasta último momento en los bastidores del Congreso brasilero. La propuesta, que tramita ahora como PEC 57ª, debe pasar todavía por un round de votación en el senado para, entonces, ser firmada definitivamente.
Desde 2004, la PEC 74ª, que prevé la expropiación y confisco de tierras sin derecho a indemnización a quienes utilizan trabajo esclavo en sus instalaciones, estaba atascada en el Congreso. Los sucesivos aplazamientos de la votación, debido a los esfuerzos de algunos legisladores, siempre ha sido la manera más elegante de defender los intereses de la burguesía rural del país y, así, perpetuar la esclavitud contemporánea en cientos de propiedades en todos los Estados brasileños.
El Relator Especial de la ONU sobre formas contemporáneas de esclavitud, Gulnara Shahinian, definió a la PEC como "el más poderoso instrumento legal para combatir el trabajo esclavo en Brasil". La evaluación del ponente tiene sentido porque además de ser un mecanismo capaz de vencer la impunidad de los esclavistas -lo cual es una de las principales deficiencias de las estrategias de combate a la esclavitud contemporánea-, la enmienda va en contra de la lógica de la organización agraria brasileña impuesta desde el período colonial. Incluso hoy en día, la tierra cultivable en Brasil residen en manos de unos pocos propietarios: cerca del 40% de estas tierras se componen de grandes haciendas (propiedades con más de 2 mil hectáreas).
El tratamiento de la PEC 57A en el Congreso está siempre acompañado por la inminencia de la revisión del concepto de esclavitud contemporánea, establecido en el artículo 149 del Código Penal brasileño. En cada oportunidad en que esto se discutió, los congresistas de la bancada ruralista intentaron poner en jaque el debate y consolidar el statu quo.
La ley define claramente que la práctica del trabajo esclavo es un delito y hace explícito que someter a alguien a condiciones análogas a la esclavitud es someter al individuo a condiciones degradantes de trabajo y/o privarlo de su libertad. El primer aspecto se refiere a elementos que inhiben la dignidad del trabajador tales como la vivienda precaria; la falta de atención médica, saneamiento e higiene; la mala alimentación; los malos tratos y la violencia; las amenazas físicas y psicológicas; y las jornadas exhaustivas. A su vez, la libertad del trabajador es disminuida/restringida por mecanismos perversos como mantenerlo en el lugar de trabajo por medio de deuda ilegal o esclavitud por deuda; retener su documentación y/o salario; controlar su derecho a salir del lugar de trabajo mediante amenazas físicas y psicológicas y encarcelamiento; además de someterlo a trabajo forzoso y aislarlo geográficamente.
El concepto de trabajo esclavo contemporáneo expresado en el artículo 149 del Código Penal brasileño permitió rescatar a más de 43 mil trabajadores sometidos a situaciones inimaginables de humillación y explotación entre los años 1995 y 2011, según datos del Ministerio de Trabajo y Empleo. La misma ley se utiliza para acusar penalmente a quienes emplean este tipo de mano de obra, como ocurrió con un senador brasileño este año cuando el Supremo Tribunal Federal lo puso en el banquillo por emplear a 35 personas en situación de esclavitud en el estado de Pará, en la región norte del país.
La Organización Internacional del Trabajo estima que Brasil ha estado creando mecanismos innovadores y coherentes con las disposiciones de los tratados internacionales de los cuales es signatario. Estos instrumentos, entre los cuales están el artículo 149 y la PEC 57A, se consideran referencias para otros gobiernos que desean eliminar esta violación de los derechos humanos en sus países.
A partir del concepto vigente de trabajo esclavo contemporáneo y con la participación y el esfuerzo de la sociedad civil, durante más de una década se han creado políticas públicas de prevención, asistencia a las víctimas y enjuiciamiento de esclavistas y fueron juzgados diversos casos, creando jurisprudencia en varias instancias de la rígida y conservadora estructura judicial. Todo esto sin que hubiese duda alguna acerca de la definición de esclavitud contemporánea, ahora desafiada nuevamente.
Hoy en día los esclavos no son encadenados en el maletero o azotados en la picota. ¿Pero como catalogar, sino como esclavitud, las condiciones inhumanas a las que son sometidos miles de trabajadores? Reducir las violaciones de los derechos humanos, tales como la superexplotación del trabajo, la restricción de la libertad, las amenazas de muerte y los castigos ejemplares a irregularidades laborales, que son inadmisibles.
En los últimos ocho años, la ONG Reporter de Brasil viene desarrollando trabajos de prevención mediante la educación y ya ha llegado a 118 municipios donde se han identificado un número significativo de casos de uso de mano de obra esclava. Uno de los mayores desafíos ha sido desnaturalizar el proceso de explotación que está arraigado hace siglos en ciertas regiones del país, donde el “coronelismo” dejó profundas raíces. ¿Cómo es posible que el trabajador se reconozca como víctima de un sistema atroz si una vez más decimos que la única esclavitud existente es la que ata por cadenas? ¿Cómo es posible, entonces, superar su condición indigna si algunos diputados insisten en privarlos de instrumentos jurídicos para esto?
La lucha por garantizar los derechos humanos se da a pasos lentos, pero no por eso dejamos de darla. La aprobación de la PPD en la cámara de diputados es un paso más que hemos ganado para erradicar esta práctica vergonzosa en el país. A esta altura, permitir que se rediscuta el concepto de trabajo esclavo contemporáneo significaría volver al punto de partida y perder lo que logramos a costa del sudor de miles trabajadores. Y ésto no es una opción.
Professores criaram uma comissão para planejar ações e elaborar projeto pedagógico
No dia 17 de setembro ocorreu o primeiro encontro de acompanhamento pedagógico em Pindaré-Mirim, município maranhense localizado a 255 km de São Luís. Os professores que participaram da formação sobre trabalho escravo em 2011 se reuniram para socializar as atividades desenvolvidas nas escolas, debater as dificuldades enfrentadas e receber novos materiais didáticos sobre trabalho escravo.
Engajamento na prevenção ao trabalho escravo foi fortalecido
Algumas escolas narraram experiências positivas na abordagem da...
Professores criaram uma comissão para planejar ações e elaborar projeto pedagógico
No dia 17 de setembro ocorreu o primeiro encontro de acompanhamento pedagógico em Pindaré-Mirim, município maranhense localizado a 255 km de São Luís. Os professores que participaram da formação sobre trabalho escravo em 2011 se reuniram para socializar as atividades desenvolvidas nas escolas, debater as dificuldades enfrentadas e receber novos materiais didáticos sobre trabalho escravo.
Engajamento na prevenção ao trabalho escravo foi fortalecido
Algumas escolas narraram experiências positivas na abordagem da temática. Foi o caso das escolas municipais Joaquim Correa, João Silva, Ediane Silva e José Silvério Cavalcante, onde professores e alunos desenvolveram palestras, seminários, pesquisas no site da ONG Repórter Brasil, redações e uma peça teatral. A maior parte das atividades foram realizadas no ensino fundamental; já as disciplinas de História, Geografia e Matemática foram as mais atuantes.
Além da socialização das experiências escolares, o encontro foi marcado pela reafirmação do engajamento dos professores na prevenção ao trabalho escravo. Nesse sentido, a turma propôs coletivamente a criação de uma comissão municipal de professores para impulsionar as campanhas de prevenção.
A ideia é que esse grupo, formado por professores voluntários de 15 escolas do campo e da cidade, se reúna para debater e elaborar um esboço de projeto pedagógico municipal sobre o trabalho escravo para ser posto em prática no começo do próximo ano. As discussões partirão das escolas e a comissão terá a função de sistematizar as ideias, além de articular com a Secretaria Municipal de Educação a implementação e inserção no calendário escolar de Pindaré-Mirim.
Visita à escola
Nova geração consciente e alerta contra o trabalho es- cravo
Além disso, foi realizada uma visita à Escola Municipal João Silva para uma dinâmica e conversa com alunos que desenvolveram atividades didáticas sobre trabalho escravo. "Foi muito positivo ver como as crianças compreendem facilmente o tema e a sua relevância. De certa forma, já possuem referências cotidianas sobre tudo o que discutimos na formação e trazem isso para a sala de aula. Um aluno, por exemplo, contou que seu tio já tinha passado pela escravidão. Importante que a escola entre em contato com essa realidade e promova uma reflexão critíca", avalia Thiago Casteli, educador do programa Escravo, nem pensar!.
O Escravo, nem pensar! retornará mais duas vezes a Pindaré-Mirim, a cada seis meses, para acompanhar os desdobramentos das ações educativas no município, promover novas atividades pedagógicas e socializar materiais didáticos sobre o tema. Além disso, o programa estará em contato permanente com a comissão de professores, contribuindo com o seu desenvolvimento e subsidiando as ações que serão realizadas nas escolas.
O município e as ações de prevenção
Pindaré-Mirim, como tantos outros municípios maranhenses, assiste com frequência ao aliciamento de trabalhadores. Para se ter uma ideia geral do problema, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, entre 2003 e 2009, 28% dos trabalhadores resgatados da escravidão contemporânea eram naturais do Maranhão, fato que lhe garante a inglória liderança nacional nesse quesito.
No município em questão, em épocas específicas, jovens e adultos são recrutados com promessas de bons salários no trabalho de corte da cana-de-açúcar e na coleta de maçãs no Sul e Sudeste do país. Promessas que nem sempre se confirmam e acabam eventualmente dando margem para o trabalho escravo. As principais características desse crime são as péssimas condições de alojamento, insalubridade generalizada, violência, ameaças, retenção de salário e dívidas ilegais que, no seu conjunto ou isoladamente, anulam a dignidade e a liberdade dos trabalhadores.
As campanhas educativas e informativas contribuem para a multiplicação de informações, alertando a população que esse crime existe e que a porta de entrada costuma ser o aliciamento, forma de contratação ilegal de trabalhadores prevista como crime no artigo 207 do Código Penal.
Por isso, a abordagem do trabalho escravo nas atividades escolares fortalece uma cultura de direitos e contribui para o engajamento contra a violação dos direitos humanos. A partir dos trabalhos nas escolas, alunos e professores refletem sobre a problemática, deixando a questão em evidência na comunidade. Por isso, nos municípios onde o aliciamento é crítico, a informação desempenha um papel de prevenção fundamental.
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O Escravo, nem pensar! retornará mais duas vezes a Pindaré-Mirim, a cada seis meses, para acompanhar os desdobramentos das ações educativas no município, promover novas atividades pedagógicas e socializar materiais didáticos sobre o tema. Além disso, o programa estará em contato permanente com a comissão de professores, contribuindo com o seu desenvolvimento e subsidiando as ações que serão realizadas nas escolas.
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O Escravo, nem pensar! lança o concurso para renovação do seu logotipo. Convidamos designers e agências de publicidade a enviarem suas propostas de trabalho até o dia 30 de novembro de 2012 pelo correio (acesso o link abaixo para mais informações sobre o processo de seleção). O profissional vencedor desenvolverá toda a identidade visual do programa Escravo, nem pensar! a partir do desenho proposto para este concurso. Esse trabalho será remunerado com o pagamento do valor bruto de R$ 6.500,00 (seis mil e quinhentos reais).
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Caro Carlos, a restrição para designers e agências de São Paulo se dá em função da necessidade de, posteriormente, o profissional envolvido participar de reuniões na cidade. Infelizmente, nosso orçamento nos impede de ter gastos com deslocamento do vencedor. Abraço, Equipe do Escravo, nem pensar!
Carlos Koehler Niterói - RJ
postado 20/12/2012
o nome da instituição deveria ser "Repórter São Paulo" considerando-se que apenas Designers e Agências de Comunicação de Sampa podem participar do concurso.
abs Carlos Koehler
Zélia Silva Reis Pacajá - Pa
postado 20/12/2012
A Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Florismar,(técnico pedagógico, professores em fim, comunidade escolar), elaboraram um projeto de leitura enfocando o tema Escravo nem Pensar, onde os alunos com o apóio dos professores desenvolveram textos (poesia, paródia, primeiros livrinhos ilustrados, músicas e dramatização) emvolvendo o tema em destaque. Durante mais ou menos dois meses de produção,os professores fizeram um trabalho de esclarecimento com sobre a escravidão comtenporânea onde a comunidade tomou conhecimento da problemática.
O programa educativo de prevenção ao trabalho escravo dá sequência às suas atividades pedagógicas em 4 municípios do Pará e Piauí
No mês de agosto, a equipe do Escravo, nem pensar! visitou os municípios de Itupiranga, Novo Repartimento e Xinguara, no Pará, e Baixa Grande do Ribeiro, no Piauí. Educadores e educadoras que participaram de formações promovidas pelo programa em 2010 e 2011 nessas localidades puderam trocar suas experiências na prevenção ao trabalho escravo. Além disso, tiveram acesso a novos materiais didáticos para dar continuidade à realização de atividades na sala de aula e junto à comunidade.
O programa educativo de prevenção ao trabalho escravo dá sequência às suas atividades pedagógicas em 4 municípios do Pará e Piauí
No mês de agosto, a equipe do Escravo, nem pensar! visitou os municípios de Itupiranga, Novo Repartimento e Xinguara, no Pará, e Baixa Grande do Ribeiro, no Piauí. Educadores e educadoras que participaram de formações promovidas pelo programa em 2010 e 2011 nessas localidades puderam trocar suas experiências na prevenção ao trabalho escravo. Além disso, tiveram acesso a novos materiais didáticos para dar continuidade à realização de atividades na sala de aula e junto à comunidade.
Após a formação sobre trabalho escravo e direitos humanos são realizados três novos encontros, num intervalo de seis meses, em cada município com o objetivo de acompanhar e apoiar as atividades realizadas pelos participantes.
A “Lista Suja do Trabalho Escravo” de agosto de 2012, do Ministério do Trabalho e Emprego, apresenta empregadores que utilizaram mão de obra escrava em três desses municípios: Novo Repartimento tem 4 registros por conta da libertação de 77 trabalhadores em fazendas de gado; Itupiranga possui 2 registros, totalizando 11 trabalhadores resgatados na pecuária e Baixa Grande do Ribeiro, por sua vez, tem um registro por conta da libertação de 6 trabalhadores no cultivo da soja.
Pará
A coordenadora do escritório de Araguaína (TO), Carolina Motoki, iniciou a viagem por Xinguara, localizado no sul do estado. Este foi o segundo encontro após a formação que aconteceu em 2010. Nele, educadores e educadoras de 10 escolas disseram que têm abordado o tema do trabalho escravo na sala de aula, sempre relacionando a outros conteúdos das disciplinas, como a escravidão ao longo da história, os processos migratórios e os discursos sociais a respeito do trabalho.
Professoras de Xinguara (PA) em novo encontro pedagó- gico
No encontro, também foi realizada uma atividade sobre os impactos sociais e ambientais da pecuária em suas diversas etapas de produção, desde o desmatamento para abertura de pastagens até a venda da carne no mercado interno e para exportação. A pecuária é a atividade econômica mais importante do município e, assim, os participantes já conheciam as condições de trabalho enfrentadas em cada uma das etapas produtivas. Após o encontro, a equipe visitou a Escola Municipal Professora Clementina Natal, onde um projeto que abordará o trabalho escravo está programado para este semestre.
Conversa com alunos de Novo Repartimento (PA)
Depois de Xinguara, seguindo pela antiga rodovia PA-150, a equipe pegou a rodovia Transamazônica para chegar a Novo Repartimento. Foi a primeira visita após a formação, que aconteceu no ano passado. No encontro, educadores e educadoras participaram do “Jogo das verdades e mentiras sobre trabalho escravo”, um quiz em que a turma, dividida em dois grupos, retomou e refletiu alguns dados e conceitos sobre o trabalho. Além disso, compartilharam a realização de projetos sobre trabalho escravo, como o "Multiplicadores em Ação". Por meio dele, cinco escolas do bairro Vila Tucuruí trabalharam o tema com seus alunos e alunas, com produção de textos, cartazes, desenhos e realização de jogos e gincanas.
Após o encontro, a equipe conversou com alunos e alunas do 9º ano da Escola Municipal Vale do Sol, que, ao longo deste ano, assumiram o compromisso de debater o trabalho escravo e se tornarem agentes de prevenção ao problema.
Por fim, a equipe visitou Itupiranga. Foi o último encontro de acompanhamento neste município, que participou da formação em 2010. Professores e professoras expressaram o compromisso em dar continuidade à abordagem da temática, apesar de muitas vezes apresentarem como limites as demandas institucionais das escolas e da secretaria de educação.
Professores refletem sobre uma Itupiranga (PA) melhor
Em um momento de avaliação, os participantes, em grupo, responderam a seguinte pergunta: Que Itupiranga queremos? Por meio das respostas, expressaram seus desejos e utopias, para fortalecerem a vontade de dar continuidade às ações de prevenção ao trabalho escravo no município.
No Pará, as atividades contaram com a importante presença das equipes da Comissão Pastoral da Terra de Xinguara, Marabá e Tucuruí, parceiras constantes do programa e que têm apoiado as ações dos participantes.
Piauí
Simultaneamente às visitas em terras amazônicas, o educador Thiago Casteli retornou ao município de Baixa Grande do Ribeiro, localizado na região sudoeste do Piauí, para a realização da segunda oficina pedagógica de acompanhamento. Em 2010, a formação a respeito de trabalho escravo e direitos humanos envolveu 50 participantes, entre professores do campo e da cidade e lideranças sociais. A experiência foi empolgante e muito produtiva, e rendeu resultados divulgados pelos professores já no primeiro encontro de acompanhamento, ocorrido em julho de 2011.
Turma de Baixa Grande do Ribeiro (PI) reunida
Nessa nova etapa, foram reunidos professores de 6 escolas, representantes da Secretaria Municipal de Educação e da Secretaria Municipal de Assistência Social. Praticamente todas desenvolveram projetos pedagógicos ou abordagens em sala de aula a respeito do trabalho escravo. O trabalho infantil, outro tema preocupante no município, também foi posto em pauta nas atividades. Os participantes compartilharam imagens, produções didáticas e as impressões positivas a respeito das experiências, ressaltando o envolvimento e a compreensão dos alunos. Algumas das atividades contaram com a participação de pais e membros da comunidade.
Além disso, foi realizada uma oficina temática com os novos materiais didáticos elaborados pelo programa e um diálogo a respeito das dificuldades enfrentadas pelos professores para incorporar as campanhas de prevenção no cotidiano das escolas em que atuam.
"Um destaque importante foi o interesse de professores que originalmente não participaram da formação, mas a partir dessa atividade se engajaram na rede de participantes", afirmou Thiago.
