Escravo, Nem Pensar
 

Ocupação Bom Jesus – Palmeirante, Tocantins

Desde 2008, a formação de lideranças realizada pelo “Escravo, nem pensar!” vem sendo reavaliada e reestruturada para ampliar seu impacto. Anteriormente, ela ocorria nos mesmos municípios da formação de educadores e educadoras, reunindo durante dois dias representantes de várias entidades, como sindicatos, associações, pastorais e movimentos sociais.

Em nossa avaliação, era necessária uma formação mais específica, que levasse em conta as particularidades de cada entidade ou movimento, para que a prevenção ao trabalho escravo se tornasse mais efetiva e relacionada com as demandas de cada um.

Atividade com os trabalhadores do Bom Jesus
Crédito: Arquivo Repórter Brasil 

A partir de então, começaram a se delinear algumas propostas. Uma delas seria a elaboração de uma metodologia para atuar em uma comunidade vulnerável, a ser aplicada em parceria com entidades que atuam diretamente com os trabalhadores. O piloto está sendo colocado em prática na ocupação Bom Jesus, no município de Palmeirante, no Tocantins, em parceria com a Comissão Pastoral da Terra Tocantins. 

Os objetivos

A equipe do “Escravo, nem pensar!” acredita que uma das principais armas contra o trabalho escravo é a organização dos próprios trabalhadores na luta pela conquista de seus direitos. Assim, a atuação na ocupação Bom Jesus tem como princípio o espaço da formação enquanto forma de ampliar a mobilização do grupo. A prevenção ao trabalho escravo é pensada de maneira ampliada: não somente através da multiplicação da informação, mas no reconhecimento dos próprios trabalhadores enquanto sujeitos de suas histórias. Assim, os encontros de formação são potencializadores do processo educativo que já acontece no movimento de luta pela terra, e caminham no sentido da emancipação dos trabalhadores e das trabalhadoras da ocupação. 

A ocupação

A comunidade tem 30 famílias, organizadas, morando na área, já distribuídas em lotes. Ela foi formada em 2007, com pessoas das periferias de Nova Olinda, Araguaína e Palmeirante. São duas áreas em disputa: a fazenda Recreio e a fazenda Freitas. A Recreio está em processo de compra pelo Incra. A outra está em conflito. Os homens que compõem a ocupação costumam trabalhar em fazendas da região e todos têm rede de relação muito estreita com as periferias, onde as pessoas são também vulneráveis ao trabalho escravo. A área é cortada pela ferrovia Norte-Sul.



Discussão sobre regimento interno

15/06/2011

Neste encontro, cerca de 40 homens e mulheres se reuniram para se apropriarem dos instrumentos do regimento interno, aprovado no mês passado. O documento traz regras relacionadas à organização política, direitos e deveres dos acampados.

A reunião iniciou com uma dinâmica de construção de bonecos, para reflexão sobre a importância do trabalho coletivo, comunicação e união entre as diversas famílias que estão na luta pela conquista da terra. Em seguida, o ...



Discussão sobre regimento interno

15/06/2011

Neste encontro, cerca de 40 homens e mulheres se reuniram para se apropriarem dos instrumentos do regimento interno, aprovado no mês passado. O documento traz regras relacionadas à organização política, direitos e deveres dos acampados.

A reunião iniciou com uma dinâmica de construção de bonecos, para reflexão sobre a importância do trabalho coletivo, comunicação e união entre as diversas famílias que estão na luta pela conquista da terra. Em seguida, o regimento foi apresentado em cartazes.

Desde 2007, trinta famílias ocupam duas áreas: a fazenda Recreio e a fazenda Freitas. O fazendeiro da primeira está negociando a terra com o Incra. Na segunda fazenda, em outubro do ano passado foi assassinado o trabalhador Gabriel Vicente de Souza Filho, segundo testemunhas, pelo fazendeiro e por dois pistoleiros. Em homenagem, hoje as famílias ocupantes dessa área batizaram o espaço como Acampamento Gabriel Filho. 

