O primeiro encontro aconteceu no dia 16 de janeiro de 2010. Em 2009, já haviam sido realizadas duas reuniões para articulação do grupo.
Chegamos ao acampamento por volta das 9 horas da manhã. Foram improvisados pelos participantes bancos com troncos sob a sombra de árvores e o ambiente ficou agradável.
Depois da apresentação, explicamos o objetivo do encontro: compartilhar com o grupo um pouco das histórias de vida de cada um, por meio de desenhos que mostrassem como foi tomada a decisão de ocupar uma terra. Para inspiração, foram distribuídos desenhos elaborados por estudantes para o Festival da Abolição e outros elaborados pelo Museu da Pessoa. Foi feito um comentário ressaltando a importância das histórias individuais para construção de uma história coletiva.
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Atividade no acampamento Crédito: Gustavo Ohara |
Tentamos apontar que, apesar das diferenças, as histórias tinham pontos em comum: todos tinham ingressado no acampamento em função da necessidade e da vontade de conquistar a terra. A partir de então, foi feita a pergunta: o que a terra significa para vocês? E as respostas giraram em torno de três eixos: Liberdade, Dignidade, terra como mãe.
O grupo se empenhou bastante na elaboração dos desenhos, que ficaram bem bonitos. Depois, muitos quiseram apresentá-los aos demais.
Nas apresentações surgiram temas comuns: sonho da conquista da terra para “deixar de trabalhar para os outros em terra alheia”; dificuldades de viver na pobreza, em especial nas periferias das cidades; migração; exploração do trabalho; entrada no acampamento.
Além disso, foi ressaltada a importância de as famílias, enquanto grupo, permanecerem mobilizadas e unidas mesmo depois da conquista da terra, no sentido de que a luta não se esgota com o assentamento: depois há todo um processo pra conquista de outros direitos.