Alunos da Escola Municipal Benilde Macedo apresentaram peça teatral na visita do programa
Na conclusão deste encontro, estudantes da Escola Municipal Benilde Macedo apresentaram uma peça teatral sobre as condições desumanas a que são submetidos os trabalhadores escravizados em fazendas do país, demonstrando conhecimento sobre o tema e criatividade na dramatização.
***
Fique ligado: o Escravo, nem pensar! cairá na estrada para novos encontros de acompanhamento pedagógico em municípios do Maranhão, Piauí, Mato Grosso e Pará. No dia 17 de setembro será a vez dos professores de Pindaré-Mirim (MA) se reunirem. Em breve, compartilharemos as notícias.
Encontro reuniu instituições e sociedade civil que atuam no combate e na prevenção ao trabalho escravo
Nos dias 23 e 24 de agosto, a ONG Repórter Brasil, representada pelo programa Escravo, nem pensar, participou da reunião do Grupo de Articulação e Enfrentamento ao Trabalho Escravo (Gaete) Interestadual do Pará e Piauí, em Teresina (PI).
O encontro contou com a presença da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Piauí, do Tribunal Regional do Trabalho 16ª região em São Luís (MA) e o Tribunal Regional do Trabalho 22ª região em Teresina (PI). Outras organizações da sociedade civil também estiveram presentes...
Encontro reuniu instituições e sociedade civil que atuam no combate e na prevenção ao trabalho escravo
Nos dias 23 e 24 de agosto, a ONG Repórter Brasil, representada pelo programa Escravo, nem pensar, participou da reunião do Grupo de Articulação e Enfrentamento ao Trabalho Escravo (Gaete) Interestadual do Pará e Piauí, em Teresina (PI).
O objetivo do evento foi a troca de experiências e a organização de iniciativas coordernadas dedicadas ao combate do trabalho escravo por parte das instituições presentes.
A ideia da formação do Grupo de Articulação e Enfrentamento ao Trabalho Escravo é composto por Justiça do Trabalho, Ministério Público do Trabalho, Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, além de entidades da sociedade civil, como a Comissão Pastoral da Terra e a ONG Repórter Brasil. Ele nasceu em um seminário realizado em 2010 em Marabá (PA) como forma de articular as diversas entidades que atuam na repressão e prevenção ao trabalho escravo.
O grupo apresentou avanços e resultados importantes no Pará, o que inspirou a criação da mesma iniciativa em outros estados, como Maranhão e Piauí. Tendo em vista que o trabalho escravo é um crime que extrapola limites estaduais, a mobilização ampliada representa uma ação importante para o seu combate.
Programa desenvolve conteúdo educacional para gestores municipais de educação do Pará
No mês de agosto, o programa Escravo, nem pensar! realizou a primeira etapa do projeto de desenvolvimento de metodologia para gestores da educação de 17 municípios paraenses sobre o tema do trabalho escravo. A iniciativa é apoiada pelo Grupo de Articulação Interinstitucional para o Enfrentamento ao Trabalho Escravo no Sul e Sudeste Paraense (Gaete).
Nessa primeira etapa, o programa realizou entrevistas com as secretarias municipais de Educação de Eldorado dos Carajás e de Marabá a respeito do processo de formação continuada dos...
Programa desenvolve conteúdo educacional para gestores municipais de educação do Pará
No mês de agosto, o programa Escravo, nem pensar! realizou a primeira etapa do projeto de desenvolvimento de metodologia para gestores da educação de 17 municípios paraenses sobre o tema do trabalho escravo. A iniciativa é apoiada pelo Grupo de Articulação Interinstitucional para o Enfrentamento ao Trabalho Escravo no Sul e Sudeste Paraense (Gaete).
Nessa primeira etapa, o programa realizou entrevistas com as secretarias municipais de Educação de Eldorado dos Carajás e de Marabá a respeito do processo de formação continuada dos educadores. As informações coletadas servirão para o programa desenvolver uma metodologia de formação de gestores dessas secretarias sobre o trabalho escravo. O objetivo é incentivar a inserção desse tema nos conteúdos programáticos das escolas por meio da sua abordagem na formação continuada dos professores.
“As entrevistas tiveram como objetivo compreender a estrutura e a organização da formação continuada de professores em cada município: o conteúdo e a metodologia trabalhados, a organização e a preparação dos responsávei pelas formações e os suportes didáticos utilizados. Além disso, também foi importante acessar as propostas curriculares municipais e os livros didáticos para analisar se o trabalho escravo e outros temas relacionados a direitos humanos e à realidade do campo são abordados, e de que forma isso tem sido feito”, afirma a coordenadora do escritório de Araguaína (TO), Carolina Motoki.
Apesar de o trabalho escravo ser uma realidade em muitas comunidades do sudeste paraense, não é sempre que a reflexão sobre esse problema faz parte do cotidiano escolar. Um das razões disso é o fato de ele não estar inserido nas propostas curriculares das secretarias de Educação. “O Escravo, nem pensar! recomenda que as secretarias assumam esse compromisso e acredita que esse projeto poderá incentivar essa iniciativa por parte dos gestores e dos educadores”, observa Carolina.
Município é o 48° a participar da formação de educadores e lideranças populares do programa "Escravo, nem pensar!"
A formação, que ocorreu entre os dias 6 e 10 de agosto, foi um importante momento de reflexão sobre o papel da educação na prevenção ao trabalho escravo. O público do encontro foi composto por 44 pessoas, entre professores, gestores da educação da rede pública de ensino e lideranças locais. Contamos com o apoio do Grupo de Articulação e Enfrentamento ao Trabalho Escravo no Pará (Gaete-PA) e com a parceria da Comissão Pastoral da Terra de Tucuruí.
Município é o 48° a participar da formação de educadores e lideranças populares do programa "Escravo, nem pensar!"
A formação, que ocorreu entre os dias 6 e 10 de agosto, foi um importante momento de reflexão sobre o papel da educação na prevenção ao trabalho escravo. O público do encontro foi composto por 44 pessoas, entre professores, gestores da educação da rede pública de ensino e lideranças locais. Contamos com o apoio do Grupo de Articulação e Enfrentamento ao Trabalho Escravo no Pará (Gaete-PA) e com a parceria da Comissão Pastoral da Terra de Tucuruí.
A realidade local foi objeto de reflexão nas atividades
Durante as atividades, houve interesse dos participantes pela definição do conceito de trabalho escravo e pela compreensão de como esse problema afeta a região da Transamazônica, onde Pacajá está situada. Discussões sobre questões relacionadas a trabalho, aliciamento de trabalhadores, questão agrária e fronteira agrícola foram suscitadas a partir de elementos da realidade local. Pacajá é o sétimo município em número de libertações, de acordo com o ranking organizado pela Comissão Pastoral da Terra, com 47 casos de trabalho escravo e 661 trabalhadores libertados desde 2000. Além disso, possui um histórico de conflitos no campo, como o caso do assassinato de 13 trabalhadores no Assentamento Rio Tucuruí em setembro de 2010.
Professores e professoras elaboraram planos de ação para o desenvolvimento de atividades nas escolas que abordarão o conteúdo discutido durante a formação. A ideia é que essas atividades mobilizem não apenas a comunidade escolar, mas também outros membros da comunidade, para a prevenção ao trabalho escravo contemporâneo. Um dos planos de ação, elaborados por três escolas, prevê a abordagem interdisciplinar da temática e a veiculação do conhecimento produzido por professores e alunos na rádio comunitária da cidade.
Professores elaboram apresentação cultural para o encerra- mento
Os participantes da formação afirmaram que Pacajá, apesar do histórico de conflitos, é também lugar de construção de outras formas de produzir e viver. Eles mencionaram a existência de uma carvoaria certificada e da agricultura familiar, além do próprio trabalho dos professores na construção de uma cultura de direitos junto aos alunos.
"A partir das discussões e dinâmicas da formação, os participantes desenvolveram um novo olhar sobre a realidade local. O empenho na elaboração dos planos de ação, assim como na preparação e apresentação das atividades culturais, revelou a conscientização a respeito da educação como instrumento para a prevenção ao trabalho escravo", avalia Thaís Favoretto, educadora do programa.
No final deste ano, o programa “Escravo, nem pensar!” se reunirá com os professores que participaram dessa formação para acompanhar as atividades desenvolvidas no município. Para saber mais sobre a formação em Pacajá, clique aqui.
Entre os dias 6 e 10 de agosto, a equipe de educadores do programa “Escravo, nem pensar!” estará no município de Pacajá, no sudoeste do Pará, realizando uma formação com professores e lideranças populares. A formação contará com a presença de cinquenta participantes. Temas como trabalho escravo contemporâneo e tráfico de pessoas serão abordados a partir da realidade local.
Segundo dados da CPT, desde 2000, o município já teve 47 casos e 661 trabalhadores libertados. Existem diversos assentamentos na região, marcada pelo histórico de conflitos agrários. Questão agrária, meio ambiente, grandes projetos - como o de Belo...
Entre os dias 6 e 10 de agosto, a equipe de educadores do programa “Escravo, nem pensar!” estará no município de Pacajá, no sudoeste do Pará, realizando uma formação com professores e lideranças populares. A formação contará com a presença de cinquenta participantes. Temas como trabalho escravo contemporâneo e tráfico de pessoas serão abordados a partir da realidade local.
Segundo dados da CPT, desde 2000, o município já teve 47 casos e 661 trabalhadores libertados. Existem diversos assentamentos na região, marcada pelo histórico de conflitos agrários. Questão agrária, meio ambiente, grandes projetos - como o de Belo Monte - e migração, podem ser os pontos fortes da formação. O objetivo desta é tornar cada participante um multiplicador, que passe adiante as informações necessárias para prevenir e combater as violações dos direitos humanos.
As iniciativas partem de escolas, dioceses e organizações da sociedade civil e irão abordar o tema de forma criativa e variada
O programa “Escravo, nem pensar!” aprovou 15 projetos comunitários de prevenção ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo. Eles receberão financiamento de até R$ 1.200 do Fundo de apoio a projetos do “Escravo, nempensar!” para desenvolverem suas atividades. Os projetos foram propostos por escolas, dioceses e organizações da sociedade civil dos estados de Ceará, Goiás, Mato Grosso, Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.
Serão discutidos assuntos que se relacionam ao tráfico de pessoas e ao...
As iniciativas partem de escolas, dioceses e organizações da sociedade civil e irão abordar o tema de forma criativa e variada
O programa “Escravo, nem pensar!” aprovou 15 projetos comunitários de prevenção ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo. Eles receberão financiamento de até R$ 1.200 do Fundo de apoio a projetos do “Escravo, nempensar!” para desenvolverem suas atividades. Os projetos foram propostos por escolas, dioceses e organizações da sociedade civil dos estados de Ceará, Goiás, Mato Grosso, Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.
Serão discutidos assuntos que se relacionam ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo, como aliciamento, migração, direitos trabalhistas, meio ambiente, exploração sexual, agricultura familiar, entre outros. Os participantes constituem um público bem diverso: alunos de ensino infantil, fundamental e médio, de Educação de Jovens e Adultos e de Escolas Família Agrícola (EFAs); professores; famílias de trabalhadores e grupos pastorais. Eles produzirão programas de rádio, cartazes, poemas, peças de teatro, músicas, danças e desenhos. Também participarão de oficinas, apresentações, debates e palestras relacionados aos temas. Alguns projetos preveem o plantio de hortas comunitárias.
Municípios onde os projetos serão desenvolvidos
Confira abaixo os projetos aprovados:
Projeto: “Historiar a escravidão, grafitar a liberdade”
Proponente: Centro de Ensino Mary Dalva Castro Rocha
Açailândia - MA
Projeto: “Comunicação comunitária contra o tráfico de pessoas para o trabalho escravo”
Proponente: Rádio Arca FM
Açailândia - MA
Projeto: “Trabalho, prazer, respeito e dignidade enobrecem o ser humano”
Proponente: Escola Estadual Santo Antônio (Assentamento Santo Antônio)
Confresa – MT
Projeto: “Ações de combate ao trabalho escravo. Conhecer para combater”
Proponente: Centro de Estudos Supletivo Professor Antônio Vieira da Silva
Rio Maria – PA
Projeto: “Desafios na perspectiva de “educar para não escravizar””
Proponente: Secretaria Municipal de Educação e Cultura
Rio Maria – PA
Projeto: “Educar para não escravizar”
Proponente: Programa Brasil Alfabetizado
Rio Maria – PA
Projeto: “Ocupando o campo do saber para erradicar o trabalho escravo”
Proponente: Escola Municipal de Ensino Fundamental Dom José Gomes (Acampamento João Canuto)
Sapucaia – PA
Projeto: “Morro de sonhos e esperança“
Proponente: Diocese de Bom Jesus do Gurgueia
Morro Cabeça no Tempo – PI
Projeto: “VIVER : Vida Integrada Vencendo a Escravidão Reinventada”
Proponente: Diocese de Oeiras
Oeiras, São João da Varjota, Cajazeiras e Santo Inácio – PI
Projeto: “Gerar renda é gerar vida. Com o plantio de hortas”
Proponente: Associação da comunidade São Luis – ACOSAL
Barras – PI
Projeto: “A arte na prevenção ao trabalho escravo”
Proponente: Associação do Assentamento Nova Conquista
Monsenhor Gil – PI
Projeto: “Vidas em liberdade”
Proponente: Associação de Mulheres do Setor Tiúba
Araguaína – TO
Projeto: “Projeto Lindô: um resgate cultural”
Proponente: Grupo “Jovens em Resgate” da Igreja Nossa Senhora das Graças
Muricilândia – TO
Projeto: “Ações preventivas às práticas de superexploração do trabalho e tráfico de trabalhadores rurais no Município de Itatira – Ceará”
Proponente: Comissão Pastoral da Terra
Itatira – CE
“Já chega de escravo, todos ganham quando somos livres”
Proponente: Comissão Pastoral da Terra
Goiânia – GO
Clique aqui para ver projetos desenvolvidos em outros anos.
Parabens a Todos e Todas!é uma grande alegria que o tema seja sucessivamente difundido todos os anos nas escolas, multiplicando as informaçoes, sensibilizando pessoas. MT irá enviar projetos no ano que vem. Abraços do Araguaia
Realizada entre 2006 e 2007, a pesquisa, baseada em entrevistas qualitativas, ouviu 121 trabalhadores em 10 fazendas dos Estados do Pará, do Mato Grosso, da...
Realizada entre 2006 e 2007, a pesquisa, baseada em entrevistas qualitativas, ouviu 121 trabalhadores em 10 fazendas dos Estados do Pará, do Mato Grosso, da Bahia e de Goiás. “Praticamente todos os entrevistados na pesquisa de campo (92,6%) iniciaram sua vida profissional antes dos 16 anos. A idade média em que começaram a trabalhar é de 11,4 anos, sendo que aproximadamente 40% iniciaram antes desta idade”, revela o texto divulgado pela OIT. Em 69% dos casos, o trabalho infantil era realizado em âmbito familiar. Dos que já trabalhavam para um empregador, 10% o fazia junto com a família, enquanto 20% trabalhava diretamente para um patrão. Entre os que começaram a trabalhar com menos de 11 anos, 17% eram empregados fora de casa.
Além dos trabalhadores, a pesquisa também entrevistou os chamados “gatos”, aliciadores que atuam em comunidades vulneráveis. “Com exceção de um caso, os gatos entrevistados, da mesma forma que a maioria dos trabalhadores resgatados, foram vítimas do trabalho infantil. Apenas um deles começou a trabalhar aos 16 anos”, revela a pesquisa.
Para Natália Suzuki, coordenadora do Escravo, Nem Pensar!, projeto da Repórter Brasil, a relação entre trabalho infantil e trabalho escravo tem como pano de fundo, em primeiro lugar, a vulnerabilidade socioeconômica das crianças e adolescentes e de suas famílias. “A questão socioeconômica é preponderante para que esse tipo de situação acabe se formando. A família não tem condições de dar segurança econômica e social para a criança, que acaba também indo para a frente de trabalho”, disse.
Além disso, Natália aponta uma relação de “naturalização da exploração”, que leva a pessoa submetida ao trabalho infantil a tornar-se mais vulnerável à situação de trabalho escravo contemporâneo. “A pessoa vai crescendo sempre envolvida em uma situação de trabalho em que há uma relação de exploração. As experiências de vida desse trabalhador, desde muito cedo, são em torno dessa exploração. Então, a pessoa vai – e o termo é justamente esse – se acostumando com essa condição. Você ouve muitos relatos dos trabalhadores como ‘eu trabalho desde os meus onze anos no corte de cana’, ‘eu trabalho desde os meus onze anos em carvoaria’. A pessoa cresce e as experiências de exploração vão acompanhando o desenvolvimento dela. Ela naturaliza essa situação de exploração. E, assim, ela aceita desde ganhar pouco até não ganhar nada e não gozar de direitos”, explicou.
Outro fator de vulnerabilidade ao trabalho infantil e ao trabalho escravo é a educação e o acesso à informação. “A escola, a comunidade escolar, também tem um papel muito importante na difusão de direitos. Sem a educação formal ou mesmo informal, a pessoa tem tolhida a percepção de que tem direitos, de que não pode ser explorada, de que ela tem a lei do lado dela enquanto trabalhadora”, disse Natália. Segundo ela, a educação tem o papel de formar tecnicamente o trabalhador – e, principalmente, de formá-lo a partir de uma perspectiva de cidadania –, de difundir informações sobre direitos e de fazer com que as pessoas saiam da condição de naturalização da exploração.
De acordo com Natália, por esse motivo a atuação do Escravo, Nem Pensar! é voltada para a prevenção do trabalho escravo por meio da educação, com ações para educadores da rede pública, tanto estadual como municipal, e para lideranças comunitárias. “Isso porque tanto as lideranças quanto os educadores têm um potencial multiplicador muito grande. Se um professor tem uma classe de 50 alunos, esses 50 alunos, por sua vez, vão ser também multiplicadores, vão levar informações para os pais, para as famílias, para os vizinhos”, explicou.
Ela conta o caso de uma aluna que atuou como multiplicadora. “A aluna teve contato com uma professora que participou das nossas formações e falou: ‘nossa professora, mas meu pai está indo trabalhar em outro Estado, pode ser um caso de trabalho escravo?’ O pai foi até a escola falar com a professora, contou que a filha o havia alertado, mas que o trabalho estava todo correto. Ele havia perguntado sobre o lugar e a carteira de trabalho estava ok. Isso foi um caso em que o familiar estava bem informado, mas poderia não ser, e a aluna teria evitado que o pai tivesse caído em uma situação de aliciamento”, contou Natália.
