Quando e onde aconteceu:
O Festival da Abolição – Semana da Terra Padre Josimo movimentou o Estado do Tocantins no primeiro semestre de 2008, tendo sua culminância de 12 a 16 de maio em Araguaína e região. Esta semana foi escolhida pela data da morte de padre Josimo (assassinado no dia 10 de maio de 1986 por sua luta junto aos posseiros do Bico do Papagaio) e pelo aniversário de 120 anos da Lei Áurea.
Parceiros:
Comissão Pastoral da Terra (CPT), Centro de Direitos Humanos de Araguaína e Pastoral da Juventude Rural
Financiado por:
O financiamento do festival foi obtido pela CPT por meio dos Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) do Ministério Público do Trabalho, relativos a casos de trabalho escravo. Além disso, o festival teve apoio das secretarias municipais de educação e de cultura de Araguaína, da Delegacia Regional de Ensino de Araguaína, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, da Organização Internacional do Trabalho, do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Tocantins (SINTET), da Academia Araguainense de Letras (Acalanto), dos Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Araguaína e região, do MST, entre outros.
A proposta:
O Festival da Abolição foi um grande encontro dos participantes do “Escravo, nem pensar!” do Tocantins e da vizinha São Geraldo do Araguaia, no Pará, com atividades que movimentaram escolas e comunidades, contando com grande participação da população local.
Desde 2005, educadores e lideranças do “Escravo, nem pensar!” vinham desenvolvendo muitas atividades interessantes sobre o tema da escravidão rural contemporânea. A partir dessa mobilização, surgiu a idéia do festival: “vamos mostrar a cara do Tocantins que combate a escravidão para levantar uma reflexão sobre o problema e suas causas”.
Atividades:
- Mostra artística das comunidades
A mostra artística das comunidades começou a ser preparada em fevereiro, quando foram abertas as inscrições para os grupos interessados em se apresentar no festival, nas categorias dança, teatro, música ou paródia, obra de arte e poesia. Mais de 80 projetos foram inscritos por cerca de 900 pessoas de grupos amadores de 16 municípios.
A partir dessas inscrições, foram realizadas oficinas em 9 municípios-pólo (Axixá, Xambioá, Riachinho, Muricilândia, Juarina, Nova Olinda, Araguaína e Goiatins, no Tocantins, e São Geraldo, no Pará). Nessas oficinas, além do conteúdo sobre trabalho escravo, foram discutidos os orçamentos apresentados por eles. Ao todo, 65 projetos receberam financiamento de até trezentos reais, envolvendo diretamente alunos, professores e outras pessoas da comunidade.
De 25 de abril a 5 de maio, foram realizados nos municípios-pólo os Pré-Festivais da Abolição. Neles, uma comissão selecionou os projetos para serem apresentados em Araguaína. Os pré-festivais foram momentos importantes de apresentações nos diversos municípios, descentralizando a informação sobre o tema e reunindo em praça pública aproximadamente três mil pessoas.
O envolvimento dos participantes do “Escravo, nem pensar!” foi muito importante. A maioria dos 80 projetos artístico-culturais apresentados partiram de professores e lideranças formadas pelo programa. Para a realização dos pré-festivais nos nove municípios-pólo, a organização contou com a colaboração de professores e professoras do “Escravo, nem pensar!” que se tornaram reais parceiros nessas localidades, cumprindo um importante papel na mobilização de toda comunidade para participação no festival.
Das oficinas, animações e exposições na praça principal de Araguaína, participaram os grupos da mostra artística das comunidades e o público em geral. Foram oficinas de pintura, teatro, percussão, leitura, capoeira, rap, desenho, contação de história... Na praça, também foi montada uma banca de documentação civil, para que os participantes e a população pudessem fazer seus documentos básicos. Foram coletadas assinaturas para o abaixo-assinado da PEC do Trabalho Escravo e vendidos alguns materiais do festival (como bolsas e camisetas).
A marcha da abolição reuniu cerca de mil pessoas de escolas, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e trabalhadores locais numa passeata por algumas das principais ruas de Araguaína. Ela saiu da Universidade Federal do Tocantins até a praça principal da cidade, com quatro paradas, nas quais aconteceram algumas apresentações, com faixas e cartazes contra a escravidão contemporânea, contra o agronegócio e grandes projetos.
Na mostra de filmes foram exibidos diversos títulos, como “Nas Terras do Bem Virá”, “Raimunda, a quebradeira”, Aprisionados por promessas”, “Batismo de sangue”, “Ato de fé”, “A lenda da terra dourada”, “Expedito, em busca de outros nortes”, “Correntes” e “Antes, Um Dia e Depois”. Houve debates relacionados aos filmes, com o diretor Caio Cavechini, e com Xavier Plassat (CPT), Luzia Canuto (Comitê Rio Maria) e Ricardo Rezende (Movimento Humanos Direitos).
Os “artistas da terra” se apresentaram ao longo do festival. São atores, cantores, pintores, grupos de dança e capoeiristas da região convidados para enriquecer as atividades previstas e envolvê-los com o tema. Entre eles, destaca-se a participação do grupo de dança do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos de Açailândia.
Entre os lançamentos de livros, está “Dorothy Stang – a dádiva maior”, de Binka Le Breton, autora de outros dois livros sobre temas relacionados (“Vidas Roubadas”, que aborda o trabalho escravo, e “Todos Sabiam”, sobre o assassinato de padre Josimo). Ela esteve presente para debates em Araguaína, Colinas e em Buriti. O livro “Escravo, nem pensar! – como abordar o tema do trabalho escravo na sala de aula e na comunidade”, publicado no final de 2007, foi lançado na mostra artística das comunidades e na reunião da Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae-TO), que aconteceu em Araguaína em função do festival. Também foram lançados o caderno “Conflitos no Campo 2008”, da CPT, e “Bernardo” e “Ato Primavera”, com poemas de Charles Trocate.
A participação das universidades se deu por meio de palestras e debates. Na Faculdade Católica Dom Orione, por exemplo, foi organizada uma semana jurídica, em que um dos temas abordados foi o trabalho escravo, num debate com a presença de Andréa Bolzon, da Organização Internacional do Trabalho, e da então Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão, Ela Wiecko.
O show de encerramento do festival, na sexta-feira, 16 de maio, na praça principal de Araguaína, contou com a presença de artistas regionais importantes, como Juraíldes da Cruz, Zeca Tocantins e Cícero Jesus.
Materiais produzidos:
Camisetas, banner, cartazes, e folder de divulgação, adesivo e cartaz de divulgação.