Ano de realização da formação
- professores e professoras:
2010
Parceiros locais:
Comissão Pastoral da Terra, Secretaria da Educação e Cultura do Piauí e Secretaria Municipal de Educação, Fórum Estadual de Combate ao Trabalho Escravo no Piauí, Coordenadoria de Direitos Humanos do Estado do Piauí e TAM Linhas Aéreas.
Outros parceiros:
Ministério Público do Trabalho, Organização Internacional do Trabalho, Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e TAM Linhas Aéreas
Atividades realizadas:
O município de Cristalândia do Piauí viveu situação política peculiar após a realização das formações do programa “Escravo, nem pensar!” em junho de 2010. Uma decisão judicial cassou o mandato do prefeito e determinou a organização de nova eleição. Os participantes do “Escravo, nem pensar!” que compareceram ao primeiro encontro de acompanhamento relataram que o clima de incerteza política atingiu diretamente seus trabalhos, por conta de possíveis mudanças em nomeação de cargos e instabilidade de profissionais da educação não concursados. Com isso, alegaram não ter havido contexto favorável para que se dedicassem a desenvolver atividades sobre trabalho escravo, tampouco realizar projetos específicos sobre o tema.
Diante desse quadro, o primeiro encontro de acompanhamento foi dedicado a explicar aos professores e professoras que agora eles faziam parte do programa e que poderiam continuar contando com as visitas e o apoio da equipe de educadores, independente do apoio da gestão que assumisse a prefeitura. Houve também incentivo para que inscrevessem projetos a serem financiados pelo Fundo de apoio do “Escravo, nem pensar!”.
Em 2011, a Escola Estadual Oberlim da Cunha Nogueira realizou um projeto articulado pelas professoras de Filosofia e Redação. Depois de algumas aulas abordando o tema com as turmas de 1º e 3º ano do Ensino Médio, os alunos se organizaram em grupos para propor e criar apresentações para a culminância, prevista para encerrar o semestre na escola. Haverá uma exposição de dissertações, paródias, dramatização e coreografia. As professoras estão ansiosas para desenvolver um projeto maior, que envolva mais disciplinas e toda a escola no segundo semestre, usando o 20 de novembro como mote.
Ao longo de 2012, escolas abordaram o tema nas disciplinas de Português, Ciências, Filosofia, História, Geografia e Língua Portuguesa. Professores e professoras trabalharam o tema relacionando-o a outros como trabalho infantil, exploração sexual, racismo e preconceito, conceito de Estado e de Organização Não Governamental. Houve desenvolvimento de projetos em três escolas: Martiniano Pereira França, Oberlim da Cunha Nogueira e Coronel José Nogueira. As duas primeiras aproveitaram o 7 de setembro para abordar o tema em relação com a escravidão colonial e imperial. Na Escola Coronel Nogueira o projeto foi desenvolvido pelos professores de Sociologia com apoio da coordenação escolar. Teatro, exposição de textos, maquetes, músicas e paródias com imagens foram algumas das atividades desses projetos.
Além do compartilhamento de experiências, no último encontro houve também um momento de reflexão sobre as transformações necessárias para fazer de Cristalândia do Piauí um município melhor. Os participantes citaram a necessidade de um olhar específico para a educação no campo, a realização da reforma agrária, recuparação do Rio Palmeira e o desenvolvimento agrícola e industrial com respeito ao meio ambiente e à legislação trabalhista. Um dos principais desafios diagnosticados é o combate ao trabalho infantil, garantindo o acesso das crianças do campo a uma educação de qualidade.
Depois desse último encontro, a equipe do programa continuará em contato com o município, ainda que não presencial, principalmente por meio dos agentes especias. Esperamos que a intervenção do programa, com a formação e os encontros de acompanhamentos, tenha mobilizado educadores e lideranças para que se tornem autônomos na abordagem da prevenção ao trabalho escravo nas escolas e atividades comunitárias.
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