As ações do Escravo, Nem Pensar! pretendem fazer com que as informações e o conhecimento dos direitos possam levar à desnaturalização de uma situação existente há muitas décadas ou mesmo séculos. “A ideia é que o tema caia na boca do povo, deixe de ser um tabu e que a própria comunidade possa, de forma autônoma, se mobilizar e se colocar contra isso. Uma comunidade informada, que conhece seus direitos, que sabe que tipo de trabalho pode realizar, conhece os direitos que ela deve e pode gozar. Essa é uma comunidade que não aceita facilmente esse tipo de exploração”, completou Natália.
O boletim enviado aos educadores e lideranças sociais ligados ao programa "Escravo, nem pensar!" está de cara nova. O novo formato do boletim é mais dinâmico e atraente. As notícias agora vêm acompanhadas de fotos, imagens e depoimentos, facilitando a leitura e reunido as informações com mais leveza. Clique aqui e veja o boletim.
Originalmente enviado apenas aos agentes especiais - pessoas responsáveis por trocar informações com a Repórter Brasil, ajudando a multiplicar informações em seus municípios - o boletim agora alcança um número muito maior de integrantes da rede do programa, que está distribuída em mais de 100...
O boletim enviado aos educadores e lideranças sociais ligados ao programa "Escravo, nem pensar!" está de cara nova. O novo formato do boletim é mais dinâmico e atraente. As notícias agora vêm acompanhadas de fotos, imagens e depoimentos, facilitando a leitura e reunido as informações com mais leveza. Clique aqui e veja o boletim.
Originalmente enviado apenas aos agentes especiais - pessoas responsáveis por trocar informações com a Repórter Brasil, ajudando a multiplicar informações em seus municípios - o boletim agora alcança um número muito maior de integrantes da rede do programa, que está distribuída em mais de 100 municípios brasileiros.
Por meio do boletim os membros da rede ficam por dentro das novas ações do "Escravo, nem pensar!", conhecem novos materiais didáticos e têm contato com os acontecimentos recentes sobre o combate ao trabalho escravo e outros temas ligados aos direitos humanos.
Não deixe de conferir o informativo. Caso queria integrar a rede de contatos do programa e receber o boletim, envie um email para escravonempensar@reporterbrasil.org.br
Nova atividade didática inaugura a série que traz propostas de uso dos conteúdos da ONG Repórter Brasil no cotidiano escolar
Está fresquinha na seção "Materiais" uma nova proposta de atividade sobre alguns dos temas abordados pelo programa “Escravo, nem pensar!”. A atividade é a primeira da série Repórter Brasil na sala de aula, que traz ideias de como aproveitar o conteúdo produzido pela ONG Repórter Brasil para provocar debates e reflexões sobre a realidade agrária brasileira na escola.
Nesta edição, a sequência didática parte de um site produzido pela Agência de Notíciasda Repórter...
Nova atividade didática inaugura a série que traz propostas de uso dos conteúdos da ONG Repórter Brasil no cotidiano escolar
Está fresquinha na seção "Materiais" uma nova proposta de atividade sobre alguns dos temas abordados pelo programa “Escravo, nem pensar!”. A atividade é a primeira da série Repórter Brasil na sala de aula, que traz ideias de como aproveitar o conteúdo produzido pela ONG Repórter Brasil para provocar debates e reflexões sobre a realidade agrária brasileira na escola.
Nesta edição, a sequência didática parte de um site produzido pela Agência de Notíciasda Repórter Brasil e lançado neste ano, chamado Mapa Social. Além de bastante informação sobre trabalho escravo, as reportagens trazem elementos para discutir agricultura familiar, monocultivo, concentração fundiária, grandes empreendimentos, entre outros temas, sempre relacionando esses temas à realidade de quem utilizará essa proposta. Você pode acessá-la clicando aqui.
A proposta envolve a construção de um diagnóstico sobre o município, pesquisa e análise dos textos do Mapa Social, para estabelecer relações e conexões entre o que é apresentado nas reportagens e aspectos locais.
Mais uma vez, ressaltamos que a atividade não é um modelo pronto e fechado. Pelo contrário, deve ser mudada de acordo com a meta e a realidade das pessoas que trabalharão com ela.
O país é considerado modelo no combate. Dificuldade na fiscalização e punição branda ainda são entraves. Votação de emenda constitucional contra trabalho escravo vem se arrastando há dez anos.
Apesar de ser considerado uma referência global quando se trata de combate ao trabalho escravo, o Brasil ainda precisa corrigir diversas falhas para acabar com a prática nos campos, nas indústrias e nas ruas das grandes cidades. Por falta de pessoal, praticamente metade das quase 600 denúncias recebidas...
O país é considerado modelo no combate. Dificuldade na fiscalização e punição branda ainda são entraves. Votação de emenda constitucional contra trabalho escravo vem se arrastando há dez anos.
Apesar de ser considerado uma referência global quando se trata de combate ao trabalho escravo, o Brasil ainda precisa corrigir diversas falhas para acabar com a prática nos campos, nas indústrias e nas ruas das grandes cidades. Por falta de pessoal, praticamente metade das quase 600 denúncias recebidas anualmente pelos órgãos competentes ainda não chegam a ser apuradas. A punição é branda. A reincidência dos autores destes crimes é uma constante.
Uma das armas para reverter este quadro nas áreas rurais é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 57A/1999, que tramita no Senado após aprovação na Câmara dos Deputados, no fim do mês passado. O texto da chamada PEC do Trabalho Escravo prevê o confisco de propriedades onde forem flagradas condições de desrespeito aos direitos humanos, seja submetendo a mão de obra a trabalhos forçados e jornadas exaustivas, seja oferecendo condições degradantes de trabalho.
A expectativa é de que a proposta seja votada nos próximos meses. A votação vem sendo arrastada há mais de dez anos, principalmente por pressão da bancada ruralista.
Punição mais dura
Uma punição mais dura é justamente uma das maiores cobranças da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre o governo brasileiro. "O senso de impunidade faz valer a pena o risco de ser flagrado", ressalta Luiz Machado, coordenador do Projeto de Combate ao Trabalho Escravo no escritório da OIT no Brasil.
A entidade reconhece os esforços do país para combater a exploração de mão de obra, mas afirma que ainda é preciso avançar. Desde 1995, quando admitiu a existência de trabalho escravo em seu território, até hoje, o governo já resgatou 42 mil pessoas em situação de exploração laboral – quase todas no meio rural.
"Como esse é um crime invisível, isso demonstra que podemos estar vendo aí só a ponta do iceberg. Quantos outros milhares de trabalhadores estão submetidos a estas condições e não são resgatados?", questiona Machado.
Ele ressalta que, apesar de o Artigo 149 do Código Penal determinar como pena a prisão, de 2 a 8 anos, dos responsáveis por "reduzir alguém à condição análoga à de escravo", até hoje nunca houve uma condenação à detenção. Como a pena é baixa, muitas vezes ela é convertida para penas alternativas, avalia Machado.
Em outros casos, pela demora da definição da competência jurídica, os processos acabam prescrevendo. Há ainda os processos em que faltam os chamados "elementos probatórios" que corroborem a denúncia do Ministério Público. Sem conseguir convocar testemunhas, que se recusam a depor por medo, por exemplo, o processo acaba sendo arquivado.
Especialistas destacam ainda que relações criminosas entre os grandes empresários, os que mais infringem os direitos trabalhistas, e autoridades, especialmente nos pequenos municípios, também dificultam a aplicação da lei.
Coibir o aliciamento
A ONG Repórter Brasil, que acompanha as ações de combate ao trabalho escravo no Brasil, também defende que a aprovação da PEC do trabalho Escravo é fundamental para que o país não "dê vários passos para trás em suas conquistas", como ressalta a coordenadora do projeto Escravo, nem Pensarda ONG, Natália Suzuki.
"A impunidade é uma das piores lacunas e um dos maiores desafios para o combate ao trabalho escravo no Brasil. E tem um efeito muito ruim que é a reincidência do criminoso. A pessoa não tem constrangimento nenhum em cometer o crime novamente. O fato de a Lista Suja ter vários empregadores reincidentes é sintomático disso", acredita Natália, citando o cadastro de empregadores flagrados explorando trabalhadores. A lista conta com quase 300 nomes, incluindo empresários de ramos diversos e famílias de alto poder aquisitivo.
No entanto, a ONG concentra o foco no que chama de frente de prevenção ao crime. Segundo a ativista, o objetivo é conscientizar comunidades mais vulneráveis a aliciamentos. Muitas vezes a ação dos "gatos", como são apelidados os aliciadores, acontece há tanto tempo que os moradores desses municípios sequer têm consciência de esta ser uma ação criminosa.
"Agimos com a autonomia das pessoas. Falta perceber que este tipo de aliciamento não é natural. Como essas relações de exploração sempre estiveram colocadas nessas comunidades, isso acaba sendo natural, introjetado na realidade do lugar", explica Natália, relatando que as ações são feitas em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos. "Nossa função é tentar desmitificar isso, desconstruir essa visão de que isso é natural, disponibilizar instrumentos para que essas pessoas possam se mobilizar e resistir".
Escravidão Urbana
Segundo o último relatório divulgado pela OIT, calcula-se que 20,9 milhões de pessoas no mundo são vítimas de trabalho forçado. Não há estimativas seguras sobre quantas pessoas ainda estariam submetidas a trabalho escravo no Brasil. Em média, cerca de 3 mil pessoas são libertadas no país todos os anos.
A maioria dos dados, no entanto, refere-se à exploração cometida na área rural. Segundo levantamentos, as principais atividades que empregam pessoas em regime de escravidão são a pecuária, plantações de soja, de cana-de-açúcar e carvoarias no sul do Pará, norte do Tocantins e norte do Mato Grosso. Recente estudo realizado pelas ONGs Repórter Brasil e WWF revelam, por exemplo, que a produção de ferro-gusa e aço no Brasil estão intimamente ligadas à devastação ambiental e ao trabalho escravo.
No entanto, vem crescendo o número de flagrantes nas grandes cidades. Grande parte dos explorados é de estrangeiros em situação ilegal no Brasil, o que faz com que sejam ainda mais vulneráveis, que trabalham sob condições precárias e vivendo em locais insalubres, privados da liberdade. A área onde eles mais estão concentrados é o setor têxtil.
"O trabalho escravo urbano ainda é algo muito novo para a gente. As denúncias vêm de muito pouco tempo, agora que o Estado começa a dar respostas", afirma José Guerra, coordenador-geral da Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae). Ele ressalta que a prática do trabalho escravo envolvendo estrangeiros – bolivianos, em sua maioria – está atrelado a outro crime: o tráfico de pessoas.
Guerra admite que o número de auditores fiscais do trabalho, cerca de três mil, ainda é pouco para cobrir as denúncias em todo o território brasileiro. Mas ele defende que o governo vem tentando cobrir este lacuna abrindo concursos públicos para aumentar o número de agentes
A OIT considera ainda como formas contemporâneas de escravidão a exploração sexual comercial e a servidão doméstica, além de qualquer outra situação de exploração no trabalho que envolva cerceamento de liberdade.
Autora: Mariana Santos Revisão: Carlos Albuquerque
Dados recentes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) estimam que 42 mil pessoas foram libertadas de condições análogas à escravidão de 1995 a 2010. Denúncias na imprensa expõem condições degradantes das quais trabalhadores são libertados – como em ambientes precários, sujos, com jornadas exaustivas, salários irrisórios e coerção física e mental por meio da violência –, tanto no campo, onde a prática era mais realizada, quanto nos centros urbanos, onde tem crescido principalmente...
Dados recentes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) estimam que 42 mil pessoas foram libertadas de condições análogas à escravidão de 1995 a 2010. Denúncias na imprensa expõem condições degradantes das quais trabalhadores são libertados – como em ambientes precários, sujos, com jornadas exaustivas, salários irrisórios e coerção física e mental por meio da violência –, tanto no campo, onde a prática era mais realizada, quanto nos centros urbanos, onde tem crescido principalmente na forma de oficinas clandestinas da indústria têxtil.
O sociólogo e professor emérito da Faculdade de Filosofia, José de Souza Martins, afirma que o Brasil vive o período de uma terceira escravidão, por dívida, também chamado de peonagem, e o da sobreexploração do trabalho. Em depoimento perante a CPI do Trabalho Escravo, no dia 18 de abril deste ano, o professor relata que mesmo com relações de trabalho que se dão de forma contratual, livre e igualitária, as bases econômicas atuais remetem, histórica e estruturalmente, àquelas em que a escravidão vigorava, de acumulação primitiva de capital e concentração de terras. Para Martins, “a opção fundiária brasileira criou as omissões legais que deram oportunidade ao surgimento de novas formas de servidão nos interstícios do trabalho livre”.
Com a expansão das fronteiras agrícolas baseadas em incentivos fiscais, principalmente nos anos 1970 e 1980, este terceiro tipo de escravidão, exposta por Martins, tomou força. De acordo com dados do programa “Escravo Nem Pensar” da ONG Repórter Brasil, que atua na área de combate ao trabalho escravo, as principais atividades em que ele ocorre são: pecuária, produção de carvão, cultivos de cana-de-açúcar, de soja e de algodão.
Na cidade e no campo
Segundo a procuradora-chefe substituta do Ministério Público do Trabalho (MPT), Sandra Lia Simón, o trabalho escravo urbano se dá normalmente em pequenas oficinas da indústria têxtil, que empregam normalmente bolivianos arregimentados já em seu país, e vivem em “condições degradante de trabalho”.
A procuradora explica que quando o MPT recebe uma denúncia, é acionada uma rede de atuação. “Normalmente esta denúncia vem ou do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE), de alguma ONG ou instituição da sociedade organizada, e assim que nós a recebemos fazemos uma visita in loco”.
Em junho de 2011, uma destas operações flagrou condições análogas à escravidão em duas oficinas na capital paulista que fabricavam peças para a marca a Zara. Foram libertadas 15 pessoas, em sua maioria estrangeiros. Segundo reportagem da Repórter Brasil de agosto de 2011, os trabalhadores encontrados enfrentavam jornadas de até 16 horas por dia, cerceamento de liberdade, necessidade de autorização do empregador para deixar o local, trabalho infantil e ambiente precário e inseguro. Todas são características que enquadram esta prática como crime, de acordo com o artigo 149 do código penal.
Sandra Lia Simón conta que o MPT descobriu que grandes lojas como Gregory, Collins, Pernambucanas e outras estavam por trás destas confecções, quando uma das operações flagrou oficinas clandestinas colocando as etiquetas nas roupas, evidenciando a contratação terceirizada naquelas condições.
A Zara assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), documento que prevê o cumprimento das obrigações trabalhistas, comprometendo-se a se responsabilizar pelas condições das confecções e a aplicar mais de R$ 3 milhões em um fundo que promove atividades contra combate ao trabalho escravo.
“Esta é uma atuação inovadora, porque a gente tenta responsabilizar a grande empresa, que tem que de fato ser responsável por aquelas que contratam para fazer seu produto”, relata a procuradora Sandra Lia, sobre a iniciativa de responsabilizar as empresas por meio dos TACs, que vigora desde o ano passado.
As empresas, quando questionadas sobre sua responsabilidade trabalhista em relação às confecções clandestinas, “dizem que não precisam saber disso”, afirma a procuradora. Segundo o sociólogo José de Souza Martins, “a terceirização facilita o recrutamento de trabalhadores e a organização racional do trabalho das empresas que de seu trabalho se valem. Mas transfere as responsabilidades trabalhistas para terceiros.” E continua:”a beneficiada quer o seu lucro e a terceirizada também. O sobrelucro alimenta a sobreexploração do trabalho, pois o salário propriamente dito a ser pago ao trabalhador acaba sendo uma quantia residual daquilo que a empresa principal está disposta a pagar pelo trabalho de que carece.”
No campo, por sua vez, as condições de escravidão também são de servidão por dívida, mas existem empecilhos ainda mais difíceis de flagrar e coibir, devido ao afastamento geográfico das fazendas em que a prática ocorre e da situação sócio-econômica que deixa os trabalhadores vulneráveis aos “gatos”, os aliciadores deste tipo de mão-de-obra.
Os estados que apresentam os maiores índices são Bahia, Piauí, Maranhão, Tocantins, Mato Grosso e Pará, de acordo com dados do Programa “Escravo Nem Pensar” ; 95% dos arregimentados para mão de obra escrava são homens e dos trabalhadores que são libertos, 71 % deixaram a escola depois de quatro anos de estudo.
Natália Suzuki, cientista social e jornalista da Repórter Brasil, afirma a necessidade de ações coordenadas entre as várias entidades engajadas no combate ao trabalho escravo. “Não é ação de um só ator. Existem muitas iniciativas, mas se isoladas elas perdem o potencial”, argumenta. Segundo ela, é necessário prestar atenção nas condições às quais o trabalhador retorna depois que é libertado, para que “não volte a cair na rede”.
“A reescravização mesmo de vítimas libertadas da escravidão é favorecida pela quase certeza da impunidade, apesar do enorme esforço do Grupo Móvel de Fiscalização do Ministério do Trabalho para localizar as ocorrências, libertar os trabalhadores, assegurar-lhes os benefícios do direito e enquadrar os responsáveis”, explica o sociólogo José Martins. “As condições de vida adversas das vítimas favorecem a reescravização, porque são vulneráveis. Tem havido casos em que, na hora em que chegam os fiscais, os trabalhadores recusam a libertação e fogem para o mato”.
Sandra Lia acredita que a legislação atual não é efetiva na inibição do trabalho escravo, “porque não há uma punição adequada para quem lança mão da exploração do trabalho. O que nós precisamos é melhor responsabilização criminal, porque o artigo 149 do código penal delimita bem o que é trabalho escravo, mas não há condenações criminais, individualmente falando, que sejam dignas de inibir a prática”.
Para Natália, a questão que a PEC 438 trata, ao propor a expropriação das terras em que há trabalho escravo para uso social, é “uma forma de reverter a lógica da concentração de terra e da impunidade. O fazendeiro pode perder aquilo que tem de mais caro, a propriedade”.
Educação preventiva
O programa “Escravo Nem Pensar”, da ONG Repórter Brasil, atua na educação de professores da rede pública e de lideranças comunitárias nas regiões onde mais se constata a incidência de trabalho escravo. Duas equipes, em Araguaína (TO) e São Paulo (SP), ministram cursos de 40 horas durante uma semana para o público que acreditam ter maior potencial multiplicador. O curso já formou 2.500 pessoas em 46 municípios.
Natália Suzuki, coordenadora do programa, diz que ele busca conscientizar o trabalhador para evitar que ele volte à condição análoga à escravidão. “É uma forma de despertar, para olharem estas questões que já são tão naturalizadas no dia a dia e que acabam deixando de ser problematizadas”, diz.