Bom Jesus - 15/06/2011

Famílias das duas áreas compareceram / Repórter BrasilAtividade em grupo / Repórter BrasilGrupo se diverte ao realizar desenho / Repórter BrasilEdmundo, da CPT, fala sobre situação no Incra / Repórter BrasilTrabalhadores escutam Silvano, da CPT / Repórter BrasilEntrada do acampamento Gabriel Filho / Repórter Brasil
Na sombra, trabalhadores fazem desenho / Repórter Brasil
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De volta ao acampamento em 2011

17/01/2011

No final de 2011, o Incra realizou audiência pública para comprar a fazenda Recreio. A compra foi acertada e as famílias cadastradas nesta parte do acampamento serão assentadas.

Em reunião realizada no dia 15, alguns pontos foram levantados, como a necessidade de retorno da escola para que as crianças da ocupação possam estudar e a organização do grupo da área da fazenda Freitas.

Neste dia, as famílias receberam visitas de membros do "Escravo, nem pensar!" que foram conhecer o acampamento.

...



De volta ao acampamento em 2011

17/01/2011

No final de 2011, o Incra realizou audiência pública para comprar a fazenda Recreio. A compra foi acertada e as famílias cadastradas nesta parte do acampamento serão assentadas.

Em reunião realizada no dia 15, alguns pontos foram levantados, como a necessidade de retorno da escola para que as crianças da ocupação possam estudar e a organização do grupo da área da fazenda Freitas.

Neste dia, as famílias receberam visitas de membros do "Escravo, nem pensar!" que foram conhecer o acampamento.

Bom Jesus - visita em janeiro

Equipe conversa com trabalhador / Crédito: Gustavo OharaMística / Crédito: Gustavo OharaMística / Crédito: Gustavo OharaSementes representam a terra / Crédito: Gustavo OharaGrupo reunido / Crédito: Gustavo OharaSamuel, da CPT / Crédito: Gustavo Ohara
Trabalhadores durante a reunião / Crédito: Gustavo Ohara
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Segundo semestre de 2010

01/12/2010

Depois da visita realizada ao acampamento em abril, seguimos realizando encontros com o grupo e a Comissão Pastoral da Terra. Durante este período, foram enfrentadas diversas dificuldades com relação à organização e permanência das famílias na terra. Foi um período em que a necessidade de resistência tornou-se ainda mais forte.

No verão tocantinense, período que vai de junho a setembro, a água é escassa para atender as necessidades dos acampados. Com a estiagem, muitas famílias tiveram dificuldades para ...



Segundo semestre de 2010

01/12/2010

Depois da visita realizada ao acampamento em abril, seguimos realizando encontros com o grupo e a Comissão Pastoral da Terra. Durante este período, foram enfrentadas diversas dificuldades com relação à organização e permanência das famílias na terra. Foi um período em que a necessidade de resistência tornou-se ainda mais forte.

No verão tocantinense, período que vai de junho a setembro, a água é escassa para atender as necessidades dos acampados. Com a estiagem, muitas famílias tiveram dificuldades para sobreviver na terra.

Apesar de o proprietário da Fazenda Recreio ter aceitado iniciar processo de venda para o Incra, houve despejo na fazenda Freitas, o que fez com que as famílias ali instaladas passassem a morar junto com as da área vizinha. Ficou decidido que seria montado acampamento na beirada da Fazenda Recreio, onde ela faz divisa com a Fazenda Freitas, que tem sido alvo de ameaças e pistolagem, culminando com o assassinato de Gabriel Vicente de Souza Filho, 46 anos, em outubro. 

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Visita

21/04/2010

 Crédito: Gustavo Ohara

No dia 21 de abril de 2010, foi realizada visita às famílias da ocupação em seus lotes, para conhecer melhor as particu...



Visita

21/04/2010

 Crédito: Gustavo Ohara

No dia 21 de abril de 2010, foi realizada visita às famílias da ocupação em seus lotes, para conhecer melhor as particularidades de cada componente do grupo.

Estivemos em seis casas. As roças estão muito bonitas: abóbora, feijão, arroz, milho, mandioca... E também plantaram árvores frutíferas. Foi importante para ver que estão mobilizadas e dedicadas à terra.


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Encontro 2

21/03/2010

O segundo encontro aconteceu no dia 21 de março de 2010. Chegando ao local, fomos acolhidos pelo dono da casa. Partilhamos café e milho assado. Iniciamos a atividade fazendo memória do encontro anterior quando conhecemos um pouco da vida de cada um e o que os motivou a estarem hoje lutando por aquela terra.

