Escravo, Nem Pensar
 

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Metodologia educacional
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Metodologia educacional

A metodologia da formação do “Escravo, nem pensar!” é aprimorada frequentemente. Em 2007, a proposta de formação de educadores, educadoras e de lideranças passou por uma ampla reestruturação, com consultoria da ONG Ação Educativa. E, desde então, cada formação exige da equipe do programa preparação didática específica.

Educadora em atividade de definição do trabalho escravo
Crédito: Arquivo Repórter Brasil 

São feitas pesquisas e diagnósticos sobre a conexão da região com o tema do trabalho escravo e as particularidades do município e do Estado em relação a temas como: ocupação histórica, estrutura fundiária, impactos ambientais, expansão do agronegócio, impactos sociais, presença de comunidades indígenas e quilombolas, conflitos no campo, entre outros. Também são criadas atividades pedagógicas sobre temas específicos relevantes para cada região, com o objetivo de desenvolver uma abordagem contextualizada do trabalho escravo contemporâneo.

Os temas tratados se relacionam às causas estruturais do trabalho escravo ou às consequências desse tipo de exploração, conferindo a essa questão sua dimensão social, política, econômica e ambiental, que não pode ser ignorada para sua total compreensão. Assim, são discutidos: o trabalho na nossa sociedade; questão agrária e movimentos de luta pela terra; questão ambiental e fronteira agrícola amazônica e do Cerrado; migração, tráfico de pessoas e aliciamento; trabalho infantil; exploração sexual de mulheres; desenvolvimento e agronegócio; economia solidária e formas de autonomia.

Professores em atividade em grupo na formação de 
Baixa Grande do Ribeiro (PI)
Crédito: Arquivo Repórter Brasil 

Um dos princípios em que se baseia a metodologia do programa diz respeito à construção coletiva do conhecimento para que os participantes se apropriem do tema. São criados personagens, cenários e histórias; preenchidas tabelas; modificados mapas; feitas pesquisas em casa e na comunidade; produzidos textos e desenhos.

Com isso, pretende-se explorar o conhecimento dos participantes e fazer com que sejam co-autores do conteúdo construído, e não apenas receptores. Pretende-se mostrar também que não é apenas o produto final que importa, mas todo o processo de aprendizagem, para que isso também seja levado em conta na hora de abordar o tema ou de realizar os projetos educacionais com estudantes ou com a comunidade.

Essa construção conjunta permite ainda fazer com que o conteúdo parta da realidade local, mostrando que o trabalho escravo está de alguma forma inserido no cotidiano daquelas pessoas, o que pode sensibilizá-las para o problema e mobilizá-las para o combate a essa formação de violação dos direitos humanos.

Nas formações com professores e professoras, há a preocupação de conversar com os participantes sobre as atividades pedagógicas propostas. Estão previstas breves conversas sobre o papel do educador na mudança da realidade social, as dificuldades na elaboração de um projeto educacional e a importância de adequar os conteúdos programáticos à realidade local.

Também são reiteradas as formas de utilização em sala de aula de cada atividade, dando especial atenção para a importância da interdisciplinaridade. Isso quer dizer que pretendemos contribuir para a união de várias áreas do conhecimento em torno do mesmo tema, o trabalho escravo, pensando na forma como cada uma se relaciona com ele.

No final da formação, educadores e educadoras devem elaborar um plano de ação para suas escolas, que é discutido com os facilitadores e o grupo. Dessa forma, saem do curso com uma proposta concreta a ser discutida na escola e colocada em prática no período subseqüente, incluindo abordagem do tema em sala de aula por diferentes disciplinas; atividades em datas comemorativas, trazendo uma abordagem crítica a elas, como Dia do Trabalho e Dia da Consciência Negra; inserção em projetos da escola, como feiras de conhecimento e ciclos de debates; elaboração de projetos educacionais específicos sobre o tema, em diferentes formatos; e inserção do tema no planejamento escolar. Eles também são estimulados a articular diferentes escolas na realização dos projetos.

Professores na noite cultural em Avelino Lopes (PI)
Crédito: Arquivo Repórter Brasil 

Para encerrar a semana, organiza-se uma tarde ou noite cultural em que os participantes apresentam de maneira lúdica os conteúdos que mais despertaram atenção e compartilham de forma criativa novos modos de apresentar o tema e sensibilizar a população.

O programa “Escravo, nem pensar!” também desenvolve novas metodologias para a reflexão sobre trabalho escravo de forma contextualizada. Atualmente, o programa realiza experiência de formação com famílias acampadas em Palmeirante, no Tocantins. O objetivo é construir uma abordagem específica para este público sobre a importância da luta pela terra no contexto de prevenção e erradicação do trabalho escravo no país.  




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