Leia a matéria no site no portal Infosur Hoy aqui.
ONG Repórter Brasil usa o programa Escravo, Nem Pensar! para erradicar a prática nos estados brasileiros onde o problema é mais grave.
Por Leilane Marinho para Infosurhoy.com
O programa Escravo, Nem Pensar! leva informação para as comunidades que mais sofrem com o trabalho escravo, como esta da cidade de Palmeirante (TO). (Cortesia da ONG Repórter Brasil)
PALMAS, Brasil – Todas as crianças brasileiras aprendem nas aulas de História que a escravidão acabou em 13 de maio de 1888, quando a Princesa...
Leia a matéria no site no portal Infosur Hoy aqui.
ONG Repórter Brasil usa o programa Escravo, Nem Pensar! para erradicar a prática nos estados brasileiros onde o problema é mais grave.
Por Leilane Marinho para Infosurhoy.com
O programa Escravo, Nem Pensar! leva informação para as comunidades que mais sofrem com o trabalho escravo, como esta da cidade de Palmeirante (TO). (Cortesia da ONG Repórter Brasil)
PALMAS, Brasil – Todas as crianças brasileiras aprendem nas aulas de História que a escravidão acabou em 13 de maio de 1888, quando a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea.
Mas, 124 anos depois, cerca de 20.000 trabalhadores ainda atuam em condições análogas à escravidão no Brasil, de acordo com o Ministério Público do Trabalho.
Em 2011, o governo federal resgatou 2.271 pessoas, sendo a maioria nos seis estados onde a situação é mais crítica: Tocantins, Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Piauí.
Em 45 municípios destes estados, o governo conta com um aliado desde 2004: o programa Escravo, Nem Pensar!, da ONG Repórter Brasil, que usa a informação para combater o problema.
“Nosso foco é a prevenção. Identificamos as comunidades mais vulneráveis e, nelas, capacitamos professores e líderes comunitários”, diz a coordenadora do programa, Natália Suzuki, 28 anos. “Estas pessoas agem como multiplicadores da informação, que é peça fundamental no processo de combate à escravidão.”
Depois de formar mais de 2.000 professores e “agentes especiais” – todos voluntários –, o Escravo, Nem Pensar! foi considerado pelo governo federal, em 2008, o primeiro programa de prevenção à escravidão de âmbito nacional.
Multiplicadores
O Escravo, Nem Pensar! aposta na formação de professores e líderes comunitários. Na foto, eles leem a cartilha do programa em Pindaré Mirim (MA). (Cortesia da ONG Repórter Brasil)
Para difundir o conhecimento sobre trabalho escravo e também sobre tráfico de pessoas, o programa precisa do engajamento da comunidade, explica Natália.
Além da formação de educadores, a ONG produz materiais didáticos e ajuda a organizar concursos, festivais culturais e projetos comunitários ligados ao tema.
Em março, o programa lançou a cartilha “Tráfico de Pessoas, Mercado de Gente”, que aborda o tema do comércio ilícito de pessoas, principalmente a exploração de jovens no mercado de sexo. Um total de 5.000 exemplares foram distribuídos nos municípios onde o programa atua.
Em Santa Luzia, Maranhão, a professora Elbna Ferreira, 36 anos, tornou-se educadora do programa em 2006. Desde então, ela tem dado palestras em escolas e comunidades. A cartilha é útil, diz Elbna, porque traz sugestões de atividades para que professores possam abordar o tema em sala de aula.
“Mas o município de Santa Luzia é muito pobre. Conheço trabalhadores que foram resgatados e não tiveram outra opção senão voltar para as fazendas e serem submetidos novamente à escravidão”, lamenta Elbna.
A professora conta que o programa tem atingindo principalmente os “gatos”, homens que recrutam pessoas em regiões distantes do local da prestação de serviço, oferecendo vantagens de trabalho ilusórias.
Os “gatos” são os responsáveis pelo transporte, acomodação e alimentação dos aliciados. Todas essas despesas serão cobradas do trabalhador. Se algum deles quiser deixar o local, ele é informado de que está devendo e não poderá sair enquanto não pagar a dívida.
Carolina Motoki, 30, coordenadora regional do programa Escravo, Nem Pensar! em Araguaína (TO), diz que, depois da prevenção, é preciso trabalhar a inserção das pessoas vulneráveis ao mercado de trabalho. (Cortesia da ONG Repórter Brasil)
“Estas despesas nunca são quitadas. Dessa forma, o trabalhador fica preso”, explica Natália.
Graças às ações do programa, muitos pontos de aliciamento foram desativados, comemora Natália.
“Antes, o recrutamento era feito de forma muito pública”, lembra ela.
Sem oportunidade de trabalho, muitas pessoas não têm outra saída senão os serviços análogos à escravidão. Segundo a ONG Repórter Brasil, muitas destas pessoas não têm consciência de que estão sendo exploradas.
“Descobrimos que, em algumas cidades, o problema está arraigado, e que é comum pessoas aceitarem essas condições de trabalho que degradam os direitos humanos”, diz Natália.
Numa escola em Araguaína (TO), alunos mostram os trabalhos que fizeram em sala de aula sobre escravidão. (Cortesia da ONG Repórter Brasil)
A coordenadora do Escravo, Nem Pensar! explica que, ao enumerar e ensinar a reconhecer os problemas que envolvem o trabalho escravo – alimentação e alojamentos precários, falta de saneamento básico, maus tratos, violência e condições de trabalho degradantes aliados ao cerceamento da liberdade –, o programa ajuda muitas pessoas a perceberem que vivem esse tipo de exploração.
Voluntária no programa, a professora Maria do Rosário, 52, lembra que certa vez, após uma palestra, um homem se aproximou aos prantos dizendo que havia fugido de uma fazenda por ter sido submetido a este tipo de crime.
“Ele disse que tudo que eu tinha dito era como se estivesse contando a vida dele. Depois mostrou seu corpo todo rasgado de arame farpado, marcas da fuga”, lembra Rosário, que na época encaminhou a vítima o Ministério Público Federal.
Passo seguinte
A coordenadora regional do Escravo, Nem Pensar! em Araguaína, Tocantins, Carolina Motoki, 30, diz que o programa vai além do foco principal, a prevenção. O passo seguinte é a inserção no mercado de trabalho.
“Um simples curso profissionalizante não resolve o problema”, diz Carolina. “Apostamos na criação de cooperativas e outras formas de geração de renda.”
A Cooperativa para Dignidade do Maranhão (Codigma), em Açailândia, é um exemplo. Criada portrabalhadores que já foram explorados, a cooperativa fabrica um carvão ecológico (feito de pó de carvão vegetal) e proporciona renda para as famílias vulneráveis.
“São projetos como esses que queremos incentivar”, finaliza Carolina.
Programa educativo de prevenção ao trabalho escravo forma mais de 100 professores em dois municípios do sudeste do Pará
Entre os meses de maio e junho, o “Escravo, nem pensar!” realizou no Pará duas formações para professoras e professores e lideranças comunitárias a respeito do trabalho escravo contemporâneo e outros temas relacionados aos direitos humanos no campo. Com isso, o programa consolida formações em 47 municípios, sendo sete deles no próprio estado. A iniciativa contou com o apoio da Secretaria dos Direitos Humanos do Governo Federal e do Grupo de Articulação e Enfrentamento ao Trabalho Escravo no Pará...
Programa educativo de prevenção ao trabalho escravo forma mais de 100 professores em dois municípios do sudeste do Pará
Entre os meses de maio e junho, o “Escravo, nem pensar!” realizou no Pará duas formações para professoras e professores e lideranças comunitárias a respeito do trabalho escravo contemporâneo e outros temas relacionados aos direitos humanos no campo. Com isso, o programa consolida formações em 47 municípios, sendo sete deles no próprio estado. A iniciativa contou com o apoio da Secretaria dos Direitos Humanos do Governo Federal e do Grupo de Articulação e Enfrentamento ao Trabalho Escravo no Pará (GAETE-PA).
Os municípios escolhidos foram Rio Maria e Eldorado dos Carajás, na região sudeste paraense. Ambos carregam uma história recente de intenso conflito e violência no campo e estão situados no “Arco do Desmatamento”, onde a fronteira agrícola avança em direção à Amazônia. Nessa região, há utilização frequente de mão de obra escrava no desmatamento e na manutenção de pastagens.
No ranking nacional dos municípios flagrados com trabalho escravo entre 2000 e 2011, Eldorado dos Carajás ocupa o 26º lugar, com 19 casos de libertações e 105 trabalhadores libertados, e Rio Maria ocupa o 32º lugar, com 17 casos e 155 trabalhadores libertados, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra. O fato de existirem muitos assentamentos e acampamentos na região cercados por grandes fazendas contribuiu para a escolha dos locais para a realização da formação, já que a população rural está mais exposta ao aliciamento para frentes de trabalho nessas propriedades.
As experiências
A formação de Rio Maria aconteceu entre os dias 7 e 11 de maio. A turma foi composta por professoras e professores, gestores da Secretaria Municipal de Educação e agentes da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em Xinguara. Alguns professoras atuam no Comitê Rio Maria, entidade local que luta pelos direitos humanos no campo.
Professores e professoras mobilizados em Rio Maria (PA)
Durante a formação, tivemos também a participação do juiz do Trabalho de Marabá Jonatas Andrade, que pôde aprofundar a discussão sobre os instrumentos jurídicos utilizados no combate ao trabalho escravo. Por sua vez, os professores Nélio Pereira Coelho e Marisa de Fátima Macedo de Xinguara compartilharam a experiência e os resultados do projeto sobre trabalho escravo realizado pela Escola Municipal Ciranda Cirandinha, em 2011, apresentando possibilidades para o desenvolvimento de ações que abordem o tema do trabalho escravo nas escolas. Esse município recebeu formação do programa em 2006 e 2010.
Segundo Natália Suzuki, coordenadora do programa, “os professoras e professores se identificaram muito com as pautas dos direitos humanos, o que nos remete à trajetória de luta social local, marcada principalmente por conflitos pela terra nas décadas de 1980 e 1990. O município conta com uma disciplina de direitos humanos no currículo municipal. Por isso, a formação teve um papel de sistematizar e reforçar esses valores e práticas educativas."
Em seguida, realizamos a formação entre os dias 28 de maio e 01 de junho em Eldorado dos Carajás, município que carrega a ferida aberta do massacre de 19 trabalhadores rurais, mortos pela Polícia Militar em 1996. Além dos conflitos agrários que persistem até hoje, a forte presença de assentamentos e acampamentos rurais dedicados à agricultura familiar é marca da realidade local.
Monumento relembra o Massacre de Eldorado de 1996
“As discussões pedagógicas produziram momentos de intercâmbio entre a turma e os educadores. As 40 horas de discussões, atividades pedagógicas, dinâmicas, apresentações culturais e trabalho em grupo foram apenas o pontapé inicial das ações de educação e prevenção no município”, afirma Thiago Casteli, educador do programa.
Os professoras e professores demonstraram grande interesse pelo conteúdo das formações e, como já trabalham com temas ligados à justiça social no campo, planejam ações para os próximos meses voltados à prevenção ao trabalho escravo nas escolas e nas comunidades da região. Secretaria Municipal de Educação deve colocar o trabalho escravo como pauta para o desenvolvimento de projetos já no segundo semestre de 2012.
Nessa formação, contamos com a participação da Comissão Pastoral da Terra e do Ministério Público do Trabalho em Marabá, e da professora Juraci Alves, que já desenvolve ações educativas sobre o trabalho escravo na Escola Municipal Pedro Valle, na zona rural de Marabá. Sua comunidade realizou, em 2010 e 2011, dois projetos pedagógicos com foco na prevenção e no fortalecimento dos valores do campo.
Após a formação, a equipe do "Escravo, nem pensar!" retornará três vezes aos municípios, a cada seis meses, para acompanhar as ações e realizar novas atividades pedagógicas. Em agosto, o programa realizará uma formação de professores e professoras em Pacajá, também no Pará, além dos encontros de acompanhamento com professoras e professores em Itupiranga, Novo Repartimento e Xinguara.
Educadores, lideranças populares e agentes pastorais devem enviar propostas até o dia 21 de junho
O programa “Escravo, nem pensar!” da ONG Repórter Brasil, em parceria com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e a Catholic Relief Services, abre as inscrições para a 6ª edição do Fundo de Apoio a Projetos do “Escravo, nem pensar!”, responsável pelo financiamento de projetos de prevenção ao tráfico de pessoas para o trabalho escravo. O objetivo é difundir informação sobre o problema e mobilizar as comunidades para combatê-lo. O prazo para envio das propostas foi prorrogado para o dia 21 de junhode 2012...
Educadores, lideranças populares e agentes pastorais devem enviar propostas até o dia 21 de junho
O programa “Escravo, nem pensar!” da ONG Repórter Brasil, em parceria com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e a Catholic Relief Services, abre as inscrições para a 6ª edição do Fundo de Apoio a Projetos do “Escravo, nem pensar!”, responsável pelo financiamento de projetos de prevenção ao tráfico de pessoas para o trabalho escravo. O objetivo é difundir informação sobre o problema e mobilizar as comunidades para combatê-lo. O prazo para envio das propostas foi prorrogado para o dia 21 de junhode 2012 (quinta-feira).
Clique aqui para baixar o edital completo com mais informações sobre as inscrições.
Professores(as) e lideranças populares participantes do programa “Escravo, nem pensar!” que tiverem interesse em desenvolver um projeto na escola em que trabalha, em articulação com outras escolas, ou na comunidade onde atua. Nesse ano, agentes de pastorais ou de paróquias também podem propor projetos.
Os projetos selecionados contarão com uma ajuda de custode até R$ 1.200,00 para realizar as atividades. A equipe organizadora do Fundo de Apoio a Projetos do “Escravo, nem pensar!” tem como prioridade a seleção de projetos baratos e criativos. Além disso, os recursos vêm da Catholic Relief Service e é importante que os projetos selecionados para serem financiados cumpram o contrato, executem as atividades propostas e prestem contas ao final.
Desde 2007, 65 projetos realizados por professores(as) e lideranças nos estados já receberam apoio pedagógico e financeiro para colocar em prática ações de combate ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo. As atividades foram diversificadas e interdisciplinares, desde peças de teatro até grafitagem, passando por programas de rádio, vídeos, palestras, encontros, caminhadas, pesquisas, produção de panfletos e cartilhas, confecção de cartazes e camisetas, oficinas de música, realização de oficinas de artesanato e plantio de hortas comunitárias. Os projetos foram fundamentais para fortalecer a rede de luta contra o tráfico de pessoas e o trabalho escravo em municípios dos estados do Piauí, Maranhão, Tocantins, Mato Grosso, Bahia e Pará.
Educadores, lideranças populares e agentes pastorais devem enviar propostas até o dia 15 de junho.
O programa “Escravo, nem pensar!” da ONG Repórter Brasil, em parceria com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e a Catholic Relief Services, abre as inscrições para a 6ª edição do Fundo de Apoio a Projetos do “Escravo, nem pensar!”, responsável pelo financiamento de projetos de prevenção ao tráfico de pessoas para o trabalho escravo. O objetivo é difundir informação sobre o problema e mobilizar as comunidades para combatê-lo. O prazo para envio das propostas é dia 15 de junhode 2012.
Educadores, lideranças populares e agentes pastorais devem enviar propostas até o dia 15 de junho.
O programa “Escravo, nem pensar!” da ONG Repórter Brasil, em parceria com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e a Catholic Relief Services, abre as inscrições para a 6ª edição do Fundo de Apoio a Projetos do “Escravo, nem pensar!”, responsável pelo financiamento de projetos de prevenção ao tráfico de pessoas para o trabalho escravo. O objetivo é difundir informação sobre o problema e mobilizar as comunidades para combatê-lo. O prazo para envio das propostas é dia 15 de junhode 2012.
Clique aqui para baixar o edital completo com mais informações sobre as inscrições.
Professores(as) e lideranças populares participantes do programa “Escravo, nem pensar!” que tiverem interesse em desenvolver um projeto na escola em que trabalha, em articulação com outras escolas, ou na comunidade onde atua. Nesse ano, agentes de pastorais ou de paróquiastambém podem propor projetos.
Os projetos selecionados contarão com uma ajuda de custode até R$ 1.200,00 para realizar as atividades. A equipe organizadora do Fundo de Apoio a Projetos do “Escravo, nem pensar!” tem como prioridade a seleção de projetos baratos e criativos. Além disso, os recursos vêm da Catholic Relief Service e é importante que os projetos selecionados para serem financiados cumpram o contrato, executem as atividades propostas e prestem contas ao final.
Desde 2007, 65 projetos realizados por professores(as) e lideranças nos estados já receberam apoio pedagógico e financeiro para colocar em prática ações de combate ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo. As atividades foram diversificadas e interdisciplinares, desde peças de teatro até grafitagem, passando por programas de rádio, vídeos, palestras, encontros, caminhadas, pesquisas, produção de panfletos e cartilhas, confecção de cartazes e camisetas, oficinas de música, realização de oficinas de artesanato e plantio de hortas comunitárias. Os projetos foram fundamentais para fortalecer a rede de luta contra o tráfico de pessoas e o trabalho escravo em municípios dos estados do Piauí, Maranhão, Tocantins, Mato Grosso, Bahia e Pará.
Câmara dos Deputados aprova expropriação e confisco de terras em que há trabalho escravo. Proposta será votada pelo Senado
Na noite da última terça-feira, dia 22, a Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda Constitucional 438/2001 em segundo turno de votação. Do total de 414 parlamentares, 360 foram a favor da PEC, 29 votaram contra e 25 se abstiveram. O resultado parece ter sido uma vitória fácil, no entanto ela não reflete a disputa acirrada que se deu até o último momento nos bastidores do Congresso.
Desde 2004, a proposta, que prevê a expropriação e confisco da terra daqueles que empregam trabalho escravo...
Câmara dos Deputados aprova expropriação e confisco de terras em que há trabalho escravo. Proposta será votada pelo Senado
Na noite da última terça-feira, dia 22, a Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda Constitucional 438/2001 em segundo turno de votação. Do total de 414 parlamentares, 360 foram a favor da PEC, 29 votaram contra e 25 se abstiveram. O resultado parece ter sido uma vitória fácil, no entanto ela não reflete a disputa acirrada que se deu até o último momento nos bastidores do Congresso.
Desde 2004, a proposta, que prevê a expropriação e confisco da terra daqueles que empregam trabalho escravo em suas propriedades, sem direito à indenização, como propõe a PEC, esteve emperrada no Congresso. Os adiamentos sucessivos da votação, decorrentes dos esforços de alguns parlamentares, sempre foi a forma mais elegante de defender os interesses da classe ruralista e, assim, perpetuar a escravidão contemporânea no país.