O grupo discutiu alguns problemas na sua organização interna e foi reforçada a necessidade de cada um e cada uma assumir a luta. No segundo momento, propusemos fazer com a comunidade uma linha do tempo da ocupação para identific...



Encontro 2

21/03/2010

O segundo encontro aconteceu no dia 21 de março de 2010. Chegando ao local, fomos acolhidos pelo dono da casa. Partilhamos café e milho assado. Iniciamos a atividade fazendo memória do encontro anterior quando conhecemos um pouco da vida de cada um e o que os motivou a estarem hoje lutando por aquela terra.

O grupo discutiu alguns problemas na sua organização interna e foi reforçada a necessidade de cada um e cada uma assumir a luta. No segundo momento, propusemos fazer com a comunidade uma linha do tempo da ocupação para identificar os momentos de maior conflito e a resistência da comunidade. 

Atividade no assentamento
Crédito: Arquivo Repórter Brasil 

Com a contribuição sobretudo dos que chegaram primeiro na ocupação, construímos um retrato da luta até agora enfrentada. As ameaças e as estratégias do grupo para resistir na terra e confrontar os supostos “donos”.

Em seguida, fizemos uma memória das lutas dos camponeses no Brasil. A partir das experiências das lutas pela abolição, guerra de Canudos e Contestado, Trombas e Formoso e outras, debatemos a importância da luta dos pobres para garantir a posse da terra e a conquista dos direitos humanos. Discutimos que é preciso fazer uma luta articulada com outras comunidade que vivem a mesma situação e também buscar apoio em entidades afins para garantir a vitória.

Apresentamos cartazes e conversamos sobre a atuação de outras entidades e movimentos, como MST, MAB, etc. O objetivo era também mostrar que a luta na ocupação não é uma isolada, mas faz parte de todo um contexto nacional de luta pela reforma agrária. Foram usadas nesta discussão duas fotografias de Sebastião Salgado.

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Encontro 1

16/01/2010

O primeiro encontro aconteceu no dia 16 de janeiro de 2010. Em 2009, já haviam sido realizadas duas reuniões para articulação do grupo.

Chegamos ao acampamento por volta das 9 horas da manhã. Foram improvisados pelos participantes bancos com troncos sob a sombra de árvores e o ambiente ficou agradável.

Depois da apresentação, explicamos o objetivo do encontro: compartilhar com o grupo um pouco das histórias de vida de cada um, por meio de desenhos que mostras...



Encontro 1

16/01/2010

O primeiro encontro aconteceu no dia 16 de janeiro de 2010. Em 2009, já haviam sido realizadas duas reuniões para articulação do grupo.

Chegamos ao acampamento por volta das 9 horas da manhã. Foram improvisados pelos participantes bancos com troncos sob a sombra de árvores e o ambiente ficou agradável.

Depois da apresentação, explicamos o objetivo do encontro: compartilhar com o grupo um pouco das histórias de vida de cada um, por meio de desenhos que mostrassem como foi tomada a decisão de ocupar uma terra. Para inspiração, foram distribuídos desenhos elaborados por estudantes para o Festival da Abolição e outros elaborados pelo Museu da Pessoa. Foi feito um comentário ressaltando a importância das histórias individuais para construção de uma história coletiva.

Atividade no acampamento
Crédito: Gustavo Ohara

Tentamos apontar que, apesar das diferenças, as histórias tinham pontos em comum: todos tinham ingressado no acampamento em função da necessidade e da vontade de conquistar a terra. A partir de então, foi feita a pergunta: o que a terra significa para vocês? E as respostas giraram em torno de três eixos: Liberdade, Dignidade, terra como mãe.

O grupo se empenhou bastante na elaboração dos desenhos, que ficaram bem bonitos. Depois, muitos quiseram apresentá-los aos demais.

Nas apresentações surgiram temas comuns: sonho da conquista da terra para “deixar de trabalhar para os outros em terra alheia”; dificuldades de viver na pobreza, em especial nas periferias das cidades; migração; exploração do trabalho; entrada no acampamento.

Além disso, foi ressaltada a importância de as famílias, enquanto grupo, permanecerem mobilizadas e unidas mesmo depois da conquista da terra, no sentido de que a luta não se esgota com o assentamento: depois há todo um processo pra conquista de outros direitos.

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