A relatora especial da ONU para Formas Contemporâneas de Escravidão, Gulnara Shahinian definiu a PEC como “o instrumento legal mais poderoso de combate ao trabalho escravo no Brasil”. Além de esse mecanismo ser capaz de fazer o país vencer a impunidade dos escravagistas, uma das principais lacunas das estratégias de combate à escravidão contemporânea, a emenda contraria a lógica da organização fundiária imposta ao campo há mais de 500 anos no país.
A proposta passará ainda por mais um round para, então, assinada definitivamente. Ele segue para ser votada pelo Senado. A tramitação da PEC no Congresso é sempre acompanhada pela iminência de revisão do conceito de trabalho escravo contemporâneo. Todas as vezes em que há oportunidade, membros da bancada ruralista tentam em colocar em xeque aquilo que há muito já está consolidado
O artigo 149 do Código Penal define claramente que a prática é crime. A lei deixa explícito que submeter alguém a condições análogas a de escravos é cercear a sua liberdade por meio de ameaças, endividamento e isolamento e/ou submeter trabalhadores a condições degradantes. Condições degradantes não significam deixar de assinar a carteira de trabalho ou dar colchão fino para o trabalhador e, muito menos, não lhes fornecer copos plásticos, mas se referem a situações desumanas de trabalho que atentam contra a dignidade do indivíduo.
O conceito de trabalho escravo contemporâneo expresso no artigo 149 permitiu resgatar mais de 42 mil trabalhadores submetidos a situações inimagináveis de humilhação e exploração, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego. A mesma lei é usada para indiciar criminalmente aqueles que empregam mão de obra escrava, como aconteceu um senador neste ano, quando o STF o colocou no banco dos réus por aliciar e empregar 35 pessoas em regime de escravidão no interior do Pará.
A Organização Internacional do Trabalho avalia que o Brasil vem criando mecanismos inovadores e coerentes com as determinações dos tratados internacionais dos quais é signatário. Esses instrumentos, entre os quais o artigo 149, são considerados referências para outros países.
A partir do conceito vigente e com a participação e esforço da sociedade civil, há mais de uma década, políticas públicas de prevenção, assistência à vítima e repressão têm sido criadas; casos foram julgados, criando jurisprudência em diversas instâncias da rígida estrutura judiciária. Tudo isso sem que houvesse qualquer dúvida sobre a definição do trabalho escravo contemporâneo, agora contestada.
Hoje, os escravos não são acorrentados no tronco ou açoitados no pelourinho. Mas como classificar, senão como escravidão, a condição desumana a que milhares de trabalhadores são submetidos? Reduzir violações de direitos humanos, como a superexploração do trabalho, o cerceamento de liberdade, as ameaças de morte e os castigos exemplares, a irregularidades trabalhistas é algo descabido. Portanto, não cabe apelar para que uma nova princesa Isabel venha ao Congresso com uma pena em punho para reafirmar a Lei Áurea. É preciso mais que isso.
Nos últimos oito anos, a ONG Repórter Brasil desenvolve trabalho de prevenção por meio da educação em cinquenta municípios onde há grande quantidade de casos de aliciamento e trabalho escravo. Um dos maiores desafios tem sido desnaturalizar nas comunidades o processo de exploração que há séculos está arraigado em determinadas regiões do país, onde o coronelismo deixou raízes profundas. Como é possível o trabalhador se reconhecer como vítima de um sistema atroz se mais uma vez dizemos que a única escravidão existente é aquela que o prende por correntes? Como é possível, então, ele superar a sua condição indigna se os alguns deputados insistem em lhes privar de instrumentos jurídicos?
A luta por garantia dos direitos humanos se faz a passos lentos, mas nem por isso deixamos de fazer a caminhada. A aprovação da PEC na Câmara dos Deputados é mais uma etapa que vencemos para a erradicação dessa prática vergonhosa no país. A essa altura, permitir que se rediscuta o conceito de trabalho escravo contemporâneo significa retornar ao ponto de partida e rejeitar a estrada que trilhamos às custas do suor de milhares trabalhadores, e isso não é uma opção.
Escravo, nem pensar! segue formando educadores e educadoras para atuarem em suas comunidades
Entre os dias 28 de maio e 1° de junho, ocorrerá em Eldorado dos Carajás, no Pará, mais uma formação sobre trabalho escravo contemporâneo e temas relacionados para educadores da rede pública de ensino e lidernças sociais, promovida pelo programa Escravo, nem pensar!, em parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT). A atividade conta com o apoio da Secretaria Municipal de Educação, e terá representante do Ministério Público do Trabalho em Marabá. Eldorado dos Carajás será a 47ª cidade a participar do programa.
Escravo, nem pensar! segue formando educadores e educadoras para atuarem em suas comunidades
Entre os dias 28 de maio e 1° de junho, ocorrerá em Eldorado dos Carajás, no Pará, mais uma formação sobre trabalho escravo contemporâneo e temas relacionados para educadores da rede pública de ensino e lidernças sociais, promovida pelo programa Escravo, nem pensar!, em parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT). A atividade conta com o apoio da Secretaria Municipal de Educação, e terá representante do Ministério Público do Trabalho em Marabá. Eldorado dos Carajás será a 47ª cidade a participar do programa.
Recentemente, foi a vez do município de Rio Maria, também no Pará, receber a equipe do Escravo, nem pensar!, entre os dias 7 e 11 de maio. Foram cinco dias de formação nos quais os professores das escolas municipais e estudais, além delideranças sociais, puderam contar com a presença de Jônatas Andrade, juiz do Trabalho em Marabá, além da CPT. Também esteve presente Frei Henri des Roziers (CPT Xinguara), histórico defensor das causas dos trabalhadores rurais. Segundo Thiago Castelli, educador do programa, “muito do que foi discutido ao longo da semana já fazia parte da vida dos educadores. A formação cumpre o papel de tornar tudo isso mais claro e possibilitar que cada participante previna a sua comunidade para não cair no trabalho escravo”.
As formações têm apoio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e do Grupo de Articulação Interinstitucional de Enfrentamento ao Trabalho Escravo no Sul e Sudeste do Pará (Gaete).
A PEC 438 incomoda por abalar a estrutura fundiária imposta ao campo há mais de 500 anos no país. A expropriação e confisco da terra daqueles que empregam trabalho escravo em suas propriedades, sem direito à indenização, contraria a lógica da organização fundiária e, sobretudo, a da impunidade. A Constituição de 1988 já condiciona o direito à propriedade ao cumprimento da sua função social, prevendo a possibilidade de desapropriação, mas com indenização ao fazendeiro.
Sagaz e habilidosa, membros da bancada ruralista não apenas trataram de unir esforços para postergar mais uma vez a votação da PEC, como também tentaram colocar em xeque aquilo que há muito já está consolidado: o conceito de trabalho escravo contemporâneo.
O artigo 149 do Código Penal define claramente que a prática é crime. A lei deixa explícito que submeter alguém a condições análogas a de escravos é cercear a sua liberdade por meio de ameaças, endividamento e isolamento e/ou submeter trabalhadores a condições degradantes. Condições degradantes não significam dar colchão fino para o trabalhador ou deixar de lhes fornecer copos plásticos e, muito menos, não assinar a carteira de trabalho, mas se referem a situações desumanas de trabalho que atentam contra a dignidade do indivíduo.
Crédito: Leonardo Sakamoto
Desde 1995, quando o governo brasileiro reconheceu a existência do trabalho escravo, mais de 42 mil trabalhadores foram libertados, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A fiscalização permite que fazendeiros sejam indiciados criminalmente por empregar mão de obra escrava, como aconteceu um senador neste ano, quando o STF o colocou no banco dos réus por aliciar e empregar 35 pessoas em regime de escravidão no interior do Pará. A Organização Internacional do Trabalho avalia que o Brasil vem criando mecanismos inovadores e coerentes com as determinações dos tratados internacionais dos quais é signatário. Esses instrumentos, entre os quais o artigo 149, são considerados referências para outros países.
A partir do conceito vigente e com a participação e esforço da sociedade civil, políticas públicas de prevenção, assistência à vítima e repressão têm sido criadas; casos foram julgados, criando jurisprudência em diversas instâncias da rígida estrutura judiciária. Tudo isso sem que houvesse qualquer dúvida sobre a definição do trabalho escravo contemporâneo, agora contestada.
Hoje, os escravos não são acorrentados no tronco ou açoitados no pelourinho. Mas como classificar, senão como escravidão, a condição desumana a que milhares de trabalhadores são submetidos? Reduzir violações de direitos humanos, como a superexploração do trabalho, o cerceamento de liberdade, as ameaças de morte e os castigos exemplares a irregularidades trabalhistas é algo descabido. Portanto, não cabe apelar para que uma nova princesa Isabel venha ao Congresso com uma pena em punho para reafirmar a Lei Áurea. É preciso mais que isso.
Nos últimos oito anos, a ONG Repórter Brasil, por meio do programa "Escravo, nem pensar!", desenvolve trabalho de prevenção por meio da educação em cinquenta municípios onde há grande quantidade de casos de aliciamento e trabalho escravo. Um dos maiores desafios tem sido desnaturalizar nas comunidades o processo de exploração que há séculos está arraigado em determinadas regiões do país, onde o coronelismo deixou raízes profundas. Como é possível o trabalhador se reconhecer como vítima de um sistema atroz se mais uma vez dizemos que a única escravidão existente é aquela que o prende por correntes? Como é possível, então, ele superar a sua condição indigna se alguns deputados insistem em lhes privar de instrumentos jurídicos?
Condicionar a discussão da PEC 438 a uma revisão do conceito é retomar uma discussão já superada e abandonar todas as conquistas dos últimos vinte anos. A relatora especial da ONU para Formas Contemporâneas de Escravidão, Gulnara Shahinian definiu a PEC como “o instrumento legal mais poderoso de combate ao trabalho escravo no Brasil”. Esse mecanismo é capaz de fazer o país vencer a impunidade dos escravagistas, uma das principais lacunas das estratégias de combate à escravidão contemporânea.
A luta por garantia dos direitos humanos se faz a passos lentos, mas nem por isso deixamos de fazer a caminhada. Nesse momento, retornar ao ponto de partida e rejeitar a estrada que trilhamos às custas do suor de milhares trabalhadores não é uma opção.
Carolina Motoki e Natália Suzuki são coordenadoras do programa de educação “Escravo, Nem Pensar!”, da ONG Repórter Brasil
Daniel Santini é editor da Agência de Notícias da ONG Repórter Brasil
Para Evandro Rodrigues, que faz parte da Comissão Pastoal da Terra de Araguaína (TO), “encontrar outros setores atentos à questão do trabalho escravo contemporâneo anima o trabalho nas bases, pois mostra que não estamos sozinhos nesta luta”.
A PEC 438 é importante porque se alia a outras iniciativas já existentes que buscam a erradicação do trabalho escravo no país, como as ações de prevenção. O desconhecimento de direitos sociais e trabalhistas é um dos elementos que aumenta a vulnerabilidade dos trabalhadores, tornando-os facilmente alvo de aliciamento para o trabalho escravo. Por isso, a informação é importante. Quando a comunidade está ciente sobre os riscos do trabalho escravo, e o trabalhador compreende que a exploração nas relações de trabalho é uma violação de seus direitos é possível evitar que seja aliciado.
O programa “Escravo, nem pensar!” desenvolve, nos últimos oito anos, o trabalho de prevenção por meio de ações educativas. Em parceria com outras organizações da sociedade civil e com o poder público, o programa já formou mais de 2.600 pessoas – incluindo professores e lideranças sociais – sobre os temas do trabalho escravo e tráfico de pessoas em municípios em que há registro de casos de aliciamento e trabalho escravo. A ideia é que esses profissionais possam multiplicar o conhecimento sobre o problema em suas comunidades. Hoje, o programa atua em 46 municípios de seis estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil.
Materiais abordam o trabalho escravo contemporâneo no meio urbano e a destruição do meio ambiente no meio rural
O programa “Escravo, nem pensar”, da ONG Repórter Brasil, lança neste mês de abril dois novos materiais: “O trabalho escravo urbano” e “Trabalho escravo e destruição do meio ambiente”. Os materiais são mais uma forma de ampliar a informação e o debate. O objetivo é fomentar as discussões sobre o tema do trabalho escravo contemporâneo em sala de aula e nas comunidades onde a incidência deste crime é mais elevada.
Os dois fascículos vêm em formato didático e interativo. Ambos se...
Materiais abordam o trabalho escravo contemporâneo no meio urbano e a destruição do meio ambiente no meio rural
O programa “Escravo, nem pensar”, da ONG Repórter Brasil, lança neste mês de abril dois novos materiais: “O trabalho escravo urbano” e “Trabalho escravo e destruição do meio ambiente”. Os materiais são mais uma forma de ampliar a informação e o debate. O objetivo é fomentar as discussões sobre o tema do trabalho escravo contemporâneo em sala de aula e nas comunidades onde a incidência deste crime é mais elevada.
Os dois fascículos vêm em formato didático e interativo. Ambos se transformam em pôsteres, nos quais textos e imagens se articulam, apresentando o tema do trabalho escravo de forma clara e de fácil compreensão.
Em todo o país, o modelo de produção do Agronegócio traz destruição aos biomas brasileiros, esgotando nossos recursos naturais. Além disso, há registro de utilização de mão de obra escrava em muitas atividades. Essa é a discussão que o fascículo “Trabalho Escravo e Destruição do Meio Ambiente” propõe para a sala de aula e as comunidades nas regiões mais afetadas por este modelo insustentável. A criação de gado na Amazônia, por exemplo, acaba com a floresta e é recordista na utilização de mão de obra escrava. O mesmo acontece com a cana no Pantanal e com a soja no Cerrado. O fascículo traz dados, reflexões e imagens deste modelo que ataca a terra e o trabalhador. Clique aqui para acessar o material.
O trabalho escravo contemporâneo é uma realidade também nas grandes cidades. É isso que nos mostra o fascículo “Trabalho Escravo Urbano”, trazendo a tona uma exploração que parecia ter lugar apenas no meio rural. O fascículo apresenta os ramos onde mais há incidência de trabalho escravo urbano, como a construção civil e as confecções de roupas e tecidos, por exemplo. A migração e o tráfico de pessoas também são abordados neste novo material, pois são fundamentais para entender de onde parte este processo e como atuar na prevenção e no combate à escravidão em nossas cidades. Clique aqui para acessar o material.
Cartilha tem conteúdo e propostas de atividade para a sala de aula
Cartilha propõe discussão sobre tráfico de pessoas em sala de aula
Para muita gente é estranho falar em tráfico de pessoas. Afinal, pessoas podem ser vendidas em pleno século 21? Mas, por mais incrível que pareça, há casos em todo o mundo de gente que é aliciada, transportada e vendida para ser explorada de alguma forma. No mês da mulher, o “Escravo, nem pensar!” lança a cartilha "Tráfico de Pessoas - Mercado de Gente" e enfatiza que a questão de gênero também tem peso nesse problema: mulheres e meninas são 80% das vitimas desse...
Cartilha tem conteúdo e propostas de atividade para a sala de aula
Cartilha propõe discussão sobre tráfico de pessoas em sala de aula
Para muita gente é estranho falar em tráfico de pessoas. Afinal, pessoas podem ser vendidas em pleno século 21? Mas, por mais incrível que pareça, há casos em todo o mundo de gente que é aliciada, transportada e vendida para ser explorada de alguma forma. No mês da mulher, o “Escravo, nem pensar!” lança a cartilha "Tráfico de Pessoas - Mercado de Gente" e enfatiza que a questão de gênero também tem peso nesse problema: mulheres e meninas são 80% das vitimas desse crime brutal. A maioria delas é deslocada de sua terra de origem, seja raptada ou sob falsas promessas, para ser explorada sexualmente. Também são abordados na publicação outros tipos de exploração decorrentes do tráfico como, por exemplo, o comércio de órgãos e o trabalho escravo em tecelagens da cidade de São Paulo.
No Brasil, o alvo mais fácil do tráfico de pessoas para exploração sexual são mulheres jovens (entre 15 e 25 anos), com poucos anos de estudo, que começaram a trabalhar cedo e migraram por falta de opções. Portanto, elas se encaixam no perfil de pessoas vulneráveis por causa da condição socioeconômica e apresentam ainda características específicas: são negras ou morenas, solteiras, com filhos; geralmente foram vítimas de abuso sexual, prostituíram-se e/ou são usuárias de drogas. É importante lembrar que este perfil é o mais comum, mas não o único.
Neste material, você encontrará sugestões de atividades para abordar o tráfico de pessoas na sala de aula. O tema não é simples de ser trabalhado, porque ele traz para o debate a desigualdade de gênero e a visão estereotipada da mulher. Você já refletiu sobre a imagem que as publicidades brasileiras ajudam a construir da mulher? Outros assuntos complexos como a migração, o racismo e a prostituição também podem aparecer nessa discussão. Clique aqui e confira o material, disponível no nosso site.
Repórter Brasil no combate ao tráfico de pessoas
O programa “Escravo, nem pensar!” da ONG Repórter Brasil desenvolve formações em seis estados brasileiros em que o tema do tráfico de pessoas é abordado para que as comunidades se conscientizem do problema e se mobilizem para a sua prevenção. Na cartilha, você poderá conferir outras iniciativas da sociedade civil.
Para o combate desse crime, acreditamos que o diálogo e a disseminação de informações são alguns dos instrumentos principais de ação. No último dia 7 de março, a equipe do “Escravo, nem pensar!” participou de uma mesa de debate em homenagem ao Dia Internacional da Mulher com alunos e alunas de graduação do curso de Serviço Social da PUC-SP. Além do tráfico de pessoas, foram discutidos temas como a violência doméstica e o preconceito.
Biojóias produzidas por adolescentes de Buriti (Crédito: Gustavo Ohara)
Nos dias 10 e 11 de fevereiro, grupos produtivos da região do Bico do Papagaio se reuniram para analisar a mídia e produzir comunicação. Atividade fez parte do projeto “Nossa economia tem valor”
Costura, biojóias, extrativismo, fabricação de remédios a partir de ervas medicinais e argila. Essas são algumas das atividades de grupos de mulheres do norte do Tocantins, que se reuniram no último final de semana para pensar em estratégias de comunicação. Estavam presentes representantes dos municípios de Buriti,...
Biojóias produzidas por adolescentes de Buriti (Crédito: Gustavo Ohara)
Nos dias 10 e 11 de fevereiro, grupos produtivos da região do Bico do Papagaio se reuniram para analisar a mídia e produzir comunicação. Atividade fez parte do projeto “Nossa economia tem valor”
Costura, biojóias, extrativismo, fabricação de remédios a partir de ervas medicinais e argila. Essas são algumas das atividades de grupos de mulheres do norte do Tocantins, que se reuniram no último final de semana para pensar em estratégias de comunicação. Estavam presentes representantes dos municípios de Buriti, Wanderlândia, Araguaína e Axixá.
No primeiro dia de encontro, participantes analisaram o modelo de desenvolvimento agrário baseado no latifúndio, na monocultura e na exploração predatória do meio ambiente. Esse modelo foi comparado ao desenvolvimento e lógica produtiva propostos por essas comunidades, em que a relação de respeito com a natureza, os saberes populares e a autonomia são princípios básicos. Esse debate foi resumido na seguinte tabela:
AGRICULTURA FAMILIAR
AGRONEGÓCIO
TERRA
SUSTENTO
DIVERSIFICAÇÃO DA PRODUÇÃO
AUTONOMIA
APROVEITAMENTO DO ESPAÇO
VIDA
DESRESPEITO
EXPLORAÇÃO/GANÂNCIA
MERCADORIA
LUCRO
CONTAMINAÇÃO/VENENO
RECURSOS NATURAIS
INSUBSTITUÍVEIS
BIODIVERSIDADE /FONTE
RESPEITO
CONSERVAÇÃO DA FAUNA E DA FLORA
INTEGRAÇÃO
DEVASTAÇÃO
MAU USO CONTAMINAÇÃO EXPLORAÇÃO IMEDIATA LUCRO
TRABALHO
DIGNIDADE
FELICIDADE
INDEPENDÊNCIA/AUTONOMIA
DETERMINAÇÃO
MUTIRÃO
DESVALORIZAÇÃO
SUPEREXPLORAÇÃO
TRABALHO ESCRAVO
EXPULSÃO/EXCLUSÃO
DESCARTÁVEL
DESRESPEITO À LEI
A partir dessa discussão, o grupo assistiu a algumas reportagens de TV para pensar como agricultura familiar e agronegócio são retratados pela mídia: o primeiro, como atraso e empecilho, e seus representantes como vândalos, invasores e baderneiros; o segundo, como desenvolvimento e progresso, e seus representantes como modernos produtores rurais.
No segundo dia, depois de conversar sobre o funcionamento dos meios de comunicação, os grupos produziram textos sobre suas atividades, que você pode conferir mais abaixo.
Nossa economia tem valor
O projeto “Nossa economia tem valor” identificou atividades da agricultura familiar e de outros grupos produtivos dos quatro municípios envolvidos. A partir daí, os participantes elaboraram um plano de negócios, para potencializar o desenvolvimento das atividades. O objetivo do projeto é valorizar a agricultura familiar e sua lógica de produção. Ele é desenvolvido pela Visão Mundial, com apoio da APA-TO – Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins. O “Escravo, nem pensar!” foi convidado pela Visão Mundial para assessorar este encontro.
Conheça melhor os grupos por meio dos textos produzidos por cada um deles no encontro:
A Conquista da Mulher Autônoma
Artesanato produzido pelo grupo de Wanderlândia (Crédito: Gustavo Ohara)
Grupo de Mulheres em Wanderlândia participa do projeto “Nossa economia tem valor”, que tem como objetivoavalorização do trabalho feminino e a sua organização, hajam vista as mudanças ocorridas na vida das mulheres que aprendem acima de tudo a ver seu negócio como um meio de sustentabilidade.
Fazem parte desde grupo a costureira Domicilia Lopes, que há 8 anos atua no ramo, a vendedora de cosméticos, jóias e roupas Maria da Luz, no ramo há 4 anos, e a artesã Darleiane Silva, que há 2 anos trabalha da produção e vendas de capa de almofadas.
Mesmo com dificuldades, a produção e a comercialização são feitas nas comunidades (Centro e Setor Sul), nas zonas rurais e cidades vizinhas (Araguaína, Xambioá e Darcinópolis). O trabalho é realizado nas próprias residências, por possibilitar uma melhor acessibilidade, articulação e atendimento aos clientes.
Tendo como objetivo melhorar a qualidade de vida, estas mulheres conquistaram a autonomia. “É maravilhoso não trabalhar para os outros”, resume Domicilia Lopes.
Coco da Vida
As comunidades de Buriti, vendo a necessidade de gerar renda para o sustento das suas famílias, resolveram explorar sustentavelmente alguns recursos naturais, sabendo que a cidade tem um alto potencial em babaçuais.
Sendo assim, começaram a utilizar esse recurso que a natureza lhes proporciona. De início, elas aprenderam o manejo sustentável do coco babaçu, e a partir daí aprenderam a utilizar a castanha do babaçu para confecção de leite, azeite, sabão e cosméticos. Elas também aproveitam a casca para fazer carvão e artesanato. Passando esses conhecimentos de geração em geração, ainda utilizam esses saberes para a geração de renda.
Babaçuais são fonte de vida no Bico do Papagaio (Crédito: Arquivo Repórter Brasil)
A colheita do coco babaçu dura o ano todo, porém as quebradeiras têm dificuldades em colher esses cocos no período chuvoso, pois o lugar onde formam esses babaçuais geralmente é encharcado, e assim cria muita lama debaixo das palmeiras. Outro problema é que os grandes fazendeiros as proíbem de colher os frutos das palmeiras que ficam nas suas propriedades, ou em outras vezes até derrubam essas palmeiras em consequência da formação de pasto ou pelo fato de não quererem que aquelas mulheres colham aqueles cocos em suas terras.
Mesmo com esses problemas, as mulheres quebradeiras continuam motivadas a colher de forma delicada e experiente, e depois da colheita do coco vem a fabricação de derivados do babaçu. Elas vendem esses produtos em pequenos comércios locais, e pretendem ampliar para todos os comércios das cidades circunvizinhas.
Assim, as quebradeiras preservam a cultura popular e ainda geram renda para suas famílias, por meio do COCO DA VIDA...
Grupo de Mulheres das comunidades de Axixá e Araguaína fazem remédios caseiros feitos de plantas
Grupos de mulheres de Araguaína e Axixá fazem os remédios adotando as boas práticas de manejo e manipulação de remédios naturais nas comunidades.
O que se utiliza das plantas são as raízes, entrecascas, folhas, flores e sementes para a produção de xaropes, pílulas, xampu, sabonetes, pomadas, cremes, garrafadas, extratos e sumos.
A argila serve como tratamento estético (Crédito: Gustavo Ohara)
As mulheres trabalham também com a argila que serve para tratamento estético e como tratamento auxiliar para redução de dores em geral.
Para combater os casos de infecções, gripe, febre, dores musculares e de cabeça, é feito o xarope composto à base de angico.
A maior parte dos conhecimentos dos remédios naturais foi adquirida dos antepassados e aprimorada nas oficinas desenvolvidas pela Articulação PACARI de plantas medicinais. O objetivo desse trabalho é a valorização da cultura regional, destacando raizeiros e raizeiras, benzedeiros e benzedeiras como principais praticantes do uso das ervas medicinais.
Com a fabricação dos remédios, as famílias das comunidades conquistaram independência financeira, porque reduzem o uso dos remédios alopáticos, pois os produtos naturais são de qualidade e são eficazes.
A base de coleta das plantas é o Cerrado e as ervas cultivadas em hortas caseiras. As mulheres pretendem continuar a conscientização sobre o cultivo das hortas medicinais e a preservação das plantas nativas do Cerrado para que não sejam destruídas.
Mulheres Independentes
Aproximadamente há dois anos, um grupo de mulheres da cidade de Buriti, vendo a necessidades de ampliar a renda da família e conquistar a independência, resolveu se organizar para fazer a venda de diversos produtos. No início com dificuldades de sair de casa, pois seus filhos ainda eram pequenos, começaram a vender roupas aos seus vizinhos e pessoas que as visitavam. Hoje, depois de um tempo, elas conseguem sair e vender seus produtos nas comunidades locais e na zona rural, causando assim o aumento de clientes. E a partir daí resolveram vender outros produtos como: cosméticos, jóias, peças íntimas, perfumes. No começo, essas vendas eram feitas a pé, hoje já têm disponibilizado transportes como carro e moto.
O objetivo inicial era aumentar a renda familiar, e há algum tempo percebem também que é uma forma de preencher as necessidades da comunidade. “Antes éramos somente mulheres do lar, hoje somos mulheres independentes”, assim afirmam Maria Denice, Chrystina Silva, Maria Lucia e Antonia.
Ultrapassando as barreiras
Sementes e o coco babaçu são usados na confeção das biojóias (Crédito: Gustavo Ohara)
Grupos de jovens de Buriti e de Pingo D’água se juntaram para produzir artesanato de sementes e babaçu. Desde 2009, tiveram a idéia de se organizar para fazer biojóias para o aumento da renda familiar e envolvendo os jovens nesta atividade.
O trabalho é desenvolvido por filhas de agricultores. São utilizadas sementes de açaí, buriti, bacaba, jarina, cajá e nossa senhora, que são encontradas na comunidade, onde são extraídas de forma sustentável, sem degradar o meio ambiente. O restante das coisas são compradas em Imperatriz (MA).
As biojóias são produzidas e divulgadas na Associação de Mulheres de Buriti (AMB). O grupo se reúne duas vezes por semana para produção, quando é realizado o corte, a perfuração e a pintura das sementes. Além disso, elas discutem sobre as dificuldades de logística de transporte e comercialização dos produtos. Acima de todas as barreiras continuam a persistir com o trabalho. As integrantes aprenderam a fazer as biojóias com as mulheres da AMB. Elas têm o prazer de mostrar os produtos naturais da própria região.
Pelo terceiro ano consecutivo, entidades públicas e organizações da sociedade civil realizaram na última semana de janeiro atos e debates para marcar o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo (28 de janeiro). Assim como em 2010 e 2011, ocorreram atividades em vários estados do país para chamar atenção sobre o problema e mobilizar por avanços na erradicação do trabalho escravo contemporâneo.
Como parte dessa mobilização, em Palmas e em Araguaína (TO), membros da Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae) fizeram breve fala, antecedendo a bela apresentação da peça teatral "Quilombagem", do grupo...
Pelo terceiro ano consecutivo, entidades públicas e organizações da sociedade civil realizaram na última semana de janeiro atos e debates para marcar o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo (28 de janeiro). Assim como em 2010 e 2011, ocorreram atividades em vários estados do país para chamar atenção sobre o problema e mobilizar por avanços na erradicação do trabalho escravo contemporâneo.
Como parte dessa mobilização, em Palmas e em Araguaína (TO), membros da Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae) fizeram breve fala, antecedendo a bela apresentação da peça teatral "Quilombagem", do grupo teatral do Centro de Vida e Direitos Humanos de Açailândia (MA).
O espetáculo mistura dança, música e vídeos para compor a encenação. A história da escravidão no Brasil é abordada desde suas origens, quando os africanos foram traficados, até o dias atuais, em que milhares de trabalhadores são submetidos a exploração e a condições degrandante de trabalho.
Confira um pouco do evento através do vídeo abaixo, gravado pelo "Escravo, nem pensar!".
Publicação traça a geografia das plantações e seus impactos socioambientais
O “Escravo, nem pensar!” começa o ano lançando a cartilha “Deserto Verde” – os impactos do cultivo de eucalipto e pinus no Brasil. A publicação, elaborada pelo programa com base em pesquisa do Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis, outro projeto da ONG Repórter Brasil, traz uma análise dos impactos socioambientais gerados pela monocultura do eucalipto e do pinus (culturas conhecidas como silvicultura) nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. A publicação foi impressa com o apoio do Instituto Rosa Luxemburgo Stiftung.
Publicação traça a geografia das plantações e seus impactos socioambientais
O “Escravo, nem pensar!” começa o ano lançando a cartilha “Deserto Verde” – os impactos do cultivo de eucalipto e pinus no Brasil. A publicação, elaborada pelo programa com base em pesquisa do Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis, outro projeto da ONG Repórter Brasil, traz uma análise dos impactos socioambientais gerados pela monocultura do eucalipto e do pinus (culturas conhecidas como silvicultura) nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. A publicação foi impressa com o apoio do Instituto Rosa Luxemburgo Stiftung.
O material é destinado para professores e professoras, comunidades e entidades socioambientais. A cartilha apresenta dados sobre a extensão das plantações, o volume de produção e investimentos do setor no país. Informações sobre desdobramentos legais de alguns casos e os impactos dos empreendimentos de eucaliptos e pinus sobre comunidades tradicionais completam a publicação. Com o intuito de fomentar a discussão sobre essa questão, a seção “Para debater o tema” apresenta propostas didáticas para refletir sobre o avanço das plantações.
As plantações de eucalipto e pinus ocupam, atualmente, 6,5 milhões de hectares em todo o país. Nas últimas décadas, o cultivo dessas espécies se expandiu significativamente pelo campo, em parte justificado e propagandeado como benfeitoria ambiental.
E qual a finalidade de toda essa plantação? Os eucaliptos servem de matéria-prima para a produção de celulose, carvão vegetal e ferro-gusa, componente do aço. No Brasil, onde há dois grandes pólos siderúrgicos - Carajás (PA) e Betim (MG) - a demanda por esses insumos é constante.
Ocupando, em geral, exclusividade no uso do solo das grandes propriedades em que são plantadas, eucaliptos e pinus acabam formando uma extensa paisagem uniforme. Por conta desse cenário com pouca diversidade de fauna e flora, além dos possíveis efeitos nos recursos hídricos, o termo “deserto verde” vem justamente contrapor a ideia positiva do “reflorestamento” que, cada vez mais, acompanha essas culturas.
Trabalho escravo e conflito agrário
Os casos de trabalho escravo no Brasil têm sido flagrados em distintas atividades agrícolas e o cultivo de eucalipto e pinus também faz parte desse lamentável contexto. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, casos de trabalho escravo nas atividades de pinus e eucaliptos representam 7% do total da “lista suja”, cadastro que registra dados dos empregadores flagrados utilizando mão de obra escrava.
Segundo a cartilha, os impactos da silvicultura não se restringem ao meio ambiente e às violações trabalhistas. Essa atividade econômica atende demandas empresariais de expansão e apropriação de territórios, gerando muitas vezes choque com comunidades tradicionais, como camponeses, quilombolas e indígenas, que possuem uma relação diferente com a terra. Por isso, o conflito agrário, decorrente da disputa por terra, água e outros recursos naturais, acaba sendo uma das piores consequências. Na cartilha, você encontrará informações sobre casos de conflitos e resistência que aconteceram em Minas Gerais, Espírito Santo e no Mapito, região que engloba os estados do Maranhão, Piauí e Tocantins.
Publicação registra e divulga projetos comunitários de prevenção ao trabalho escravo realizados em seis estados
É com alegria que compartilhamos a cartilha “Experiências comunitárias de combate à escravidão 2011”, em que reunimos relatos das 15 iniciativas de prevenção ao trabalho escravo realizadas por escolas e comunidades neste ano, e apoiadas pelo Fundo de apoio a projetos do “Escravo, nem pensar!”.
As experiências foram bem-sucedidas e tiveram ampla repercussão. Com isso, a conscientização sobre o trabalho escravo ganhou força nas comunidades. O público envolvido se apropriou do tema por meio das...
Publicação registra e divulga projetos comunitários de prevenção ao trabalho escravo realizados em seis estados
É com alegria que compartilhamos a cartilha “Experiências comunitárias de combate à escravidão 2011”, em que reunimos relatos das 15 iniciativas de prevenção ao trabalho escravo realizadas por escolas e comunidades neste ano, e apoiadas pelo Fundo de apoio a projetos do “Escravo, nem pensar!”.
As experiências foram bem-sucedidas e tiveram ampla repercussão. Com isso, a conscientização sobre o trabalho escravo ganhou força nas comunidades. O público envolvido se apropriou do tema por meio das apresentações dos trabalhos nas culminâncias, de palestras, de exibições de filmes e peças de teatro, da realização de oficinas e passeatas e da distribuição de materiais impressos com informações sobre o tema. Cada projeto elaborou uma metodologia própria, associando o tema ao conteúdo das disciplinas e outras atividades das escolas, sempre com muita criatividade e engajamento.Os projetos, distribuídos por seis estados (BA, MA, MT, PA, PI e TO), tiveram o objetivo comum de disseminar informações sobre o trabalho escravo contemporâneo no meio rural, alertando estudantes e comunidades sobre o perigo do aliciamento de trabalhadores e divulgando as formas de prevenção e combate a esse crime. Ao todo, as iniciativas alcançaram mais de 6,5 mil estudantes e pelo menos 4,8 mil pessoas da comunidade extra-escolar.
Nos projetos, também foram abordados temas relacionados, como a questão agrária, meio ambiente, exploração infantil e a violência contra a mulher e a exploração sexual, como em “Escravidão feminina no mundo contemporâneo” de Piritiba (BA). Por sua vez, reforçar os elos culturais e identitários e relacionar esses aspectos com a prevenção ao trabalho escravo foi a marca do projeto “As lutas de um povo de uma comunidade quilombola”, realizado em Santa Fé do Araguaia (TO).
Os desdobramentos
Em algumas regiões, o conflito agrário e a violação dos direitos humanos são tão presentes que, inicialmente, houve receio na abordagem. Por isso, os coordenadores do projeto "Purguy contra o trabalho escravo" , realizado em Xinguara (PA), afirmam que foi uma grande vitória romper o silêncio e discutir com os estudantes a situação agrária da região.
Os projetos foram importantes para desnaturalizar situações de exploração. Após ouvirem depoimentos de trabalhadores e verem imagens das condições desumanas nas fazendas onde ocorreram libertações, alguns participantes reconheceram que já sofreram violências semelhantes, porém sem ter consciência de que se tratava de um crime: “Trabalhei muitos anos em fazenda e passei por muitas coisas que eram trabalho escravo e só agora eu sei disso, porque estudei. Agora não vou mais passar por isso, contaMaria de Jesus dos Santos Taveira, 40 anos, participante do projeto “Não há cidadania sem liberdade”, em Araguaína (TO) . Maria é estudante de EJA na Escola Municipal Teresa Hilário e mãe de aluno da mesma escola.
Os estudantes também se tornaram multiplicadores de informações junto às suas famílias e à comunidade, distribuindo materiais, esclarecendo dúvidas de moradores, conversando com pais, filhos e vizinhos.
Outro importante resultado desse processo foram as parcerias estabelecidas entre as escolas e representantes do Ministério Público do Trabalho e da Justiça do Trabalho, como ocorreu em Alta Floresta e Marabá, respectivamente. Além disso, a participação ativa de entidades da sociedade civil que já atuam na luta contra o trabalho escravo fortaleceu muitos projetos.
Esses são apenas alguns resultados alcançados neste ano pelo financiamento das propostas. Na leitura da cartilha, você poderá encontrar informações mais detalhadas, fotos e declarações desses belos exemplos de ação educativa. O intuito é que a publicação não só divulgue as atividades realizadas, mas também inspire novas ideias e metodologia para outros educadores e educadoras.
As ações de prevenção não param
Além dos projetos financiados, muitas iniciativas locais continuam, ano a ano, desenvolvendo de forma autônoma outros projetos, parcerias e atividades didáticas nos municípios que já participam da rede de prevenção, gerando impactos positivos e mantendo o tema do trabalho escravo sempre em evidência. Foi o que presenciamos ao longo deste ano nas visitas às cidades de Confresa (MT), Porto Alegre do Norte (MT), Itupiranga (PA), Xinguara (PA), Avelino Lopes (PI), Cristalândia (PI), Parnaguá (PI), Baixa Grande do Ribeiro (PI), Araguaína (TO) e Campos Lindos (TO).
O Fundo de apoio a projetos do “Escravo, nem pensar!” representa maisum estímulo para algumas dessas importantes ações cotidianas.
O financiamento dos projetos e a publicação da cartilha são frutos da parceria com a Catholic Relief Services (CRS). A distribuição é gratuita e será feita, principalmente, nos locais de atuação do programa.
O “Escravo, nem pensar!” já apoiou 65 projetos comunitários desde 2007. Não deixe de conferir mais informações sobre projetos na seção Projetos Comunitários. Você pode se inteirar com essas experiências e também relembrar importantes projetos de outros anos. Em 2012, novos projetos receberão financiamento.
Parabéns a todos e todas que protagonizaram essas atividades!
Clique aqui para baixar o arquivo da cartilha “Experiências Comunitárias de Combate à Escravidão – 2011”
Veja depoimento de professora de Marabá sobre os projetos de prevenção realizados em sua comunidade
AEscola Municipal Pedro Valle, localizada na área rural de Marabá (PA), tem sido uma grande parceira na luta contra o trabalho escravo. Em 2010, ela desenvolveu o projeto “Trabalho escravo: esclarecer, educar e transformar” e produziu a peça de teatro “Esperança Perdida”, que narra a história de um trabalhador que se torna escravo em uma fazenda. A dramatização foi apresentada nas comunidades da região e se tornou filme, vencedor do prêmio de melhor filme amador no Festival de Cinema de Parauapebas.
Veja depoimento de professora de Marabá sobre os projetos de prevenção realizados em sua comunidade
AEscola Municipal Pedro Valle, localizada na área rural de Marabá (PA), tem sido uma grande parceira na luta contra o trabalho escravo. Em 2010, ela desenvolveu o projeto “Trabalho escravo: esclarecer, educar e transformar” e produziu a peça de teatro “Esperança Perdida”, que narra a história de um trabalhador que se torna escravo em uma fazenda. A dramatização foi apresentada nas comunidades da região e se tornou filme, vencedor do prêmio de melhor filme amador no Festival de Cinema de Parauapebas.
Este ano, para expandir o alcance das ações, o vídeo foi exibido em sete escolas e outras três comunidades de Marabá e Parauapebas (PA), como parte do projeto “Trabalho escravo: informar para libertar”. Após as exibições, os estudantes-atores realizavam rodas de conversa sobre trabalho escravo e as situações de pobreza que levam o trabalhador a ser enganado pelas falsas promessas de aliciadores. Nas visitas, também foram apresentados materiais sobre trabalho escravo e um teatro de fantoches.
Juraci Alves Vieira, diretora da escola, conversou com a equipe do “Escravo, nem pensar!”. Assista a trechos de seu depoimento:
Valdeni da Silva Medeiros é um trabalhador que, aos 38 anos, ocupa uma fazenda onde já foi escravizado. Na luta pela terra, renasceu. Aprendeu a viver. Na nova vida, sofre ameaças de morte. Mas, se nem considerava vida seu modo de existir antes do assentamento Santo Antonio do Bom Sossego, em Palmeirante (TO), no norte do Estado, como pensar em abrir mão das conquistas? Assim, resiste. Ele foi um dos participantes deencontro de formação realizado no próprio projeto de assentamento pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) em parceria com o programa "Escravo, nem pensar!" da Repórter Brasil.
Valdeni da Silva Medeiros é um trabalhador que, aos 38 anos, ocupa uma fazenda onde já foi escravizado. Na luta pela terra, renasceu. Aprendeu a viver. Na nova vida, sofre ameaças de morte. Mas, se nem considerava vida seu modo de existir antes do assentamento Santo Antonio do Bom Sossego, em Palmeirante (TO), no norte do Estado, como pensar em abrir mão das conquistas? Assim, resiste. Ele foi um dos participantes deencontro de formação realizado no próprio projeto de assentamento pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) em parceria com o programa "Escravo, nem pensar!" da Repórter Brasil.
A seguir, Valdeni da Silva Medeiros conta sua história.
Por Carolina Motoki
"Não tinha conhecimento dos meus direitos. Recebi o pouco que ele quis pagar e fiquei quieto". Créditos: Carolina Motoki
Meu nome é Valdeni, nasci em Colinas, norte do estado do Tocantins. Só tive mãe, não conheci meu pai. Tenho oito irmãos. Morei na terra de um padrasto durante um bom tempo, até chegar uma idade de 18 a 20 anos. Então aconteceu que minha mãe teve que separar. A gente não tinha pra onde ir e teve que ir pra um bairro da cidade, construir barracão de palha e morar lá. Não tinha estudo, então comecei a trabalhar na juquira [limpeza de pasto] pra poder manter a despesa da cidade pois não tinha mais onde plantar. Os gatos [aliciadores de trabalhadores] vinham, contratavam a gente, abonavam, levavam pra trabalhar e a gente ia fazer roçado ou serviço que fosse combinado. Fiquei impossibilitado de ter algum conhecimento, nem de direito, nem de autoridade.
Rocei muita juquira, me desgastei, senti que não aguentava mais fazer o serviço adequado que os fazendeiros exigiam. Os patrões eram muito durões. Se não aguentasse trabalhar da forma que eles exigiam então era dispensado e terminava ou trabalhando sujeito sem aguentar ou tinha que passar fome, necessidade. Eu fui trabalhar uma certa vez para um fazendeiro. Depois que eu tinha feito todo o serviço, me pagou menos da metade do prometido, ainda cobrando as passagens de ida e volta. E disse que não pagava mais porque eu já tinha ganhado muito, e que não adiantaria eu ir procurar Justiça ou advogado porque advogado não ia advogar pra gente pobre. Não tinha conhecimento dos meus direitos, recebi o pouco que ele quis pagar e fiquei quieto. Minha esposa teve uma perca [aborto], então eu fui conversar com ele que queria um tempo pra cuidar dela. Ele virou pra mim e disse que vaca velha com aftosa não segurava cria.
Eu simplesmente ficava calado. Sentia um pouco de raiva, mas não poderia fazer nada. Também tinha medo de falar mais sério pra ele. Falava algumas vezes pra gente que peão era do jeito dele. Então, devido não ter conhecimento, terminava me humilhando e ficando quieto. Assim não foi só pra um, mas pra vários fazendeiros. Fui muito, muito escravizado na época. Mas eu não sabia. Pra mim viver naquele tipo era a maneira que tinha que viver mesmo, não tinha noção do trabalho escravo. Pra mim era normal viver aquilo.
Naquele tempo eu bebia muito. Sempre que ia receber as prestações de conta eu ia bêbado. Eu sempre devia, eu nunca tinha saldo. Devido eu ter sido criado naquele regimento dos pais – ó, meu filho, a gente tem que ser homem, tem que pagar o que deve, não pode sujar o nome –, achava que a pinga pra mim poderia ser uma derrota, mas nem tanto como meu nome sujo. Minha preocupação era pagar as contas e partir de uma fazenda pra outra. Na época pra mim era o normal. Eles estão me devendo um bom dinheiro, não é? Se for juntar tudinho que eles tiraram de mim…
"Falei pra minha esposa: olha, não vou trabalhar mais pra ninguém daqui em diante"
Eu estava com 32 anos, eu casei. Minha esposa teve três percas, na última teve que operar. Foi na época que aconteceu esse fato com aquele fazendeiro, ele tratou ela como vaca. E daí por diante eu decidi não trabalhar mais pra fazendeiro.
Comecei a procurar outra maneira de viver, fazer salgado, vender pipoca, depois vender picolé… Em final de 2007, ingressei numa construção civil lá em Colinas, trabalhando de servente. O meu interesse era aprender a ser um pedreiro pra exercer uma profissão melhor. Trabalhei seis meses nessa construção, o patrão não quis assinar minha carteira. Num certo dia, carregando umas vigas de cimento, me baqueei muito. Foi no sábado, não aguentei de dor, não aguentei ir trabalhar, feriu meu ombro, eu fiquei debilitado. Fui na parte da tarde pra receber. O patrão ficou bravo um pouco, expliquei pra ele porque num pude ir. Foi quando ele falou umas coisas, como se eu fosse um cabra mole: se eu não aguentava trabalhar, eu tinha que procurar outro rumo. E fez o pagamento pra mim. Eu recebi e dali eu voltei pra casa assim com uma mente já virada pra procurar outro rumo.
Aí por último agora, em 2008, a gente descobriu o assentamento Santo Antonio do Bom Sossego, terra pública da União. Foi criado em 2003, teve a portaria do Incra, pra 19 famílias. O Incra fez uma negociação estranha tirando dez famílias para dividir esses lotes entre três dos grileiros. Os grileiros alegam que pagaram pra eles regularizando no nome deles.
Eu já tinha sido informado desse assentamento pelos vizinhos, só que era perigoso. Mas tinha oportunidade, lotes vagos. Falei pra minha esposa: olha, não vou trabalhar mais pra ninguém daqui a diante. Vou observar essas posses, porque se a gente conseguir um chão pra gente trabalhar, eu não aguento mais trabalhar pros outros. Vou procurar uma maneira da gente viver por conta, mais livre, procurar viver aquela maneira que eu fui criado.
Eu fui com um vizinho, observamos o assentamento, agradei da terra, onde estou hoje. Eu reconheci que já tinha sido um local onde trabalhei sendo vítima do trabalho escravo. Cheguei a trabalhar lá pra esse fazendeiro, esse grileiro. Naquele mesmo local. Conheci pela cancela, conheci pela estrada velha, pelo local que a gente tinha trabalhado. Inclusive até hoje aquele trabalho ele nunca pagou pra gente. Estou recebendo agora que vou receber a terra. Lá foi roço de juquira e bater veneno. Eu conheci e disse: já tive nesse local aqui, moço, já trabalhei aqui! Essas posses são aqui? Então nós vamos enfrentar de verdade! Se precisar correr uma hora a gente corre, se precisar enfrentar nós vamos ter que enfrentar. Já trabalhei lá mesmo, já tem suor meu derramado, eu vou enfrentar isso.
Daí por diante começaram as ameaças, eu continuei lá com os companheiros. De repente eles perceberam que a gente também ia conversando, que a gente não queria abrir mão, e fomos nos fortalecendo no local. E individualmente cada quem foi fazendo plantio: uma mandioca, milho, subsistência. A gente foi plantando roça e isso foi crescendo com agressões.
"A luta pela terra pra mim hoje é um direito do trabalhador. Direito de dignidade, de viver"
Dentro desse período mais pra trás a gente teve conhecimento de acompanhamento da CPT [Comissão Pastoral da Terra], na pessoa do Silvano [Lima Rezende]. Teve mais o conhecimento da luta pela terra, então isso foi nos fortalecendo a lutar pelo nosso direito, porque a gente tinha certeza de que tinha esse direito. Era nosso direito lutar. Que não era errado lutar por aquilo porque era uma terra pública, considerada terra do governo e terra do governo é pra ser destinada pra reforma agrária, pra pessoas que não têm condições, trabalhadores. A gente foi tomando conhecimento dos direitos da gente.
Quando foi agosto do ano passado, a gente foi surpreendido por esse grileiro. Chegou armado, espingarda nas costas, revólver na cintura, sozinho, montado a cavalo. Falei pra ele o seguinte: você sabe que a gente está esperando essa decisão judicial, que o Incra ou a Justiça resolva o problema. Ele referiu pra mim que mesmo que o Incra desse direito pra nós, eu não ia morar naquela parcela, porque a qualquer momento minha boca poderia amanhecer cheia de formiga. Tranquilo, eu só nasci uma vez e com certeza eu vou morrer, mas tem uma coisa: desistir do meu direito que eu já tenho conhecimento eu não vou desistir.
A gente vê porque eles são tão justiceiros, querem ser acima de tudo, porque eles não são punidos pelos seus atos. Por isso que eles continuam dessa maneira. Porque as autoridades não têm tomado suas providências para averiguar essas situações dando direito ao trabalhador, à trabalhadora, ou seja, ao cidadão. A gente vê que as autoridades são muito lentas e terminam dando oportunidade para que aconteçam atos como muitos assassinatos de famílias de trabalhadores. Porque os ricos, os fazendeiros, os que dizem fazer justiça com as próprias mãos não têm punição.
A área hoje encontra-se num conflito feio. As famílias encontram-se amedrontadas porque tem vários pistoleiros dentro da área. São vários disparos de arma, várias queimas de barraco, vários prejuízos, várias perseguições. As crianças todas sofrem terrores, são atemorizadas, porque constantemente são assustadas com disparo de armas. E então a gente fica lá protegido somente por deus, e eles andam bem armados.
A gente vive lá sabendo que tem o direito de viver, mas correndo risco de vida. A gente tem muito medo, a gente teme pela vida da família. Algumas vezes, dependendo do acontecido, a gente pensa em desistir e voltar pra cidade, porque não tem aonde ir. A gente pensa duas vezes porque voltar pra cidade é voltar pra juquira, voltar pras mãos dos fazendeiros novamente. É voltar pras mãos da escravidão, do trabalho escravo. Então a gente pensa em não desistir, a gente volta atrás, porque lá é onde a gente consegue criar, plantar e colher e sobreviver.
A luta pela terra pra mim hoje é um direito do trabalhador. Direito de dignidade, direito de viver, de trabalhar e também da libertação, ser liberto do trabalho escravo, viver uma vida digna, poder plantar, colher, sobreviver, sem precisar de estar sendo obrigado, sendo mandado, sendo gritado, trabalhando sem poder.
"Hoje, já tem o conhecimento do que é viver a vida, que a vida não é só passar por ela"
Hoje eu tenho meu paiol de arroz, tenho meu paiol de feijão, tenho minha criação de galinha. Hoje a gente já vive 90 por cento independente da cidade. Hoje só depende do açúcar, do café, do óleo e outros temperos, outras coisas mínimas. Mas, numa linguagem sertaneja, o grosso da roça a gente já tem no paiol. Isso sem nenhum apoio do governo, simplesmente com o esforço da gente, esforço que a gente mesmo trabalha. Mesmo com todas as ameaças.
Apesar de ser vítima de um alvo perigoso de morte, eu considero minha vida melhor porque eu trabalho à vontade. Conforme a minha necessidade, eu tenho pra comer à vontade, tenho com sobra, com fartura. O dia que não posso trabalhar porque estou sentindo uma dor de cabeça, hoje minha coluna está zangada, eu posso ficar em casa. Tenho o que comer em casa, tenho o que beber em casa. Não preciso me preocupar que tenho que pagar o armazém, o armazém não quer mais me vender, ou o arroz está acabando tem que ir comprar. Não me preocupo com esta parte. Então eu tenho achado grande mudança na minha vida. Apesar de todo conflito, tenho achado grande melhoria.
O Valdeni realmente foi um personagem que antes era uma figura, ou seja, um desenho, e hoje se tornou realidade. Porque antes ele passava pela vida, hoje o Valdeni vive a vida. Hoje tem um conhecimento mais amplo, hoje já tem o conhecimento do que é viver a vida, que a vida não é só passar por ela. A vida foi feita pra viver, com liberdade, com direitos. A vida foi feita pra viver ela disponivelmente, ter seu direito de viver tranquilo. A vida não foi feita pra viver escravizado. Porque segundo as escrituras a vida é uma dádiva de deus, a vida foi dada por deus e deus deu a vida de graça. Então se ela foi dada de graça é pra viver em liberdade.
Eu posso contar como um novo nascimento a partir primeiro da minha cura, da minha libertação: deus me libertou. Tive esse novo nascimento, acompanhado depois que tive conhecimento dos meus direitos. Eu fui conhecedor que tinha direito de viver tranquilo, meu direito de trabalhar pra viver, viver igualmente qualquer outro cidadão. Eu tinha esse direito. A vida não era normal viver daquela maneira. É um pouco assim.
Depois de Mato Grosso e Maranhão, um novo município paraense se engaja em 2011 na rede de combate à escravidão. Entre os dias 26 e 30 de setembro, aconteceu a formação de educadores e lideranças em Novo Repartimento
Formação foi marcada por atividades em grupo. Crédito: Arquivo Repórter Brasil
Criação de projetos de desenvolvimento sustentável na Amazônia, criação de cooperativas para fortalecer a agricultura familiar, estabelecimento de leis mais severas e realização de campanhas de prevenção foram algumas das propostas apresentadas por professoras, professores e lideranças de Novo Repartimento...
Depois de Mato Grosso e Maranhão, um novo município paraense se engaja em 2011 na rede de combate à escravidão. Entre os dias 26 e 30 de setembro, aconteceu a formação de educadores e lideranças em Novo Repartimento
Formação foi marcada por atividades em grupo. Crédito: Arquivo Repórter Brasil
Criação de projetos de desenvolvimento sustentável na Amazônia, criação de cooperativas para fortalecer a agricultura familiar, estabelecimento de leis mais severas e realização de campanhas de prevenção foram algumas das propostas apresentadas por professoras, professores e lideranças de Novo Repartimento (PA) como medidas para combater o trabalho escravo contemporâneo.
Entre os dias 26 e 30 de setembro, educadores e lideranças participaram de uma formação do “Escravo, nem pensar!” no município. Agora, são cinco os municípios do Pará que atuam na rede do “Escravo, nem pensar!”: Breu Branco, Marabá, Xinguara, Itupiranga e Novo Repartimento.
Entre 1995 e 2010, cerca de 12 mil trabalhadores foram libertados de frentes de trabalho no Estado, geralmente atuando na expansão da fronteira agrícola. A conversão da floresta em pastagem ou matéria-prima para carvoarias é uma realidade dessa região. Por isso, o Pará é um grande pólo de atração de trabalhadores. Muitos são aliciados com promessas enganosas de bom emprego e acabam explorados como mão de obra escrava.
Além do trabalho escravo, os participantes puderam discutir temas como trabalho infantil, exploração sexual, desmatamento, pecuária, questão agrária e violência no campo. Com muita sensibilidade e indignação, os professores e professoras também puderam colocar a realidade local no centro do debate. O município é marcado pelos grandes assentamentos e pela Terra Indígena Parakanã, mas possui casos de exploração de trabalho escravo em grandes fazendas. Atualmente, quatro fazendas flagradas cometendo o crime no município constam na “Lista Suja” organizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Os agricultores enfrentam sérias dificuldades em relação a infra-estrutura dos assentamentos: estradas intransitáveis, linha de crédito restrita e falta de suporte técnico. Produzir respeitando o meio ambiente, escoar e comercializar alimentos têm se tornado um grande desafio. Assim, um território originalmente pensado para afirmar a permanência na terra e a agricultura familiar, hoje vem cedendo cada vez mais espaço para o desmatamento e expansão agropecuária. A discussão sobre trabalho escravo não deixou de ressaltar a necessidade de que cenários de vulnerabilidade na vida no campo como esse sejam revertidos.
Os membros da Comissão Pastoral da Terra de Itaituba e Tucuruí, Egídio Alves Sampaio, Sirlei Carneiro da Silva e Hilário Lopes Costa, participaram de roda de conversa em que relataram seu trabalho de apoio a agricultores e assentados no Estado. A participação da procuradora Bruna Bonfante, do Ministério Público do Trabalho em Marabá, trouxe aos participantes exemplos de ações que vêm sendo aplicadas na repressão ao trabalho escravo.
Após essa semana de formação, a turma terá ainda mais três encontros com a equipe do “Escravo, nem pensar!”, em um intervalo de seis meses cada, para compartilhar informações sobre atividades desenvolvidas nas escolas, projetos pedagógicos e ações nas comunidades, tendo como base os planos de ação formulados pelos próprios participantes.
Elbna também ajudou a desenvolver em Santa Luzia dois projetos comunitários - apoiados pela Repórter Brasil - para discutir a escravidão contemporânea e formas de prevenção. Hoje...
Elbna também ajudou a desenvolver em Santa Luzia dois projetos comunitários - apoiados pela Repórter Brasil - para discutir a escravidão contemporânea e formas de prevenção. Hoje ela é agente especial do "Escravo, nem pensar!" e colabora com nossas ações no Estado.
Neste vídeo, Elbna conversa com uma integrante de nossa equipe e conta essa história:
Município maranhense participou do “Escravo, nem pensar!” entre os dias 22 e 26 de agosto. Ao todo, são 44 municípios participantes do programa
Após formação, participantes terão novos encontros com equipe do programa (Crédito: Arquivo Repórter Brasil)
Zé Pindaré tem 30 anos, é casado e tem 3 filhos. Ele não tem terra, estudou até a 1ª série e é morador da Vila Mariana em Pindaré-Mirim, no Maranhão. Com a chegada de um “gato”, acaba sendo escravizado em uma fazenda de gado em Santana do Araguaia, no Pará. Esta história fictícia foi contada por educadores e educadoras que participaram da formação...
Município maranhense participou do “Escravo, nem pensar!” entre os dias 22 e 26 de agosto. Ao todo, são 44 municípios participantes do programa
Após formação, participantes terão novos encontros com equipe do programa (Crédito: Arquivo Repórter Brasil)
Zé Pindaré tem 30 anos, é casado e tem 3 filhos. Ele não tem terra, estudou até a 1ª série e é morador da Vila Mariana em Pindaré-Mirim, no Maranhão. Com a chegada de um “gato”, acaba sendo escravizado em uma fazenda de gado em Santana do Araguaia, no Pará. Esta história fictícia foi contada por educadores e educadoras que participaram da formação do “Escravo, nem pensar!”, mas poderia ser real: de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego, pelo menos sessenta trabalhadores de Pindaré-Mirim foram libertados da escravidão pela fiscalização.
Participantes demonstraram bastante sensibilidade perante as informações sobre o trabalho escravo no Maranhão e no Brasil. Ficaram chocados com a situação dos trabalhadores e com a falta de punição para quem comete essa grave violação dos direitos humanos. Além do trabalho escravo, foram debatidas temáticas relacionadas, como a concentração fundiária, a exploração sexual de mulheres e meninas e a fronteira agrícola, entre outras.
A formação também contou com a participação de Elbna Carvalho e Gracinha Silva, do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos de Açailândia "Carmen Bascarán" (MA), e representantes da Justiça nos Trilhos, irmã Sandra Araújo dos Santos e Marcio Zonta. No quarto dia de formação, os participantes receberam Christiane Nogueira e Virgínia Passos, procuradoras do Ministério Público do Trabalho, que esclareceram dúvidas sobre os processos trabalhistas e sobre sua atuação no combate ao trabalho escravo.
A formação de cinco dias é o pontapé inicial para que escolas e comunidades de Pindaré-Mirim se engajem na luta contra o trabalho escravo, realizando atividades e levantando a reflexão sobre trabalho escravo junto à sociedade.
Proposta pode ser utilizada por educadoras e educadores de diferentes disciplinas
Apesar de ser o segundo maior bioma do país, as ameaças à preservação do Cerrado não recebem tanto destaque na imprensa. E poucas pessoas sabem que o Cerrado apresenta uma taxa de desmatamento superior à da Amazônia. Para ajudar a ampliar esse debate, foi publicado um novo plano de aulas em nosso site, com sugestões para debater com estudantes essa situação. A atividade didática inclui discussão sobre desmatamento, carvoarias, concentração de terras, trabalho escravo e sustentabilidade.
Proposta pode ser utilizada por educadoras e educadores de diferentes disciplinas
Apesar de ser o segundo maior bioma do país, as ameaças à preservação do Cerrado não recebem tanto destaque na imprensa. E poucas pessoas sabem que o Cerrado apresenta uma taxa de desmatamento superior à da Amazônia. Para ajudar a ampliar esse debate, foi publicado um novo plano de aulas em nosso site, com sugestões para debater com estudantes essa situação. A atividade didática inclui discussão sobre desmatamento, carvoarias, concentração de terras, trabalho escravo e sustentabilidade.
O Cerrado ocupa aproximadamente 25% do território nacional e se espalha pelos Estados do Maranhão, Piauí, Bahia, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal. No Cerrado também estão concentradas inúmeras populações indígenas e manifestações culturais importantes, como as festas populares, além de comunidades caipiras, quilombolas e caboclas.
Esta atividade didática explora as diversas características do Cerrado e propõe pesquisas para que os alunos e as alunas descubram quais são os principais problemas e alternativas para promover o desenvolvimento sem destruição.
O plano de aulas pode ser utilizado em diversas disciplinas, como História, Geografia, Literatura, Artes e Biologia.
Clique aqui para acessar a atividade. E deixe em nosso site seus comentários e sugestões de mudança.
A atividade contou com a presença de educadores, educadoras e entidades que atuam na prevenção e no combate ao trabalho escravo
Oficina teve participação de escolas e entidades (Crédito: Gustavo Ohara)
Enquanto saboreia o churrascão de domingo ou toma banho com um cheiroso sabonete você imagina que os produtos carregam a mancha do trabalho escravo? Ou que contribuem para a derrubada da floresta amazônica? As pessoas que participaram da oficina “Cadeias produtivas e trabalho escravo”, realizada no último dia 9 em Araguaína, no Tocantins, pensaram – e muito – sobre essas questões. E ficaram...
A atividade contou com a presença de educadores, educadoras e entidades que atuam na prevenção e no combate ao trabalho escravo
Oficina teve participação de escolas e entidades (Crédito: Gustavo Ohara)
Enquanto saboreia o churrascão de domingo ou toma banho com um cheiroso sabonete você imagina que os produtos carregam a mancha do trabalho escravo? Ou que contribuem para a derrubada da floresta amazônica? As pessoas que participaram da oficina “Cadeias produtivas e trabalho escravo”, realizada no último dia 9 em Araguaína, no Tocantins, pensaram – e muito – sobre essas questões. E ficaram chocadas com o que descobriram.
A oficina tomou como exemplo a pecuária para mostrar como sua cadeia produtiva está recheada de diversos problemas socioambientais: casos de trabalho escravo, o desmatamento provocado pelo avanço da atividade sobre a Amazônia e o Cerrado, e a grilagem de terras.
Também foram apresentadas outras ramificações da cadeia produtiva do gado não ligadas ao consumo da carne, como as do couro e da destinação dada ao sebo bovino, muitas vezes desconhecidas. Por fim, refletiu-se sobre os danos provocados aos trabalhadores em todas as etapas da produção, destacando o caso dos frigoríficos por meio do vídeo-documentário “Carne Osso”, produzido pela Repórter Brasil.
Impacto
A oficina causou comoção em quem participou. A maioria das pessoas não tem conhecimento sobre os problemas socioambientais da carne, nem imagina que a cadeia da pecuária é tão extensa e envolve tantos produtos do cotidiano. Foi bem interessante perceber como a maioria do gado acaba sendo destinada para outras regiões do país e para exportação, e que na região ficam as sobras e os impactos.
"Fiquei bastante impressionado com o interesse das pessoas sobre a origem daquilo que consomem e o destino daquilo que é produzido na região onde vivem", afirma André Campos, da equipe de pesquisas em cadeias produtivas da Repórter Brasil, que ministrou a oficina junto com o "Escravo, nem pensar!". "Conhecer essa complexa cadeia econômica, a origem e o destino das matérias-primas, bem como os problemas associados ao seu beneficiamento, não é apenas fundamental para promover o chamado 'consumo consciente', mas também para que as pessoas adotem uma postura crítica sobre as atividades econômicas desenvolvidas em seus municípios".
Participaram da oficina professoras das escolas Teresa Hilário Ribeiro e Norte Goiano, de Araguaína, e da escola Emanuel, da comunidade quilombola de Cocalinho, de Santa Fé do Araguaia. Também estavam presentes agentes da Comissão Pastoral da Terra de diversos Estados, e integrantes do Centro de Direitos Humanos de Araguaína e da Visão Mundial.
Se quiser saber mais sobre o assunto, acesse em nosso site a cartilha "Cadeias Produtivas & Trabalho Escravo – Cana – Carne – Carvão – Soja – Babaçu”.
Imagem da oficina Cadeias produtivas e trabalho escravo
Esta proposta é especialmente desenvolvida para educadores e educadoras da Amazônia, mas também pode levantar a reflexão em outras partes do país
Você já parou pra pensar que há mais cabeças de gado no Brasil do que habitantes? E sabe que a floresta amazônica tem tombado para dar lugar a pastagens? Essas são algumas das perguntas colocadas na nova atividade que acaba de ser lançada em nosso site, na seção Materiais. Seu objetivo é tentar enfocar os impactos socioambientais da pecuária, atividade econômica que concentra o maior número de casos de trabalho escravo em nosso país.
Esta proposta é especialmente desenvolvida para educadores e educadoras da Amazônia, mas também pode levantar a reflexão em outras partes do país
Você já parou pra pensar que há mais cabeças de gado no Brasil do que habitantes? E sabe que a floresta amazônica tem tombado para dar lugar a pastagens? Essas são algumas das perguntas colocadas na nova atividade que acaba de ser lançada em nosso site, na seção Materiais. Seu objetivo é tentar enfocar os impactos socioambientais da pecuária, atividade econômica que concentra o maior número de casos de trabalho escravo em nosso país.
Depois de refletir sobre alguns números, estudantes e comunidades terão oportunidade de analisar como a pecuária está relacionada ao desmatamento e ao processo de “ocupação” da Amazônia a partir da década de 1970. Além disso, por meio de cruzamentos de mapas, veremos que o avanço dessa atividade sobre a floresta tem estreita relação com as libertações realizadas pelo Grupo Móvel de Fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego.
Por fim, chegamos à discussão sobre o estudo da cadeia produtiva da pecuária. A carne que consumimos foi produzida com o emprego da mão de obra escrava? Ela vem de áreas desmatadas ilegalmente?
Clique aqui para acessar a atividade. E deixe em nosso site seus comentários e sugestões de mudança.
A temática passou a fazer parte das propostas de trabalho para jovens e educadores de todo Brasil que integram essa rede
A partir de uma sugestão de pauta, estudantes de todo Brasil podem elaborar, em parceria com seus professores e professoras, reportagens, filmagens e produzir outros materiais para abordar aspectos da sua realidade, divulgados na internet para jovens e escolas de diversas regiões do país. Junto a isso, pensar em ações e colocá-las em prática para combater o problema diagnosticado. É essa a proposta da Rede Social Minha Terra.
A temática passou a fazer parte das propostas de trabalho para jovens e educadores de todo Brasil que integram essa rede
A partir de uma sugestão de pauta, estudantes de todo Brasil podem elaborar, em parceria com seus professores e professoras, reportagens, filmagens e produzir outros materiais para abordar aspectos da sua realidade, divulgados na internet para jovens e escolas de diversas regiões do país. Junto a isso, pensar em ações e colocá-las em prática para combater o problema diagnosticado. É essa a proposta da Rede Social Minha Terra.
Após conversas com o programa “Escravo, nem pensar!”, foi sugerida a pauta “Trabalho escravo, não!”. O objetivo é abordar situações de trabalho escravo nos dias de hoje, as consequências para trabalhadores e sociedade e estabelecer relações entre cadeias produtivas e a exploração dos trabalhadores. Além disso, realizar pesquisas na mídia sobre o tema e refletir sobre como se pode reagir ao problema.
A Rede Social Minha Terra faz parte do EducaRede. No portal, há materiais pedagógicos para apoiar educadores na prática com Tecnologia da Informação e da Comunicação (TIC), estudos teóricos e relatos de experiências pedagógicas.
A proposta pode ser realizada em parceria entre educadores e educadoras de Ciências Humanas e Matemáticas
Charge de Baraldi compõe atividade
Está no ar aqui no site do “Escravo, nem pensar!” uma nova sugestão de atividade, na seção Materiais. Quando falamos em trabalho escravo rural contemporâneo ou mesmo quando abordamos a realidade agrária brasileira, não temos como fugir de um assunto que se faz presente em nossa história desde que as caravelas portuguesas aqui desembarcaram: a concentração da terra. O nosso país é um dos mais desiguais neste quesito: poucos detêm muita terra, muitos têm...
A proposta pode ser realizada em parceria entre educadores e educadoras de Ciências Humanas e Matemáticas
Charge de Baraldi compõe atividade
Está no ar aqui no site do “Escravo, nem pensar!” uma nova sugestão de atividade, na seção Materiais. Quando falamos em trabalho escravo rural contemporâneo ou mesmo quando abordamos a realidade agrária brasileira, não temos como fugir de um assunto que se faz presente em nossa história desde que as caravelas portuguesas aqui desembarcaram: a concentração da terra. O nosso país é um dos mais desiguais neste quesito: poucos detêm muita terra, muitos têm pouca terra ou terra nenhuma.
A proposta da atividade é discutir como se dá a distribuição da terra na sua região e em nosso país e suas origens. Também vamos refletir sobre as consequências que a concentração fundiária provoca, tanto no campo como nas cidades.
Além disso, durante a sequência, será possível abordar os seguintes temas: a produção de alimentos, a agricultura familiar, a história da terra em nosso país, e a resistência de trabalhadores e dos povos do campo.
Clique aqui para acessar a atividade. Não deixe de criar novas ideias a partir do que propomos e de deixar seus comentários em nosso site.
Atingidos pelas lavouras de grãos de Campos Lindos, no Tocantins, se reuniram para diagnóstico entre os dias 20 e 22 de junho
Casa de seu Francisco recebeu os participantes (Crédito: Arquivo Repórter Brasil)
“Meu nome é Francisco, da comunidade São Francisco, minha terra beira o ribeirão São Francisco”. Assim se apresentou o dono da casa que acolheu os participantes do encontro. Sob a sombra de mangueiras, de um lado um morro e o cerrado, de outro compridos buritis sobre o brejo, camponeses e camponesas de cinco comunidades atingidas pela soja em Campos Lindos, no Tocantins, reuniram-se para...
Atingidos pelas lavouras de grãos de Campos Lindos, no Tocantins, se reuniram para diagnóstico entre os dias 20 e 22 de junho
Casa de seu Francisco recebeu os participantes (Crédito: Arquivo Repórter Brasil)
“Meu nome é Francisco, da comunidade São Francisco, minha terra beira o ribeirão São Francisco”. Assim se apresentou o dono da casa que acolheu os participantes do encontro. Sob a sombra de mangueiras, de um lado um morro e o cerrado, de outro compridos buritis sobre o brejo, camponeses e camponesas de cinco comunidades atingidas pela soja em Campos Lindos, no Tocantins, reuniram-se para avaliar como resistiram aos impactos até o momento e fazer um diagnóstico da situação atual. O contraste entre o cenário onde aconteceu o encontro e os imensos campos de soja, sem mangueiras ou buritis, impressiona. Outro contraste também chama atenção: o município é o maior exportador de soja do Estado e, ao mesmo tempo, o mais pobre do Brasil.
Para realizar o diagnóstico, inicialmente cada comunidade elaborou um mapa, apontando: os recursos naturais, seu uso e eventual degradação; a produção agropecuária; se o trabalho da família se dá apenas no lote ou se é necessário trabalhar nas fazendas; os espaços sociais e as residências; a situação da posse da terra. As comunidades participantes foram: Vereda Bonita, Passagem de Areia, Raposa, São Francisco e Sussuarana.
Grupo realizou diagnóstico dos impactos da soja (Crédito: Arquivo Repórter Brasil)
No segundo dia, foi o momento de saber se os recursos – naturais, humanos, estruturais, financeiros – das comunidades estão vulneráveis em função de alguns riscos a que estão submetidos, como desmatamento, envenenamento por agrotóxicos, o avanço da soja. De acordo com o grupo, a soja é o fator que oferece mais impactos à região e acaba gerando outros problemas para as comunidades. O mau cheiro do veneno usado nas lavouras e as doenças que ele provoca, a contaminação das águas, a expulsão de famílias, a morte dos animais são alguns dos exemplos citados.
Por fim, o grupo analisou suas forças e fraquezas. A partir delas, em julho será feito um plano de ação com objetivo de ampliar a organização das comunidades, fortalecendo a resistência. O encontro foi realizado pela Comissão Pastoral da Terra em parceria com a Repórter Brasil. O programa “Escravo, nem pensar!” iniciou sua atuação no município em 2008.